SUAPE
UNIVERSIDADES, DESENVOLVIMENTO E PERSPECTIVAS
Faltou investimento na qualidade do ensino, planejamento
para atender as necessidades do crescimento econômico e priorização das áreas a
treinar. Durante anos, as universidades se preocuparam apenas com o número de
matrículas. Em países como o Brasil, quantidade é fundamental para os
governantes saírem bem na foto. E de repente veio uma onda de crescimento que
se espraiou pelo litoral do Estado. O Litoral Sul, de geografia mais apropriada
a esse tipo de empreendimento, cresceu à sombra do Complexo Portuário e
Industrial de Suape. Àreas de embarque e desembarque de contêiner, estaleiros,
refinaria, indústrias as mais diversas. Um surto de crescimento na construção
civil, milhares de empregos, dezenas de canteiros do obras, centenas de máquinas; uma
movimentação intensa de gente, de equipamentos; migração impactando o cenário
demográfico, com a chegada de milhares de trabalhadores de todo parte do
Nordeste e de outras regiões do País. O Meio Ambiente alterado pelo crescimento
econômico. Canaviais dão lugar a indústrias e galpões, casas e alojamentos. O
impacto ambiental era inevitável. E a
insuficiência dos acessos e dos meios de transporte, também. Para aliviar a
malha rodoviária, uma indústria automobilística cuja área já estava devidamente
terraplenada teve que ser transferida para o Litoral Norte, onde as condições
de transporte rodoviário são precárias e os meios de embarque marítimo ainda inexistentes.
Suape mudou o panorama natural e artificial, econômico,
político e social de vários municípios
do Litoral Sul. São números colossais. Mais de cincoenta canteiros de obras,
cerca de cinco mil viagens diárias de ônibus transportando trabalhadores para
os vários empreendimentos que vão sendo implantados. Perto de dois mil veículos
particulares levando diretores, gerentes e assessores para supervisionar os
trabalhos. Mas os projetos não andam com a velocidade esperada pelos
empreendedores. Faltam trabalhadores qualificados para áreas básicas como
pedreiros de acabamento, mestres-de-obras, soldadores, encanadores,
eletricistas, etc. E para complicar, a implantação dos projetos fica mais
demorada, emperra ou é temporariamente adiada porque faltam técnicos de nível
superior como engenheiros, químicos, técnicos de petróleo e gás, biólogos e
outros mais. Por conta da defasagem de técnicos no mercado local esses
profissionais estão vindo de outros estados e até do exterior. Franceses,
alemães e de outras nacionalidades com especialização nessas áreas estão
aportando no estado para ocuparem vagas existentes em função da falta de
cuidados com o planejamento do progresso local. A região de Suape necessita de
centenas de engenheiros experientes para tocar o projeto do Complexo Portuário
e Industrial. Verdade que crescem os números de matrículas nos cursos de
engenharia, mas a quantidade e a qualidade dos formandos ainda por muitos anos
serão insuficiente para atender a
demanda. Esperemos que o espírito empreendedor ora registrado no Estado, em
particular, e no Nordeste, tenha continuidade e justifique a leva de técnicos
de nível superior que sairão de nossas universidades e escolas técnicas.
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