NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

          CHUVAS  INTENSAS NA RMR
A Região Metropolitana do Recife continua sob chuvas intensas. A mobilidade da cidade está fortemente prejudicada pelos alagamentos que se formam nas partes mais baixas das cidades, principalmente do Recife. O trânsito da cidade apresenta grande lentidão nas ruas principais do centro e as pessoas têm dificuldades de se locomoverem de suas casas para seus locais de trabalho, escolas, hospitais, etc. Nas áreas perto de canais a coisa fica mais complicada. Sem poderem correr por valas insanamente  entupidas por moradias não planejadas que ocupam a maior parte do leito dos canais, as águas das chuvas se espraiam para lugares menos nivelados, invadem ruas, estradas e avenidas vitais para o escoamento do trânsito. A frota de veículos perde velocidade, e o resultado de tudo isso é um grande prejuizo econômico para a cidade, para os cidadãos que precisam trabalhar e para os proprietários de veículos que quebram na buraqueira escondida sob as águas. Nem a frota de ônibus consegue trafegar regularmente. As empresas concessionárias do serviço público de transporte coletivo sofrem com a queda na arrecadação, pois os alagamentos reduzem o número de viagens progrmadas para os ônibus retendo os veículos e os trabalhadores que precisam desse meio de transporte ficam pelo meio do caminho, não chegam ao trabalho nem conseguem voltar para casa. Cidade ao nível do mar,  de piso impermeablizado em grandes extensões e de esgotamento fluvial precário (construído há várias décadas, exceto os das avenidas mais recentes), Recife parace não ter solução para os seus problemas de alagamentos por ocasião das grandes chuvas.
É desolador para o cidadão recifense o panorma que se descortina à sua frente diante de chuvas de maior potencial pluviométrico. Problemas que se repetem há dezenas de anos a desafiarem a capacidade dos governantes da cidade.Mais desolador fica, quando esse cidadão sabe que cidades com piso abaixo do nível do mar, como a maioria das cidades holandesas, dominaram as enchentes, não têm alagamentos, mas sim uma  vida econômica altamente produtiva, sem problemas de retenção de trânsito, sem atrasos nos orários de trabalho. Por que isso acontece?  Essa pergunta pode ser formulada aos prefeitos de toda a RMR, mas notadamente aos do Recife, de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Cabo de Santo Agostinho. Nessas cidades, aproximadamente 60% da população vive em morros, ocupam encostas ou barreiras escavadas nesses declives. A falta de planejament urbano, o descaso com a população mais pobre (exatamente a parte dos trabalhadores que mais contribuiram para a construção das cidades), o uso político da miséria como moeda de compra de voto e a irresponsabilidade dos setores técnicos dessas administrações é o resultado de tudo isso que está ai à vista de todos.
Há mais de 7 décadas, quando se permitiu a ocupação desordenada dos alagados da RMR e dos morros da região, esse problema é recorrente. A grande leva de retirantes da seca e da fome em virtude da queda de produtividade da cana-de-açúcar na zona da mata e de mudanças significativas na forma do cultivo da mesma que chegou ao Reife e se espalhou pelos municípios vizinhos não teve a atenção devida das autoridades urbanas. Pernitiram que a ocupação desordenada se fizesse e se consolidasse, e hoje é difícil lidar com os graves problemas que acometem as cidades da RMR por casião das chuvas.
Faltou boa vontade, seriedade e sensibilidade para  com os segmentos mais pobres dos trabalhares nessa região, e a falta de planejamento criou essas "monstruosidades" sociais que hoje exigem organização e mobilização de órgãos como Defesa Civil que consomem recursos que poderiam ser utilizados para manutenção, conservação e melhorias de canais, de conjuntos populares não construídos, de instalação de uma rede de proteção social decente e duradoura. Ainda há tempo; se os gestores do passado, as mesmas pessoas que hoje reclamam das precárias condições viárias, sanitárias e de segurança social das cidades não tiveram essa sensibilidade, cabe aos atuais edis, com o apoio dos governos do Estado e do País, começarem o replanejamento das suas cidades e torná-las capazes de oferecer aos seus cidadãos um pouco de tranquilidade e de dignidade. O que não pode é continuarmos a assistir esses espetáculo degradante de cidades paralizadas por alagamentos, deslizamentos de barreiras, mortes desnecessárias porque previsíveis e cidadãos trabalhadores envergonhados por serem filhos de uma terra tão próspera e bela como é o nosso Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário