NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

                 A  CONFRARIA  DOS  PATIFES
                                                   
                                                    
    Patifaria se tornou uma ação corriqueira nas relações humanas. Valores éticos são desprezados por políticos, administradores, empresários. Pior ainda: esses valores são menosprezados hoje até no seio outrora sagrado da família. A partilha dos quinhões a que os herdeiros têm direito deixou de ser uma questão de honra, de mérito, para tornar-se um exercício de esperteza. Ou um problema de violência, com perseguição, opressão, astúcia, crime ou declarada má-fé. Por conta de heranças, filhos encomendam a morte dos pais, ou estes contratam bandidos para eliminarem os filhos. A fraternidade, antes reinante nos clãs familiares e decantada pelos chefes de famílias, fica de fora nas ocasiões em que é feita a partilha dos bens de herança.
         Uma família muito conhecida e tida por muito tempo como modelo de convivência pacífica, de repente põe as garras de fora. Por causa de um barco usado em passeios turísticos e doado a uma adolescente por seu irmão, o status de civilidade da família deu com a cara na lama. A questão da propriedade do barco assumiu contornos impressionantes. Depois de transportar muita gente em visitas a lugares paradisíacos, o barco se transformou numa pedra no sapato da adolescente. Seu irmão morreu numa situação trágica, e ai começou o inferno astral da menina. O morto possuía outros barcos, casas e bens diferentes. Por confiar excessivamente na honra da família não teve o cuidado de dar nomes aos bois. Isto é, não registrou devidamente cada bem em nome do parente-herdeiro que escolhera.
        Para complicar, o falecido era um parente-aderente; não tinha rigorosamente laços sanguíneos com a família em que ainda também adolescente  se inseriu, após a morte dos seus pais e avós. Complicação maior ficou para a irmã mais nova, a quem doou o principal barco. É que a menina, por iniciativa dos seus avós antes de morrerem, foi morar com os padrinhos. Criada com muito mimo e sem outros cuidados didático-familiares, ela se espelhou na irmã de criação, já adulta e gestora de negócios hoteleiros. Os padrinhos de Patrícia tinham um casal de filhos, todos adultos. Desde crianças levaram uma vida livre onde não existia nenhum limite. O irmão de criação de Patrícia, é, na verdade, uma máquina registradora. Só pensa em dinheiro. E é capaz de qualquer coisa para conseguir seus intentos consumistas e dominadores. Apoderando-se do barco, o rapaz usou a renda do mesmo para montar seu enxoval de casamento, arrumar sua casa e finalmente, casar. Patrícia, coitada,  quando via algum dinheiro era migalhas que o irmão lhe dava quase à guisa de esmola.
           O tempo passou, e Patrícia agora é adulta. Rebelde, como todo jovem de hoje, dá um nó na cabeça da madrinha, que gostaria de tê-la sob-reios. A indignação de Patrícia aumentou depois que o irmão vendeu o barco, sem consultá-la. E numa dessas manobras espúrias típicas dos negócios das famílias de hoje, pretende entregar à irmã  uma quantia menor que um terço do valor da venda do barco. Alega, entre outras coisas, que gastou dinheiro mantendo e reformando o barco. Mas o dinheiro por ele gasto na conservação do barco foi proveniente da renda do mesmo. E não bastasse ter explorado a irmã, sonegando-lhe o que de direito lhe pertencia, pretende, com essa manobra, cobrar indenização por ter cuidado do barco. Useiro e vezeiro na arte de se apropriar de bens alheios, o irmão de Patrícia teve o despudor de pressionar e até ameaçar outros familiares para se apossar de bens outros que ainda estavam sob guarda de outro segmento da família onde de fato morava o inditoso e verdadeiro irmão de Patrícia. No momento, uma guerra surda se trava no seio da família. Os padrinhos de Patrícia parece não enxergarem o que está acontecendo.
      Olhando de longe, alguém pode ter a impressão de que  os padrinhos de Patrícia se alhearam aos fatos que ocorrem sob suas vistas por pura ignorância. Outros, mais piedosos, podem achar que eles são uns pobres coitados, manipulados pelos filhos. Outros ainda, poderiam imaginar uma situação em que um irmão mais velho está cuidado dos interesses da irmã  e esta não reconhece os esforços que a família faz para educá-la e protegê-la. Toda opinião tem seu cunho de relatividade. Mas, olhando de dentro do olho do furacão familiar que arrasa com os últimos bens éticos daquela família, o diagnóstico é bem outro. Não há nenhum inocente ali. Todos têm consciência do que está acontecendo, e os padrinhos de Patrícia acham, isto sim, que, o filho está fazendo uma coisa certa. Afinal, eles também serão beneficiados com a patifaria montada pelos irmãos de criação de Patrícia. E como sucede hoje com a maioria das famílias deste desditoso Planeta, funciona naquela casa uma verdadeira confraria de patifes.
                                                                                                                                                           
