NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

FORTES VENTOS SOPRAM DO ORIENTE


Uma ventania avassaladora varre as estruturas políticas do Oriente. Nações até bem pouco somente conhecidas pelo exótico de suas tradições que atraiam turistas e a curiosidade dos observadores da História mergulham numa crise política de proporções gigantescas e de consequências imprevisíveis. É inoportuno tentar fazer prognóstico sobre o que vai surgir das cinzas dos confrontos internos de países tradicionalmente governados à mão de ferro por ditadores apoiados numa estrutura militar corrompida ou de viés teocrático. Ou dirigidos por monarcas montados sobre a riqueza do petróleo que usam a religião para legitimar seus poderes e explorar as populações, negando aos seus cidadãos requisitos fundamentais dos direitos humanos.
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Falar em democracia no Oriente Médio ou nos países islâmicos do norte da África é um exercício de contorcionismo intelectual. O exemplo mais gritante disso que afirmamos é o Egito, onde um Congresso é mera figur decorativa e pode ser dissolvido por um presidente. Na verdade, o que houve no Egito foi um golpe militar para inibir as aspirações populares demonstradas nos levantes que derrubaram Mubarak. Para agradar ao ocidente, o generalato que se instalou no poder da terra dos Faraós manteve alguns ministros do governo Mubarak, por sinal, os mais importantes. Ahmed Shafik continua 1º ministr; Ahmed Aboul Gheit permanece como chanceler e o ministro da Justiça segue sendo Mandouh Marie. Essa "mudança" é bem compreenssível; oportuna. O Egito depende dos bilhões de dólres que os Estados Unidos lhe fornecem anualmente sob o rótulo de "ajuda", mas na verdade é uma forma de reforçar a capacidade de controlar as aspirações reprimidas de um povo govrnado por regime de força. A revolta ali parece não ter terminado e é prematuro dizer em que vai terminar tudo isso.
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O caso mais excitante nessa torrente de protestos, confrontos entre militares e grupos civis armados e o que talvez possa caracterizar um genocídio é o da Líbia. No poder há mais de 40 anos, Muamar Kadafi tem os seus seguidores mercenários bem armados e enfrenta uma revolta popular que eixge reformas e condições dignas de trabalho e habitação. Grupos mais radicais, aparentemente mais numerosos nesse universo de revoltosos, vão além: querem a saída de Kadafi. E tudo indica que é isso que vai acontecer, não sem muito derramento de sangue. Os 3 filhos de Kadafi governam de fato a Líbia, pois o velho ditador já atingiu idade senil; os filhos de Kadafi são tão loucos e tão sanguinários quanto o velho coronel. Não custa lembrar:  os Estados Unidos, na década de 80, bombardearam  as defesas militares da Líbia, destroçando-as. Destuiram a casa de Kadafi (uma delas). O poder militar líbia perdeu qualidade desde então. Agora é aguardar o que vai acontecer na Líbia com a iminente queda de Kadafi. Astutamente, seus representantes no exterior vão desertando: não querem ser identificados como prepostos de um ditador sanguinário na iminência de ser defenestrado do poder. Mas será que isso vai descer guela abaixo da comunidade internacional? Eles foram coniventes com o terror e defendiam Kadafi como lider maior da região. Pobre África do Norte!
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Os líderes dos países ocidentais, principalmente as maiores economias/potências como os Estados Unidos e países da União Européia, estão de saia justa nessa situação que seus serviços diplomáticos falharam em detectar e implantar medidas preventivas. Ao contrário, fecharam os olhos para as atrocidades de ditadores do Oriente Médio e da África, principalmente a do Norte, e agora, diante das demandas populares que incendeiam aquelas regiões, tentam se posicionar como guardiões da Democracia. É bom que fiquem atentos à China, pois dali pode vir a resposta para a consolidação da paz no mundo inteiro. Uma potência armada até os dentes, com seguidores tão fanáticos quanto os de alguns países islâmicos,  de repente pode ser o fiel da balança. Todo equilíbrio na condução dos embates na China! E a Índia? A Índia é uma democracia multiracial, com culturas diversasm mas tradicionalmente unidas pelo espírito religioso, e seu povo, apesar de pobre (alguns muito miseráveis), já aprendeu com muitas guerras separatistas e sofrimento atroz a lidar com as soluções pacíficas para  suas pendências políticas.
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Engano é pensar que os problemas dessas regiões conflagradas se esgotam nas nações até agora citadas pela mídia. O caldo pode engrossar se não houver uma solução pacífica para a situação interna do Paquistão. Dominado por tribos diversas, e contaminado pelo Taleban, o Pasquistão é uma ameaça latente em toda aquela área. Detentor de armas atômicas, esse País pode vir a cair nas mãos de grupos ultra-radicais; e se for o Taleban? Sim, as regiões fronteriças ao Afeganistão são esconderijos de milicianos talebans. Já imaginou se essas milícias tomam o poder e se apossam do arsenal nuclear do Paquistão?
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E o Afeganistão? Ah, esse é um barril de pólvora com estopim nas mãos de milicianos radicais chefiados pelo mulá Omar. Omar é um aliado da Al Kaeda, protetor de Osama Bin Laden. Conhecedor das vastas montanhas daquelas áreas desertas e suas grutas secretas onde se enconde com Bin Laden, Omar oprime seu povo, impondo-lhe um restrições absolutas e absurdas, como por exemplo, proibir as mulheres de frequentar a escola. Direitos humanos?, ah, isso ali é coisa de "ímpios", "deformados morais" e outros adjetivos semelhantes.Ninguém sabe como a parte da população subjugada pelo Taleban reagirá quando tiver oprotunidade de manifestar suas aspirações. Também não se pode avaliar a reação da outra parte do Afeganistão, dominada por líder aliado das potências ocidentais.
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Dessa forma, não é só a Arábia e a África do Norte que estão em reboliço. Boa parte da Asia também é um caldeirão fervente. Já vimos a China e a Índia,  mas não esquecemos a Coréia do Norte. Nem o Irã, do tresloucado Ahmadinejad. São países governados por regimes estremistas, de difícil relacionamento internacional. Para onde iremos nessa sucessão de incertezas? E se sairmos da África, da Asia e da Arábia e mergulharmos na América do Sul. A Venezuela, de Hugo Chaves, e a Bolívia, de Evo Morales, enfrentam problemas semelhantes, instigados pelos Estados Unidos na sua política de considerar essa região do mundo como seu quintal. Na Bolívia, a classe média não aceita perder uma migalha dos seus privilégios e permitir uma reforma que dê acesso à saúde a uma parcela da população empobrecida do País dividido por interesses diversos com viés separatistas. Igualmente, Hugo Chaves enfrenta problemas em virtude de suas particularidades ideológicas e suas intenções de difundir essas idéias pelo Continente. Mas os Estados Unidos são o xerife do mundo, e responsáveis diretos por essa onda de rebeliões que acontece no mundo intewiro. Difícil fazer uma radiografia de alta definição do cenário político mundial de hoje!

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