LEMBRANÇAS QUE NÃO PRECISAM LEMBRAR
Noites frias de um inverno
mesclado com calor de verão diurno propiciam a oportunidade de divagar sobre o
passado. E pela cabeça de um oitentão saudosista de tempos e coisas que não
voltam mais passam lembranças as mais diversas. Nos sonhos da velhice de um
menino do mato desfilam como num filme
episódios díspares, que vão de cheiro de mel e de animais, de canaviais e cafezais; visão de rios, lagos; cachoeiras,
antas, jacarés e capivaras, cobras d’água e galinhas na capoeira. Carro-de-boi
cantando na derrapada do terreno, casa grande, engenho, infância. E não faltam as recordações de amores, vividos em várias fases da vida, não apenas
na infância. Amores que duraram um dia, outros nem isso. Amores de menino e
amores de homem maduro. Aqueles que foram um encanto, outros, desencantos; os
que deram certo e os que foram sem nunca terem sido. Escolhas feitas, vivências
sofridas; passos errados e passos não dados. Esperanças, destemperos,
desilusões. Perdas irreparáveis e decisões necessárias. Tudo que ocorre na vida
de um mortal.
Maria Rita, Jaqueline, Maria
Eduarda, Gilda, Lúcia, alguns nomes que podem ser citados, e outros que o bom
senso recomenda não citar. Tudo num passado que vai do longe ao pouco distante,
se confundindo com um presente em que os elementos emotivos extrapolam o
imediatismo e mergulham numa síndrome de admiração, respeito, desejo de querer estar presente na
imaginação sem precisar estar perto fisicamente.
Menino, engenho, onça, jacaré,
capivara. E a coragem de não falar muito para não comprometer.
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