 


DOIS ARTIGOS AQUI REPUBLICADOS SERVEM PARA REFLEXÃO DO MOMENTO ATUAL.

                             A  ATUAL  CRISE MUNDIAL

                                       (UM  SINAL  DE  ALERTA)
            Na primeira década do século XX uma crise política afetava a estabilidade da Europa. Contornos geográficos, econômicos e étnicos envolvendo essa crise podem ser observados aqui e ali na releitura da história dessa época. Os interesses políticos das nações européias mais ricas, principalmente a Alemanha, estavam focados nas nações menos desenvolvidas do Continente que serviriam para ampliar o mercado já saturado ali. O assassinato do duque austríaco Ferdinando foi o estopim para eclosão da I Grande Guerra. O isolamento da Rússia e a criação da União Soviética em 1917 atraíram as atenções do mundo ocidental para essa área política altamente nevrálgica. E a situação interna da Alemanha, sob o ponto de vista político e institucional, não teve a atenção devida.
       A II Grande Guerra foi conseqüência direta da crise econômica que afetou as nações mais ricas, principalmente os Estados Unidos. A quebradeira dos bancos europeus e americanos (fecharam mais de mil) que resultou na falência das bolsas em 1929 não pode escapar de uma análise mais criteriosa. Principalmente sob a óptica política, étnica e ideológica. O massacre de milhões de judeus, ciganos e outros povos sem pátria não foi um episódio que se possa esquecer para que não venha a se repetir. Ações valiosas de cidadãos e de grandes conglomerados da economia ianque que sustentavam a rentabilidade financeira do sistema econômico mundial cujo centro eram os Estados Unidos de repente viraram papéis podres. E foi necessário fomentar uma guerra para soerguer a economia americana, aquecendo sua indústria de alta tecnologia. Intensificou-se a produção de armas e máquinas de guerra; a indústria de vestuário e alimentos voltada para a guerra trabalhou em velocidade máxima para a formação de estoques. Ciência e tecnologia se alinharam na tarefa de criar equipamentos de combate e veículos de transporte a longa distância e artefatos de destruição em massa para enfrentar uma situação de confronto de interesses que era previsível em virtude do cenário político mundial do começo da década de quarenta. Toda vez que os Estados Unidos se viram em dificuldades ou acuados engendraram uma guerra durante a qual alargaram seu lastro financeiro. Até mesmo naquelas guerras em que saíram como perdedores, como foi o caso do Vietnã e mais recentemente estão sendo os episódios do Afeganistão e do Iraque.
    A crise que atualmente avassala os países ricos e respinga na economia do mundo inteiro não pode ser atribuída apenas à concessão de créditos de retorno duvidoso no mercado financeiro. A crise não começou com a inadimplência dos tomadores de crédito do mercado imobiliário dos Estados Unidos. Ela tem sua origem em fatos bem anteriores que tem contornos políticos, econômicos e ideológicos. O dia de terror vivido pela cidade de Nova Iorque com a insólita e inesperada destruição das torres gêmeas, os componentes que o envolveram e suas conseqüências para a segurança norte-americana; o permanentemente tenso relacionamento entre Israel (cabeça de ponte dos interesses dos Estados Unidos na região da Arábia); a ascensão econômica dos chamados países emergentes, notadamente China, Índia e Brasil; a posse de armas atômicas por países pouco confiáveis para os Estados Unidos; a retração do Cristianismo na Europa e a expansão do islamismo em várias partes do mundo são detalhes que permeiam essa complicada questão. As cenas da primeira e da quarta décadas do século XX, de um modo ou de outro, estão a se repetir nessa primeira década do século XXI.
         O cenário econômico dos dias atuais tem, pois, contornos políticos, econômicos e ideológicos de certo modo idênticos àqueles que antecederam as duas grandes guerras. Os dez trilhões de dólares do PIB norte-americano serão insuficientes para impedir que o grande império da era moderna venha a ruir. A menos que a grande nação do Norte reveja sua agressiva política externa e reprograme seu ideário de dominação do mundo sob o manto da hegemonia pelas armas. Os Estados Unidos estão perdendo espaços em todos os continentes, principalmente na América Latina. As suas dificuldades de alianças com países asiáticos são notórias. A China é vista como uma face de dois gumes: já abocanhou uma boa parte do mercado mundial, possui armas atômicas e foguetes de longo alcance, em que pese ser um dos grandes mercados para os produtos norte-americanos. Porém, é também uma opção mais viável, embora os entraves de natureza ideológica que apresente, é uma nação mais aberta a uma eventual composição política. Já o Japão é uma sociedade fechada, de tradição milenar com cultura e costumes que não se adequam aos padrões liberais norte-americanos. Além do mais, a forte presença do capital japonês nos Estados Unidos, dominando áreas estratégicas, estará na mira das autoridades de segurança norte-americanas na eventualidade de um conflito de grandes proporções. E num conflito com as especificidades que se apresentarão num cenário com essa complexidade por certo não se desprezará o emprego de armas nucleares. E um conflito dessa natureza sem dúvidas terá como palco a Ásia, particularmente o mundo árabe. E Israel, como ficará? E como ficará também a segurança interna dos Estados Unidos e da maioria dos países europeus?  Esse, finalmente, é o cenário que se descortina aos observadores da crise econômica que se instalou nos países ricos e rebate no resto do mundo. Ou será uma crise artificial, criada exatamente para servir de pano de fundo para ações militares estratégicas já amplamente planejadas?                                                                                                                             12.10;2008

















