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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DOIS ARTIGOS AQUI REPUBLICADOS SERVEM PARA REFLEXÃO DO MOMENTO ATUAL.

                             A  ATUAL  CRISE MUNDIAL

                                       (UM  SINAL  DE  ALERTA)
            Na primeira década do século XX uma crise política afetava a estabilidade da Europa. Contornos geográficos, econômicos e étnicos envolvendo essa crise podem ser observados aqui e ali na releitura da história dessa época. Os interesses políticos das nações européias mais ricas, principalmente a Alemanha, estavam focados nas nações menos desenvolvidas do Continente que serviriam para ampliar o mercado já saturado ali. O assassinato do duque austríaco Ferdinando foi o estopim para eclosão da I Grande Guerra. O isolamento da Rússia e a criação da União Soviética em 1917 atraíram as atenções do mundo ocidental para essa área política altamente nevrálgica. E a situação interna da Alemanha, sob o ponto de vista político e institucional, não teve a atenção devida.
       A II Grande Guerra foi conseqüência direta da crise econômica que afetou as nações mais ricas, principalmente os Estados Unidos. A quebradeira dos bancos europeus e americanos (fecharam mais de mil) que resultou na falência das bolsas em 1929 não pode escapar de uma análise mais criteriosa. Principalmente sob a óptica política, étnica e ideológica. O massacre de milhões de judeus, ciganos e outros povos sem pátria não foi um episódio que se possa esquecer para que não venha a se repetir. Ações valiosas de cidadãos e de grandes conglomerados da economia ianque que sustentavam a rentabilidade financeira do sistema econômico mundial cujo centro eram os Estados Unidos de repente viraram papéis podres. E foi necessário fomentar uma guerra para soerguer a economia americana, aquecendo sua indústria de alta tecnologia. Intensificou-se a produção de armas e máquinas de guerra; a indústria de vestuário e alimentos voltada para a guerra trabalhou em velocidade máxima para a formação de estoques. Ciência e tecnologia se alinharam na tarefa de criar equipamentos de combate e veículos de transporte a longa distância e artefatos de destruição em massa para enfrentar uma situação de confronto de interesses que era previsível em virtude do cenário político mundial do começo da década de quarenta. Toda vez que os Estados Unidos se viram em dificuldades ou acuados engendraram uma guerra durante a qual alargaram seu lastro financeiro. Até mesmo naquelas guerras em que saíram como perdedores, como foi o caso do Vietnã e mais recentemente estão sendo os episódios do Afeganistão e do Iraque.
    A crise que atualmente avassala os países ricos e respinga na economia do mundo inteiro não pode ser atribuída apenas à concessão de créditos de retorno duvidoso no mercado financeiro. A crise não começou com a inadimplência dos tomadores de crédito do mercado imobiliário dos Estados Unidos. Ela tem sua origem em fatos bem anteriores que tem contornos políticos, econômicos e ideológicos. O dia de terror vivido pela cidade de Nova Iorque com a insólita e inesperada destruição das torres gêmeas, os componentes que o envolveram e suas conseqüências para a segurança norte-americana; o permanentemente tenso relacionamento entre Israel (cabeça de ponte dos interesses dos Estados Unidos na região da Arábia); a ascensão econômica dos chamados países emergentes, notadamente China, Índia e Brasil; a posse de armas atômicas por países pouco confiáveis para os Estados Unidos; a retração do Cristianismo na Europa e a expansão do islamismo em várias partes do mundo são detalhes que permeiam essa complicada questão. As cenas da primeira e da quarta décadas do século XX, de um modo ou de outro, estão a se repetir nessa primeira década do século XXI.
         O cenário econômico dos dias atuais tem, pois, contornos políticos, econômicos e ideológicos de certo modo idênticos àqueles que antecederam as duas grandes guerras. Os dez trilhões de dólares do PIB norte-americano serão insuficientes para impedir que o grande império da era moderna venha a ruir. A menos que a grande nação do Norte reveja sua agressiva política externa e reprograme seu ideário de dominação do mundo sob o manto da hegemonia pelas armas. Os Estados Unidos estão perdendo espaços em todos os continentes, principalmente na América Latina. As suas dificuldades de alianças com países asiáticos são notórias. A China é vista como uma face de dois gumes: já abocanhou uma boa parte do mercado mundial, possui armas atômicas e foguetes de longo alcance, em que pese ser um dos grandes mercados para os produtos norte-americanos. Porém, é também uma opção mais viável, embora os entraves de natureza ideológica que apresente, é uma nação mais aberta a uma eventual composição política. Já o Japão é uma sociedade fechada, de tradição milenar com cultura e costumes que não se adequam aos padrões liberais norte-americanos. Além do mais, a forte presença do capital japonês nos Estados Unidos, dominando áreas estratégicas, estará na mira das autoridades de segurança norte-americanas na eventualidade de um conflito de grandes proporções. E num conflito com as especificidades que se apresentarão num cenário com essa complexidade por certo não se desprezará o emprego de armas nucleares. E um conflito dessa natureza sem dúvidas terá como palco a Ásia, particularmente o mundo árabe. E Israel, como ficará? E como ficará também a segurança interna dos Estados Unidos e da maioria dos países europeus?  Esse, finalmente, é o cenário que se descortina aos observadores da crise econômica que se instalou nos países ricos e rebate no resto do mundo. Ou será uma crise artificial, criada exatamente para servir de pano de fundo para ações militares estratégicas já amplamente planejadas?                                                                                                                             12.10;2008

















            

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