DITADURA! NUNCA MAIS
Atravessei duas ditaduras e
assisti aos horrores da violência contra o ser humano. Na era
Vargas, vi a cavalaria invadir quintais de pessoas que celebravam o aniversário
ou o casamento de seus filhos; assisti desolado cenas tristes como as de trabalhadores
anônimos açoitados por espadas de
cavalarianos ou arrastados pelas ruas, amarrados por cordas à cela do cavalo.
Homens, mulheres e crianças eram
esbofeteados em praça pública pelo simples fato de transitarem em lugar
público, ou cidadãos violentamente
retirados do seio de suas famílias simplesmente porque eram acusados de delito
de opinião. No regime militar, instaurado a partir de 1964, vi professores universitários chegarem para atendimento
médico de cabeça raspada e ouvidos supurando. Machucados também foram vários
líderes comunitários sem qualquer envolvimento político ou partidário, pessoas
pobres e trabalhadoras identificadas
apenas com os ideais de solidariedade, que buscavam nas mercearias e mercados públicos contribuições em
alimentos para serem distribuídos aos mais pobres da comunidade, em geral
pessoas desempregadas e doentes. Foi sob
esse fatídico regime que o Brasil hibernou na área econômica, desnacionalizou
suas riquezas e escancarou as suas portas ao capital estrangeiro, gerando a
crise que levaria à adoção de vários planos econômicos, à hiperinflação e ao
alargamento da pobreza, hoje reduzida mas ainda preocupante. O “milagre
econômico”, que foi uma farsa alimentada
pelas elites, quando a classe média se desfez de suas joias, entregando-as ao
governo, perdendo sua única reserva de
capital e mergulhando na pobreza.
Sob o governo do último
general-presidente, os porões da
ditadura estavam cheios de presos políticos, muitos deles torturados até à
morte. Durante a Copa do Mundo, quando a seleção fazia um gol em terras
estrangeiras, aqui dentro pessoas gemiam sob a tortura desumana da ditadura.
Esse foi um regime violento, inocentemente apoiado por segmentos da classe
médica, que depois também provou do
caldo macabro feito de sangue, suor, lágrimas e fezes expelidas nas câmaras de
tortura. Em regimes ditatoriais não há centralização da tomada de decisões, e
em cada região do País as elites se investem de poder excepcional para
perseguir seus opostos. Os regimes de exceção geram ranços autoritários que
ficam latentes em determinadas camadas da população mesmo depois da “democratização”
do País. E escondem fatos desagradáveis,
numa tentativa sub-reptícia de preservar ideário de domínio das elites. Estamos num ano eleitoral,
quando os interesses partidários - e particulares,
se exacerbam ao extremo. Não vivemos no
melhor País do mundo, mas o Brasil é o País que temos, onde nascemos,
crescemos, nos educamos e trabalhamos. Se
queremos um lugar melhor para viver com nossas famílias só temos um caminho a
seguir: ajudar na construção desse País jovem, onde ainda estão presentes os
ranços da escravidão e das ditaduras. Construir um País para todos, não apenas
para alguns. E nem ranços. Ao denunciar
a violência desumana da ditadura, estamos lembrando fases da vida pátria que
não poderiam ter acontecido e advertindo para que não possam acontecer outra
vez.
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