NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 12 de março de 2014

                              RECIFE / OLINDA
 Quase chegando ao quinto centenário,  as cidades- irmãs de Recife e Olinda tem muitas histórias para contar. História boas, como a afirmação da nacionalidade e a expulsão dos invasores, e outras nem  tanto. Cidades com contrastes, brios próprios e encantos indescritíveis. Olinda, com lá no alto, a espionar o mar e cotejar Recife. Marim dos Caetés, com suas ruas estreitas a subirem ladeiras; o casario centenário, de arquitetura vistosa e atrativa. Olinda, berço de artistas de facetas mil; poetas, pintores, cantores, entalhadores...  Recife, cidade dos rios, dos canais e das pontes. Recife decadente, que perde espaço há muitas décadas, desde a falência do modelo da agroindústria açucareira.  Ruas dos bondes elétricos a zigzaguearem  pelas esquinas apertadas dos bairros do Recife e de São Jose,  dos trens maria-fumaça chegando e saindo da estação central, beleza arquitetônica a se destacar numa paisagem sem graça, do velho mercado de São José, antigo centro de compras e ponto de encontro de artistas, vendedores, famílias, camelôs e vagabundos. Época em que Recife tinha parias ensombradas de coqueiros, de areias límpidas e macias; mangas, mangabas; um porto fumegando como um formigueiro humano.

477, 479 – idades convencionadas. Recife e Olinda nasceram ao mesmo tempo, uma dependendo da outra. Se havia “uma Ó linda condição para se fundar uma vila”, do outro lado, coladinho ali, havia enormes perspectivas para construção de um porto. As duas cidades tentam resgatar suas origens sociais e culturais, mas esbarram na falta de planejamento urbano. Pensaram duas cidades para a carroça e o cavalo; não tinham visão de uma grande metrópole que exigiria mobilidade, transporte, energia, agua tratada, habitação popular. O lixo acumulado nas vias a espera de ser recolhido em horas programadas, as favelas subindo as encostas dos morros, a escassez de água, energia e casas decentes para a população mais vulnerável depõem contra o foro  de civilização das duas cidades. A violência explodindo em cada canto e o estranho sistema de transporte  rodoferroviário implantando os desumanos TIs aumenta o desconforto do cidadão residente nos subúrbios. Ainda assim, saudemos nossas cidades  guerreiras, hoje menos hospitaleiras.  Sé, Varadouro, Farol, Boa Vista, Santo Antônio, São José são caminhos comuns, pontos de encontros e desencontros de turistas, adotados e nativos. Parabéns Recife e Olinda!

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