NOS TEMPOS DE MINHA AVÓ
Um homem da floresta
descia a montanha de pedra quando encontrou um cientista inglês que pesquisava borboletas. Calçando uma bota
de cano longo e vestindo roupa de couro e luvas de borracha, além de portar
atlas e apetrechos de ofício, o sábio se
pôs a conversar com o pobre homem protegido apenas por um calção de fibras
silvestres. Por mais que se esforçasse para explicar seu interesse pelas
borboletas, o sábio estrangeiro não se fazia entender. Então ele foi dizendo ao
seu pobre interlocutor que era um
cientista, formado e que convivia com outros sábios, e que eram todos intelectuais.
Precisando
ir ao rio pescar o peixe para o jantar daquele tarde e o almoço dos dias seguintes, o homem quase nu caminhou para o vale. Um matuto
que o vira conversando com aquela figura estranha perguntou-lhe quem ele era.
-É um
intelectual
-Que é um
intelectual?, indagou assustado.
-É um
sujeito besta que pensa que sabe tudo.
(Lembrando “sá” Maria do Rosário,
minha vó paterna).
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