NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 13 de março de 2014

                                 DITADURA! NUNCA MAIS
Atravessei duas ditaduras e assisti aos horrores da violência contra o ser humano.  Na  era Vargas, vi a cavalaria invadir quintais de pessoas que celebravam o aniversário ou o casamento de seus filhos; assisti desolado cenas tristes como as de trabalhadores anônimos  açoitados por espadas de cavalarianos ou arrastados pelas ruas, amarrados por cordas à cela do cavalo. Homens,  mulheres e crianças eram esbofeteados em praça pública pelo simples fato de transitarem em lugar público, ou cidadãos  violentamente retirados do seio de suas famílias simplesmente porque eram acusados de delito de opinião. No regime militar, instaurado a partir de 1964, vi professores  universitários chegarem para atendimento médico de cabeça raspada e ouvidos supurando. Machucados também foram vários líderes comunitários  sem qualquer  envolvimento político ou partidário, pessoas pobres e trabalhadoras  identificadas apenas com os ideais de solidariedade, que buscavam nas mercearias  e mercados públicos contribuições em alimentos para serem distribuídos aos mais pobres da comunidade, em geral pessoas desempregadas e doentes. Foi  sob esse fatídico regime que o Brasil hibernou na área econômica, desnacionalizou suas riquezas  e escancarou as  suas portas ao capital estrangeiro, gerando a crise que levaria à adoção de vários planos econômicos, à hiperinflação e ao alargamento da pobreza, hoje reduzida mas ainda preocupante. O “milagre econômico”, que foi uma farsa  alimentada pelas elites, quando a classe média se desfez de suas joias, entregando-as ao governo, perdendo sua única reserva  de capital e mergulhando na pobreza.

Sob o governo do último general-presidente,  os porões da ditadura estavam cheios de presos políticos, muitos deles torturados até à morte. Durante a Copa do Mundo, quando a seleção fazia um gol em terras estrangeiras, aqui dentro pessoas gemiam sob a tortura desumana da ditadura. Esse foi um regime violento, inocentemente apoiado por segmentos da classe médica, que depois também provou  do caldo macabro feito de sangue, suor, lágrimas e fezes expelidas nas câmaras de tortura. Em regimes ditatoriais não há centralização da tomada de decisões, e em cada região do País as elites se investem de poder excepcional para perseguir seus opostos. Os regimes de exceção geram ranços autoritários que ficam latentes em determinadas camadas da população mesmo depois da “democratização” do País.  E escondem fatos desagradáveis, numa tentativa sub-reptícia de preservar  ideário de  domínio das elites. Estamos num ano eleitoral, quando os interesses partidários -  e particulares, se exacerbam  ao extremo. Não vivemos no melhor País do mundo, mas o Brasil é o País que temos, onde nascemos, crescemos,  nos educamos e trabalhamos. Se queremos um lugar melhor para viver com nossas famílias só temos um caminho a seguir: ajudar na construção desse País jovem, onde ainda estão presentes os ranços da escravidão e das ditaduras. Construir um País para todos, não apenas para  alguns. E nem ranços. Ao denunciar a violência desumana da ditadura, estamos lembrando fases da vida pátria que não poderiam ter acontecido e advertindo para que não possam acontecer outra vez. 

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