A ESCALADA DA
VIOLÊNCIA
Emílio J. Moura
A violência está se
tornando uma constante no cotidiano das relações sociais do ente humano. De
todos os lados, de todos os países, vêm noticias sobre a falta de entendimento
entre os homens. Não há um sinal de que as coisas possam melhorar, e há os que
se aproveitam desse clima de insegurança para promover mais dissensões.
Governos e instituições internacionais, tudo parece não enxergar o fosso que se
alarga à frente da sociedade humana, separando países ou etnias. É difícil
entender como isso acontece numa época em que organismos internacionais
encarregados de fazer a contenção dos interesses localizados de grupos ou de
nações promovem grandes conferências mundiais pela paz,pela defesa do meio
ambiente, pelo combate à miséria em muitos continentes e dessa forma tentam
encontrar uma saída para a crise de segurança que se instalou no mundo.
Impressionante é observar como as grandes lideranças mundiais se esmeram
em colocar o aspecto legal como base imprescindível para se discutir e resolver
as grandes contendas humanas. Toda discussão tem de partir do embasamento legal
exarado nas complexas estruturas jurídicas atualmente existente nos países e
nos organismos internacionais. E aí surge o impasse. Qual a norma que prevalece
nessas discussões? Se a questão for de um país tido como “não potência”
econômica, o fórum imposto será o internacional. Mandam, pois, os países ricos.
Se a discussão envolve interesses dos países desenvolvidos, ai prevalece a
estrutura jurídica de cada país demandador. E, então, como fica o entendimento
internacional? Como se promove a paz
mundial, se os interesses a prevalecerem nas discussões internacionais
serão os dos países mais poderosos? A armadilha montada pelas nações mais
desenvolvidas pega sempre aqueles países mais pobres que buscam com seus
próprios recursos o desenvolvimento econômico.
E
se algum país se atreve a planejar o implemento de soluções nacionais dentro de
sua própria órbita ideológica de independência política e econômica acaba
sofrendo dos países desenvolvidos todo tipo de sanções que inviabilizam o seu projeto. Vêm daí as reações localizadas,
que podem formar uma cadeia a se propagar por áreas contíguas ou até mesmo
distantes, gerando, por sua vez, novas reações repressoras. Os movimentos
nacionalistas eram taxados de subversão da ordem pública ou agitação ilegal. As
respostas dadas pelas elites tinham como objetivo impedir o avanço de idéias
inovadoras, preservando assim os privilégios dos poderosos. E não é diferente o
que acontece no assim chamado submundo social. Esse submundo não é outra coisa
que a insatisfação de camadas exploradas da sociedade. As reações,
partindo dessas camadas, são sempre
tidas como ações de subversão da ordem pública. Hoje, se dourou a pílula amarga
“oferecida” pelas elites aos mais necessitados, e em vez dos termos subversão e agitação usam-se expressões como defesa do estado
democrático de direito.
Desta forma, em todos os níveis, do oficial ao popular, prevalece o
espírito de inconformação do poder ou das nações, o que gera situações de
conflitos, com ações e reações nem sempre sensatas. A violência, por fim, é um
fenômeno cultural presente em todas as sociedades. Enquanto não houver um real
entendimento da sociedade sobre que ações devam ser implementadas para reduzir
as tensões oficiais ou sociais a violência continuará em sua escala ascendente,
ceifando vidas, mutilando indivíduos ou lançando à fome e à miséria milhões de
pessoas no mundo inteiro. 18.07.2008
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