NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

                                A SERRAÇÃO AZUL
  As nuvens se formavam ao entardecer daquele dia primaveril. O ar quente batia no rosto das pessoas demandando às belezas da mata sul. O carro corria pela estrada de barro deixando para trás a poeira levantada pelo deslocamento do ar provocado pela dinâmica do movimento do veículo. A paisagem  não mudava ao redor. Só à distância, alguns pingos da quase extinta  mata atlântica coroava montes e serras. No mais, o imenso canavial  a cobrir de verde tudo que ficava  pelo caminho ao passar do carro. Aqui e ali, casas grandes e casarios iam se apresentando aos viajantes lembrando a eles  que engenhos produtores de cana-de-açúcar fizeram outrora a riqueza das cidades por onde passavam e de toda a região Nordeste. E também os faziam refletir sobre os horrores que dominaram aquelas terras  nos tempos da escravidão. As casas grandes, algumas suntuosas outras muito discretas em suas arquiteturas, eram o que restou do fausto escravagista. O casario desforme de paredes continua são os resquícios das antigas senzalas. Como companheiro de viagem que faz a rota inversa, os rios assoreados e sem as antigas proteções de paredes vegetais de gramíneas que se lançavam ao leito e de ingazeiros cujas bagens estalavam projetando os gomos que alimentavam peixes e pássaros. Estrada estreita e sinuosa, subindo e descendo na conformidade topográfica do terreno ainda desgastadas pelas chuvas do inverno indispensável a consolidação do canavial e ao existir dos rios. Pássaros em bandos passavam em direção às matas. Os bois de cambão ainda presentes no pátio dos cercados do engenhos.
Da ladeira de  aproximação da usina Serro Azul descortinava aos viajantes aquele panorama  encantador. As serras antes de Bonito, contrastando com o deserto à esquerda, se sucedem em cadeia  encimadas por nuvens de  coloração azulada. O espetáculo da serração  extasia turistas e viajantes. E ainda não é devidamente explorado aquele paraíso  de gases diáfanos que se pronuncia mais encantador nas manhãs de inverno quando o sol lá por trás do horizonte lança seus raios sobre as nuvens.

    -Trechos do meu livro Sonhos e Ruinas – Pingos de Memória de um Ser quase Espedaçado.

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