            

                  A   ESCALADA   DA  VIOLÊNCIA

                                                          Emílio J. Moura


                          A violência está se tornando uma constante no cotidiano das relações sociais do ente humano. De todos os lados, de todos os países, vêm noticias sobre a falta de entendimento entre os homens. Não há um sinal de que as coisas possam melhorar, e há os que se aproveitam desse clima de insegurança para promover mais dissensões. Governos e instituições internacionais, tudo parece não enxergar o fosso que se alarga à frente da sociedade humana, separando países ou etnias. É difícil entender como isso acontece numa época em que organismos internacionais encarregados de fazer a contenção dos interesses localizados de grupos ou de nações promovem grandes conferências mundiais pela paz,pela defesa do meio ambiente, pelo combate à miséria em muitos continentes e dessa forma tentam encontrar uma saída para a crise de segurança que se instalou no mundo.
                     Impressionante é observar como as grandes lideranças mundiais se esmeram em colocar o aspecto legal como base imprescindível para se discutir e resolver as grandes contendas humanas. Toda discussão tem de partir do embasamento legal exarado nas complexas estruturas jurídicas atualmente existente nos países e nos organismos internacionais. E aí surge o impasse. Qual a norma que prevalece nessas discussões? Se a questão for de um país tido como “não potência” econômica, o fórum imposto será o internacional. Mandam, pois, os países ricos. Se a discussão envolve interesses dos países desenvolvidos, ai prevalece a estrutura jurídica de cada país demandador. E, então, como fica o entendimento internacional? Como se promove a paz  mundial, se os interesses a prevalecerem nas discussões internacionais serão os dos países mais poderosos? A armadilha montada pelas nações mais desenvolvidas pega sempre aqueles países mais pobres que buscam com seus próprios recursos o desenvolvimento econômico.
                   E se algum país se atreve a planejar o implemento de soluções nacionais dentro de sua própria órbita ideológica de independência política e econômica acaba sofrendo dos países desenvolvidos todo tipo de sanções que inviabilizam o  seu projeto. Vêm daí as reações localizadas, que podem formar uma cadeia a se propagar por áreas contíguas ou até mesmo distantes, gerando, por sua vez, novas reações repressoras. Os movimentos nacionalistas eram taxados de subversão da ordem pública ou agitação ilegal. As respostas dadas pelas elites tinham como objetivo impedir o avanço de idéias inovadoras, preservando assim os privilégios dos poderosos. E não é diferente o que acontece no assim chamado submundo social. Esse submundo não é outra coisa que a insatisfação de camadas exploradas da sociedade. As reações, partindo  dessas camadas, são sempre tidas como ações de subversão da ordem pública. Hoje, se dourou a pílula amarga “oferecida” pelas elites aos mais necessitados, e  em vez dos termos subversão e agitação  usam-se expressões como defesa do estado democrático de direito.
                 Desta forma, em todos os níveis, do oficial ao popular, prevalece o espírito de inconformação do poder ou das nações, o que gera situações de conflitos, com ações e reações nem sempre sensatas. A violência, por fim, é um fenômeno cultural presente em todas as sociedades. Enquanto não houver um real entendimento da sociedade sobre que ações devam ser implementadas para reduzir as tensões oficiais ou sociais a violência continuará em sua escala ascendente, ceifando vidas, mutilando indivíduos ou lançando à fome e à miséria milhões de pessoas no mundo inteiro.                                                                                                                                               18.07.2008

