NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 29 de novembro de 2014

AINDA O CAIS JOSÉ ESTELITA
A história da Rua de Jangada e da Gameleira não se encontra descrita em nenhum compêndio de história. Consultamos historiadores, sociólogos e urbanistas do Recife e constatamos que só alguns  deles "ouviram falar". Quase todos ignoram que existiram esses povoados bem ali  pertinho do centro do Recife. Vivia-se na década de quarenta o fantasma da II Guerra Mundial. A preocupação das autoridades era a preparação para a defesa da cidade; todo esforço da região estava concentrado no estado de guerra. Faltavam alimentos, combustíveis, transportes, vida noturna. A cidade vivia às escuras pois se temia um ataque aéreo alemão a qualquer hora da noite ou pela madrugada. O carnaval  era realizado  durante o dia, pois não havia iluminação. Nada disso foi registrado, não havia liberdade para descrever o que acontecia na cidade. Não há registros dos grandes incêndios que destruíram parte da Rua de Jangada nem dos planos maquiavélicos para erradicar a Gameleira, onde vivia Cícero Brabo, uma das figuras mais importantes do mundo da marginalidade da cidade na época.

A pretexto de se instalar ali um matadouro, aproveitou-se um incêndio que dizimou a cidadela da Gameleira, se expulsou do local quem ali morava. Havia sim um matadouro ali na Cabanga. Ficava no terreno hoje ocupado pelo quartel do Exército que ali funciona. Mas o matadouro durou pouco. Fora mero pretexto para aterrar a área, dragando a maré. A terra foi depois entregue ao grupo Othon Bezerra  de Melo, que construiu um conjunto habitacional para seus trabalhadores.  Se você não leu nada a esse respeito, então não conhece a história da Colônia Z1 de Pescadores, cuja sede - um prédio de várias salas onde os pescadores se reuniam para discutirem seus problemas,  se divertirem em seus programas dançantes, fazerem a partilha do dinheiro da pesca oficial, já que a pesca informal, de maior porte, era patrocinada por ricos proprietários de barcos e grupos de jangadas  que controlavam a  distribuição do pescado pagando ali mesmo na praiinha o que cabia a cada pescador. A política social de Agamenon Magalhães, através do Serviço Social Contra o Mocambo (SSCM) criado pelo interventor para impedir a presença de moradias de pessoas pobres nas imediações da Cidade, funcionava como um funil. Só alguns tiveram acesso às casas construídas pelo SSCM, a maioria foi empurrada para os morros. A intenção de Agamenon era empurrar os retirantes da seca de volta para o interior, mas como fazer isso, se lá não existia alimentos, sequer água? Milhares de pessoas foram se abrigar em mangues do Pina, criando as favelas do Bode e do Jangadeiro. Ou se instalaram no areal onde hoje fica Brasília Teimosa ou no Coque, que era na verdade três ou quatros favelas diferentes. Essa política de exclusão está implícita no programa Novo Recife. Voltaremos ao assunto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

      CAIS  JOSÉ  ESTELITA
MAIS UMA JOGADA  DAS ELITES
O  mini documentário CIDADE ROUBADA recém-lançado na internet pelo Movimento Ocupa Estelita é apenas um retrato tímido do que realmente está por trás do projeto Novo Recife, de iniciativa das grandes empreiteiras  e chancelado pela prefeitura do Recife. Os líderes desse movimento talvez ignorem as atrocidades  já praticadas  nas imediações do Estelita pelo poder público e por grupos empresariais contra as famílias de pouca renda da cidade do Recife. A Rua de Jangada e a Gameleira eram povoados de pescadores, trabalhadores avulsos, biscateiros, retirantes da seca que calcinou  a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão de Pernambuco e do Nordeste a partir da década de 30. A Rua de Jangada tinha segmentos de pescadores, intermediários da venda dos produtos da  pesca, trabalhadores especializados e resíduos de um sítio histórico oriundo de algum baronato que ali existiu. A Gameleira era um povoado que existia entre a usina do saneamento da Cabanga  e os limites da linha do trem, puxando para a beira da maré. Eram milhares de pessoas que fugiram da seca e se localizaram em beira de mangue e alagados onde encontravam  mariscos e siris que lhes matavam a fome. Aproveitando o estado de emergência então  vigente na Capital devido a II Guerra, terras públicas foram fraudulentamente encampadas por particulares influentes, que se encarregaram de expulsar de suas casas todas as famílias que habitavam a área.

