OS BASTIDORES DA GUERRA INSURGENTE
As relações políticas e diplomáticas dos Estados Unidos com o Paquistão andam um tanto quanto nebulosas. As notas oficiais das autoridades dos dois países não batem com a realidade dos fatos que transpiram do noticiário divulgado pelas agências internacionais. A reação do governo paquistanês à invasão do seu território na operação que eliminou Osama Bin Laden indicam que há um clima tenso entre os dois países. Alto funcionário paquistanês cancela viagem que faria aos Estados Unidos e as palavras do 1º ministro suscitam dúvidas quanto ao"entendimento mútuo" que tenta passar o Departamento de Estado norte-americano. O que freia o ímpeto da reação paquistanesa são os bilhões de dólares entregues anualmente por Washington para manter a segurança daquele País. Os atentados desta 6ª-feira, destruindo instalações militares e ceifando vidas paquistanesas foram perpetrados pela milícia Taleban do mulá Omar, cujas ações de guerrilhas são tão fortes no Paquistão quanto no Afeganistão. O Taleban é aliado da Al-Qaeda e o mulá é o eventual comandante das operações conjuntas dos dois países contra alvos pró-ocidentais.E porta-voz da milícia afirmou que a reação contra a morte de Bin Laden "está apenas começando".
Os fatos mostram que o movimento insurgente de cunho político-religioso criado por Bin Laden está latente não só entre grandes parcelas da população do Afeganistão como em apreciáveis parcelas do povo paquistanês. Não há, a rigor, um controle do governo paquistanês sobre as atividades políticas e ações insurgentes da Al-Qaeda como do Taleban em seu território. O governo do Afeganistão, por sua vez, não contém os grupos milicianos que agem nas montanhas e nas cidades. E o fluxo de insurgentes entre as fronteiras dos dois países indica que o controle sobre eles vai ficando cada vez mais difícil. Não é exagero afirmar que os exércitos dos dois países não serão capazes de barrar esse fluxo. E com a saída anunciada de tropas americanas do Afeganistão tudo leva a crer que as fronteiras entre os dois países irão se fechando de tal forma a ponto de Al-Qaeda e Taleban formarem grupos unidos que podem resultar numa possível fusão dos dois países. Para evitar que isso aconteça será necessário que os Estados Unidos e seus aliados europeus levam a efeito uma ação militar em larga escala, o que resultaria em reação das milícias e mais carga do Ocidente. Em suma, uma guerra de grandes proporções que visaria eliminar o Taleban e os focos locais da Al-Qaeda. Não esquecer que o Paquistão tem bomba atômica. Noutro artigo comentaremos as implicações disso nos outros países dessa parte da Ásia, principalmente do Oriente Médio e parte da África.
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