  


sábado, 22 de fevereiro de 2014

                       ORAÇÃO  CÓSMICA
GRANDE E INSIGNE AVATAR DO UNIVERSO:
permiti que possamos transformar nossas vidas
abraçando o Bem e neutralizando o mal;
ensina-nos a olharmos para dentro de nós mesmos
a entendermos que as nossas vidas são como fagulhas de tua Luz;
incute em nossas mentes a necessidade
de construirmos nossos caminhos em terra firme,
nos desvencilhando da areia movediça dessa vida.
Majestoso Arquiteto do Universo,
 Tu que existes desde o sempre; tu que és infinito, único, imutável
e nenhum outro ser se apresentará em teu nome,
ajuda-nos a aplacar nossas iras, a entendermos nossos irmãos,
conscientes de que Tu nos criastes a todos iguais,
e que da terra saímos e para a terra voltaremos.
Santo  e Magnífico Avatar ,
Senhor dos Céus, do ar, dos oceanos, rios e lagos, das florestas, dos campos floridos, dos ventos, do silêncio dos desertos e das tempestades dos mares e da atmosfera, mostra-nos a linha da retidão e os traços compassados norteando nossos passos.
Ó, Grande Avatar do Universo,
faz-nos entender que essas forças naturais movem nossas vidas dando-nos a capacidade de colocá-las a nosso favor ou contra nós; que o eco cósmico dos nossos desejos e intenções depende da intensidade e da qualidade das nossas ações e da capacidade de nos harmonizarmos com a Natureza.
PAZ, LUZ E HARMONIA.






























































