O projeto Novo Recife não é diferente. Reedita as mesmas práticas fraudulentas realizadas na área na década de quarenta. O objetivo do projeto é ampliar os espaços para as elites viverem ainda com mais conforto e bem distante da plebe. Na visão das elites, inclusive desse segmento besta que só cresceu nos últimos dez anos por conta dos programas sociais do governo, pobre só serve para ser porteiro, arrumadeira, cozinheiro, lavadeira, etc. Pois é, mais uma vez  as elites invadem uma grande área pública para implantar projetos que só interessam às empreiteiras e  aos segmentos mais ricos da população. A prefeitura do Recife não poderia ter vendido (se é que realmente vendeu) o terreno do antigo Chupa. Aquilo ali é área público, formada por aterro por dragagem de áreas de mangues e alagados financiada pela União. O Novo Recife é uma violentação do principio do uso público de áreas públicas. Astutamente, idealizadores do Novo Recife procuram pessoas inocentes lá do Coque e adjacências  para alardearem que o projeto abrirá muitos empregos. Isso só ocorrerá na fase da construção civil; depois, os trabalhadores serão dispensados. Moradores do Coque, que se acautelem. Depois do Novo Recife, virão novas edições do programa e  o Coque poderá ser transformado em  eixos marginais, grandes e largas avenidas em meio a espigões onde só terá vez quem for elite. Nenhuma ZEIS suportará o rolo compressor do capitalismo  desumano sedento de lucros.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

PRECISAMOS CONHECER A FORÇA DOS MUNICÍPIOS
Os municípios são as células  que dão forma e consistência a Nação. É das comunidades que surgem os projetos estruturadores  dos estados  que conforme a força produtiva dos seus municípios,  podem ser grandes ou pequenos do ponto de vista econômico, político e social. E os estados, como entes federativos, tornam um País pujante ou medíocre. É nos municípios onde se criam a força de trabalho e os centros de tomadas de decisão. Pois é da articulação dos edis de uma região que surgem as decisões capazes de alavancar o desenvolvimento dessa região e influenciar definitivamente no melhoramento econômico e social  dos estados e do País.

Daí a atenção que se deve dar aos líderes políticos  dos municípios. Porque a administração da coisa pública começa primeiro nos municípios, o que equivale dizer que a qualidade dos líderes nacionais depende da capacitação dos líderes municipais. As eleições mais importantes, portanto, são as travadas no âmbito dos municípios. Maus vereadores serão maus deputados e péssimos legisladores. Maus prefeitos serão péssimos governadores ou presidentes. É nos municípios onde ocorrem as maiores falcatruas com o dinheiro público. Falta verba para a educação, para a saúde, para vigilância, entre outros. O dinheiro dotado para essas finalidades  escorre pelo ralo da corrupção. Vereadores formam cartéis que só permitem aprovar projetos do executivo se lhes for paga uma propina, um dinheirinho extra que não é contabilizado, não consta de nenhuma prestação de contas. Prefeitos agem da mesma forma.  Prefeitos lesam a eceita Federal, a Previdência Social , o FGTS, e outros órgãos de fiscalização e arrecadação e com suar artimanhas maquiavélicas  enganam os Tribunais de Contas. Ainda vai decorrer muito tempo até que o povo se conscientize dessa realidade. E comece a colocar o trem na linha.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

           DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Você têm os olhos azuis ou verdes? Seus cabelos são loiros? Então, você é da raça branca, aquela que aportou aqui no Brasil vindo da Europa. Não tenha tanta certeza disso! Algum ancestral seu foi um negro. Na senzala, os donos de escravos escolhiam as negras mais bonitas e as levavam para a cama. Os filhos dos senhores de engenho e homens de negócios com negras escravas ficavam na senzala.  As índias não escaparam ao apetite dos poderosos da época. E negras, índios e brancos se entregaram  numa sucessão interminável  de cruzamentos  que resultaram na formatação de uma raça mista a se espalhar pelo Brasil afora. Mas, essa história não teve nada romântica, como pretendeu insinuar mestre Gilberto Freyre em sua vasta  e admirável obra. Houve, com forte conotação   perversa, a tentativa de demonstração do pretenso espírito de superioridade de uma   raça. O estigma da escravidão perdura até aos nossos dias, quando a mulher negra é vista como símbolo de evocação sexual, é discriminada no trabalho e nas ruas. O homem negro também continua discriminado por uma sociedade pretensamente superior. Embora legalmente haja igualdade de condições para brancos e pretos, não é isso que acontece na prática. Há, há na verdade,  dois brasis, um dos "brancos" e outro dos pretos. As elites brasileiras têm uma enorme dívida moral, social e econômica para com a parte da sociedade de pele pigmentada de escuro.      

A discriminação contra os negros foi veladamente ferrenha a partir do fim da escravatura. Hoje, há um clima de hipocrisia reinando nas relações de grupos sociais que têm que conviver por força da sociedade que se formou com a miscigenação. Felizmente, grupos sociais reconhecem que fazem parte desse contexto racial e por conta desse reconhecimento procuram criar condições para a ascensão  social dos afro-descendentes. Mas isso, no âmbito geral, não foi dado por gentileza.   Foi conseguido com muita luta, sofrimento, derramamento de sangue   e sacrificio da própria vida de lideres daqueles que se rebelaram contra o trabalho escravo ou contra a perseguição imposta aos negros e seus descendentes pelos donos do poder. Quando dissemos que os brasileiros de olhos azuis ou verdes não tenham tanta certeza  de que são brancos, é porque nas veias de cada um deles corre o sangue que veio das senzalas, numa miscigenação ampla e irretorquível. Somos, todos os brasileiros, filhos dessa miscigenação que forma esse enorme e multicolorido painel  da Raça Brasileira.

