RECIFE / OLINDA
Quase chegando ao quinto centenário, as cidades- irmãs de Recife e Olinda tem muitas
histórias para contar. História boas, como a afirmação da nacionalidade e a
expulsão dos invasores, e outras nem
tanto. Cidades com contrastes, brios próprios e encantos indescritíveis.
Olinda, com lá no alto, a espionar o mar e cotejar Recife. Marim dos Caetés,
com suas ruas estreitas a subirem ladeiras; o casario centenário, de
arquitetura vistosa e atrativa. Olinda, berço de artistas de facetas mil;
poetas, pintores, cantores, entalhadores... Recife, cidade dos rios, dos canais e das
pontes. Recife decadente, que perde espaço há muitas décadas, desde a falência
do modelo da agroindústria açucareira. Ruas dos bondes elétricos a zigzaguearem pelas esquinas apertadas dos bairros do Recife
e de São Jose, dos trens maria-fumaça
chegando e saindo da estação central, beleza arquitetônica a se destacar numa
paisagem sem graça, do velho mercado de São José, antigo centro de compras e
ponto de encontro de artistas, vendedores, famílias, camelôs e vagabundos.
Época em que Recife tinha parias ensombradas de coqueiros, de areias límpidas e
macias; mangas, mangabas; um porto fumegando como um formigueiro humano.
477, 479 – idades convencionadas.
Recife e Olinda nasceram ao mesmo tempo, uma dependendo da outra. Se havia “uma
Ó linda condição para se fundar uma vila”, do outro lado, coladinho ali, havia
enormes perspectivas para construção de um porto. As duas cidades tentam
resgatar suas origens sociais e culturais, mas esbarram na falta de
planejamento urbano. Pensaram duas cidades para a carroça e o cavalo; não
tinham visão de uma grande metrópole que exigiria mobilidade, transporte,
energia, agua tratada, habitação popular. O lixo acumulado nas vias a espera de
ser recolhido em horas programadas, as favelas subindo as encostas dos morros,
a escassez de água, energia e casas decentes para a população mais vulnerável
depõem contra o foro de civilização das
duas cidades. A violência explodindo em cada canto e o estranho sistema de
transporte rodoferroviário implantando
os desumanos TIs aumenta o desconforto do cidadão residente nos subúrbios. Ainda
assim, saudemos nossas cidades guerreiras, hoje menos hospitaleiras. Sé, Varadouro, Farol, Boa Vista, Santo
Antônio, São José são caminhos comuns, pontos de encontros e desencontros de
turistas, adotados e nativos. Parabéns Recife e Olinda!
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