                   MORTA  VIVA  SEVERINA
Diferente da “laranja” cantada por Ataulfo Alves, Banana madura na beira da trilha nem sempre estava bichada.  Nem tinha marimbondos no bananal. Na zona da mata sul,  nas terras dos engenhos administrados por seu Sida, os pés de bananas em terras ermas se contavam às dezenas. E sempre existiam cachos com bananas maduras saboreadas pelos pássaros. Os trabalhadores do eito passavam e viam os frutos sem dono expostos para quem quisesse usá-los. Não usavam! Inexistia  para esses coitados a cultura da alimentação diversificada com cereais, carne  e frutas. À beira do rio piscoso, mulheres esquálidas  e pálidas  com os peitos areados quase ao umbigo, com uma criança de colo escanchada  ao quadril e outra criança na barriga, mal tinham forças para andar. A desnutrição abalava as estruturas orgânicas dessas pobres mães do infortúnio. Seus maridos, míseros trabalhadores da enxada,  analfabetos e também desnutridos, se embebedavam com cachaças por eles mesmos fabricadas de raízes e entrecascas. Tanto peixe ali no rio e na lagoa lá perto da mata. Mas eles não sabiam pescar.  Geralmente se alimentavam uma vez por dia de farofa e carne  Ceará, quando tinham algum crédito no barracão. Ou usavam  carne de algum  tipo de caça, de preferência preá, roedor abundante nos arredores. Um porco selvagem ou uma jaguatinica, ah, isso só lá na mata. Caçar na verdade era tarefa mais difícil do que pescar.  
 Esse drama social prejudicava as criancinhas, que se alimentavam do leite da mãe sem  um teor de nutrientes satisfatório. E quando cresciam tinham dificuldades de aprendizado. Isso  se tivessem acesso à escola. Ou se passassem da primeira infância. Os sobreviventes eram meninos  magros, sambudos, barrigas-de-vermes, desnutridos. Morriam de fome. Mas as maiores vítimas de todo aquele descaso eram as mulheres. Casavam aos catorze-dezesseis anos, e engravidavam ainda adolescentes. Habitavam  choupanas de paredes de barro taipado, cobertura e portas de capim trançado. Dormiam em jiraus, como toscos também eram mesa e assentos.  Geralmente analfabetas, distantes dos pais, as mulheres  tomavam conta da casa e da família. Roupas de chita ou de pano de saco,  sem hábitos higiênicos , cheiravam mal. O sanitário da família era a capoeira. Não iam sequer ao barracão, nem participavam das festas de época que seu  Sida realizava no engenho-sede. Praticamente, a função social  dessas filhas da miséria era preparar a rara comida do marido e ter filhos. Vivas mortas, as Severina  que não trabalhavam no eito  tinham um destino cruel. Morriam ainda novas, deixando filhos pequenos ao desabrigo. Não transformem isso em drama musicado, porque  as mulheres parideiras daquelas paragens dos anos trinta-quarenta   viviam tudo o que se pode pensar,  exceto uma situação romântica.

                    (Adaptado do meu livro Sonhos e Frustrações- Pedaços de Memória de Um Ser Quase desmemoriado).
                                  

                                      CURIOSIDADES          
                        BEBÊ CARREGAVA OUTRO NO CÉREBRO

                                         Texto copilado por Emílio J. Moura.

                                         Um bebê de apenas três dias de vida foi operado da cabeça no Hospital Infantil de Colorado Springs (Estados Unidos). O neurocirurgião Paul Grabb, responsável pelo procedimento, retirou da cabeça do neném um tumor cuja massa continha um pequeno pé já bem formado, um outro pé, uma mão e uma coxa, estes ainda em processo de desenvolvimento.“Foi como retirar um pequeno bebê do cérebro”, disse Grabb, que acrescentou: “a massa tumoral poderia ser um caso de “feto dentro de um feto”.
                                    
                                     A vasta literatura médica relata casos de gêmeos atípicos presos por diferentes regiões do corpo. Fala dos casos de litopédios e de outras formas ectópicas de gravidez. E narra também casos de órgãos “extras” retirados da cavidade abdominal ou de dentro de outros órgãos. Mas a ocorrência de casos de partes do corpo no cérebro de uma pessoa é rara. E essa aglutinação de tantas “peças” dentro do cérebro de uma criança recém-nascida é um caso inédito nos anais médicos. Tanto a criança maturada quanto o “material” que ela carregava no cérebro são produtos de uma gravidez gemelar (gêmeos), onde um feto se desenvolveu de forma natural e o outro não vingou.
                                      Tentando explicar fatos semelhantes ocorridos em outras áreas do corpo humano, a literatura médica fala de “gêmeos desenvolvidos dentro de outro”. Neste caso específico, é surpreendente o seccionamento das partes do corpo da criança encontradas dentro do cérebro da outra. E a ausência dos outros componentes anatômicos que já deveriam existir nessa fase de evolução do corpo da segunda criança apimenta as discussões. A informação transmitida pela AP não fala de tronco, cabeça, esqueleto. Simplesmente alude a “pé”, “mão”, “coxa”. É como se o corpo da segunda criança tivesse sido “esquartejado” na fase rudimentar de formação do embrião, e os demais órgãos não encontrados tenham se perdido nos labirintos biológicos, enquanto as “peças” achadas tenham sido “aprisionadas” na área que formaria o cérebro da criança que vingou, por processos fisiológicos desconhecidos.

                                                                                                                                19.12.2008
                                      

      DESTEMPERO
Até parece da causa o desespero
E com essa demandante ansiedade
Provas que grande é teu destempero
Chegando às raias da maldade.

