NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

                  A   ESCALADA   DA  VIOLÊNCIA

                                                          Emílio J. Moura


                          A violência está se tornando uma constante no cotidiano das relações sociais do ente humano. De todos os lados, de todos os países, vêm noticias sobre a falta de entendimento entre os homens. Não há um sinal de que as coisas possam melhorar, e há os que se aproveitam desse clima de insegurança para promover mais dissensões. Governos e instituições internacionais, tudo parece não enxergar o fosso que se alarga à frente da sociedade humana, separando países ou etnias. É difícil entender como isso acontece numa época em que organismos internacionais encarregados de fazer a contenção dos interesses localizados de grupos ou de nações promovem grandes conferências mundiais pela paz,pela defesa do meio ambiente, pelo combate à miséria em muitos continentes e dessa forma tentam encontrar uma saída para a crise de segurança que se instalou no mundo.
                     Impressionante é observar como as grandes lideranças mundiais se esmeram em colocar o aspecto legal como base imprescindível para se discutir e resolver as grandes contendas humanas. Toda discussão tem de partir do embasamento legal exarado nas complexas estruturas jurídicas atualmente existente nos países e nos organismos internacionais. E aí surge o impasse. Qual a norma que prevalece nessas discussões? Se a questão for de um país tido como “não potência” econômica, o fórum imposto será o internacional. Mandam, pois, os países ricos. Se a discussão envolve interesses dos países desenvolvidos, ai prevalece a estrutura jurídica de cada país demandador. E, então, como fica o entendimento internacional? Como se promove a paz  mundial, se os interesses a prevalecerem nas discussões internacionais serão os dos países mais poderosos? A armadilha montada pelas nações mais desenvolvidas pega sempre aqueles países mais pobres que buscam com seus próprios recursos o desenvolvimento econômico.
                   E se algum país se atreve a planejar o implemento de soluções nacionais dentro de sua própria órbita ideológica de independência política e econômica acaba sofrendo dos países desenvolvidos todo tipo de sanções que inviabilizam o  seu projeto. Vêm daí as reações localizadas, que podem formar uma cadeia a se propagar por áreas contíguas ou até mesmo distantes, gerando, por sua vez, novas reações repressoras. Os movimentos nacionalistas eram taxados de subversão da ordem pública ou agitação ilegal. As respostas dadas pelas elites tinham como objetivo impedir o avanço de idéias inovadoras, preservando assim os privilégios dos poderosos. E não é diferente o que acontece no assim chamado submundo social. Esse submundo não é outra coisa que a insatisfação de camadas exploradas da sociedade. As reações, partindo  dessas camadas, são sempre tidas como ações de subversão da ordem pública. Hoje, se dourou a pílula amarga “oferecida” pelas elites aos mais necessitados, e  em vez dos termos subversão e agitação  usam-se expressões como defesa do estado democrático de direito.
                 Desta forma, em todos os níveis, do oficial ao popular, prevalece o espírito de inconformação do poder ou das nações, o que gera situações de conflitos, com ações e reações nem sempre sensatas. A violência, por fim, é um fenômeno cultural presente em todas as sociedades. Enquanto não houver um real entendimento da sociedade sobre que ações devam ser implementadas para reduzir as tensões oficiais ou sociais a violência continuará em sua escala ascendente, ceifando vidas, mutilando indivíduos ou lançando à fome e à miséria milhões de pessoas no mundo inteiro.                                                                                                                                               18.07.2008

  


Nenhum comentário:

Postar um comentário