Mas, por favor, presta atenção:
 Fizeste-me no passado de vidraça,
Porém eu, tendo bom  coração,
E estando nesse momento de graça,

Jamais  revide penso ou anseio.
Compreendo tua triste  letargia,
Já que doente  estás, receio,

E luto  de vera para te libertar
Dessa tua incômoda agonia,
- Terás paz na vida um dia, creio.



                          CONDUZINDO A BOIADA
A boiada caminha lenta ao compasso do aboiador. O marchante segue à frente recolhendo pelos engenhos e sítios os bois adquiridos deixados para engorda. Eram só alguns no começo da marcha. Agora são muitas as rezes; naquele silêncio não imaginam que estão indo para o abate. Cada vez mais rico, o marchante se integra ao grupo dos peões. Agora é paciência até chegar ao matadouro. A fatura será alta, com aquela clausula do contrato a lhe proporcionar a posse do couro dos bois abatidos. Juntando ao que já seca lá na ilha entre os dois arroios, será necessário contratar  caminhão de grande porte para transportar os couros até ao curtume.
A estrada de barro treme ao passar da boiada. Mas ninguém percebe esse detalhe, na submissão dos bois ao canto plangente do aboiador. Ainda restam algumas léguas  até chegar ao destino final. Até lá pode acontecer muita coisa, inclusive nada. Tudo corre como o panejado. Gado manso, gordo, chifres a se tocarem levemente nos desníveis do caminho. Os peões esporam seus cavalos treinados nessa lida de tanger bois. Os quatro cachorros  boiadeiros caminham em silêncio nos seus postos de compressão da boiada. O capim alto  não pode ser usado pelas rezes tocadas por aquela dinâmica imposta à caminhada. Os gravetos secos estalam pelo chão ao pisar pesado dos bois. Agora o vale se estreita e a boiada fica cada vez mais compacta; os boiadeiros se distribuem uniformemente à frente, atrás e aos lados.
Na várzea de areia branca a se espraiar até à base das montanhas, o caminhar dos bois fica mais lento, pesado; a areia é fofa e ali não nasce nem capim rasteiro. Alarga-se a paisagem e à frente, não muito distante, uma vegetação densa alimentada por veio d’água volumoso que serpenteia pelo largo vale. A boiada atravessa o rio num ponto onde não há correnteza. Mas o rio é fundo e os animais nadam vencendo a resistência da água. Homens de roupas de couro os boiadeiros  pouco sentem a ação do rio. Só as botinas se enchem do líquido daquele veio onde os jacarés se intimidam com  o volume da boiada; um movimento simples, e a água é expelida. O sol forte da tarde se encarrega de secar tudo. Os cães até gostam daquela aventura que repetem periodicamente.
Agora vem uma vegetação concentrada  quase em círculo. Um resto de mata que no seu isolamento serve de abrigo para pássaros, onças e macacos. A pequena mata é fechada, protegida por cipós densos entrançados a impermeabilizarem a entrada para as árvores robustas de verde firme. O caminho não é largo, mas suficiente para uma passagem segura. De um lado e de outro, pequenos sulcos onde corriam riachos mortos pelo desmatamento para plantar cana. A cana ainda é rasteira e suas folhas estão amareladas pela falta de chuvas. Um ocorrido qualquer lá dentro da mata assanha os macacos e os guaribas, como que defendendo a posse do seu terreno, emitem de uma só vez um grito horrendo. Os bois se assustam, e num arranque incontrolável correm em disparada  em todas as direções. Num instante, a boiada se dispersa ao longo de toda a várzea, pisoteando pés de cana. Só o cansaço das rezes freia o estoura da boiada. Agora os peões precisarão de alguns dias para localizar, contar e novamente tocar a boiada.


(Extratos do meu livro Sonhos e Frustrações – pedaços de memória de um Ser quase Dememoreado).
Olá, amigos.
O blog esteve inativo durante algumas semanas. Agradecemos a todos pela paciência e pela presença. Neste retorno, reafirmamos a proposta do blog de debater temas regionais.
Bom carnaval para todos e...
                              MUITA MODERAÇÃO NOS FESTEJOS JUNINOS.