Neste dia, referenciemos a figura de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra  a opressão dos escravos e lembremos nomes de brasileiros que deram continuidade a essa luta. Mais do que isso, relembremos nossos laços com a África e respeitemos os costumes dos nossos ancestrais, dando espaço para a manifestação de sua cultura ampla e difusa, não esquecendo que esse é um movimento em ascensão continua. Discriminação de raça, preconceito de cor  ou concepções religiosas  já são timbrados na lei como crime.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

FAXINANDO O BRASIL
O  Brasil passa por uma tempestade política, econômica e social. Por termos uma imprensa livre e instituições fortes estamos vendo serem desvendados escândalos nas três esferas do Poder, que em outras situações  seriam jogados para debaixo do tapete. A  sujeira é tamanha, que o tapete estufou e os podres ficaram à mostra. Temos uma Polícia federal que a tudo investiga, uma Controladoria Geral da União que manda investigar a todos.  Um Ministério Público atento e atuante. Nunca dantes se viu empreiteiros na cadeia, doleiros e lobistas terem suas vidas devassadas.  Mas tudo isso ainda é pouco em face do muito que se tem para investigar, passar pelas barras dos tribunais e  seus responsáveis terminarem atrás das grades. Tem que se quebrar o sigilo bancário e telefônico de presidentes, tesoureiros e líderes de todos os partidos. É indispensável investigar toda essa gente. Tem que se quebrar  a couraça que protege políticos de partidos das elites, como PSDB, PPS, DEM e todos os demais. É preciso apurar, e mostrar para o público, a bandalheira que foi  o apadrinhamento de banqueiros falidos no governo FHC, quando 51 bilhões de dólares foram dados a esses banqueiros, os bancos faliram e nenhum centavo foi devolvido aos cofres públicos;  desengavetar processos dessa época e publicar as maracutaias  praticadas por quadrilhas chefiadas  pela filha de  José Serra, então ministro do planejamento. Ela e a mulher de Daniel Dantas, abriram dezenas de empresas de fachadas no exterior para "lavar" o dinheiro que era desviado dos cofres públicos. Onde estão esses processos, abertos pelo MP na época, que FHC  silenciou? É um volume de dinheiro bem maior do que o desviado com o chamado escândalo da Petrobras. E ainda falta prestar contas do dinheiro  (coisa de 8 bilhões de dólares) disponibilizado pelo DIRD para despoluir  a represa Billings, que seria 4 vezes maior do que a Guarapiranga, mas que nem as autoridades paulistas sabem sua real extensão, que abrange três municípios da Grande São Paulo. Sem falar, que o dinheiro também serviria para sanear o rio Tietê. Foi recolhido pelo banco por falta de projetos com essa finalidade ou que destino tomou? E ainda falta investigar a Eletrobrás, a Portobras e o setor automobilístico.


Há um mar de lama correndo por baixo das instituições dos Três Poderes. Drenar  essa lama é passar o País a limpo, sem deixar  nada nem ninguém de fora. Não importa quem ficou rico com o dinheiro público, terá que devolver; pouco importa a que partido pertença quem faz parte dessa podridão, terá que ser investigado, julgado e punido. O Poder Executivo está sempre na mira, mas não se pode esconder a fedentina que indica podridão que vem dos porões do Legislativo e do Judiciário. No Legislativo, políticos derrotados nas últimas eleições não perdoam sua incapacidade de antever um resultado eleitoras, e como vingança tudo fazem para desestabilizar o governo. No Judiciário, juízes e ministros togados vendem sentenças e contribuem para a baderna se alastrar. No Supremo, ministro que gritava contra o desvio de verbas "que iriam beneficiar as criancinhas",  mora  no exterior, em ambiente paradisíaco cuja  casa tem  torneiras de ouro, puxadores e pegadores do mesmo metal precioso. Algo, casa e luxo, incompatível com os vencimentos que recebia do tesouro nacional. Não é pra passar o Brasil a limpo? Então, passemos o rodo em toda sujeira escondida atrás de fibras, papelão, lata ou ouro.

sábado, 15 de novembro de 2014


MENINA  MIMADA
Menina mimada, de voz sussurrante e sensual
Que gostas de fazer amigos e depois descartá-los
Que vives tua vida de gente fina, educada
E perdes teus dias nos desvãos dos sonhos.
Menina mimada, de vida sofrida por teimosia,
Que adoras trabalhar  esquecendo que trabalho
Se faz pra viver e não se vive pra ele.
Que adoras aventuras, ao sabor  do acaso.
Menina mimada, que vives da moda,
De perfumes,  roupas novas, bolsas e sapatos  altos,
Esqueces que a vida é boa de se viver
Quando as coisas mais simples  nos cercam.
Menina mimada, que quase tens o mundo aos teus pés,
Te tornaste rebelde  e queres impor tua vontade.
A vida, menina, é um tesouro que se pode desfrutar
Quando se vive  em contato com a natureza,
Sem se escravizar  aos costumes de hoje:
watshapp, haestag, instagran e outro meios
Apenas te afastam dos livros, da cultura que deve te alimentar.
Menina mimada, de tantos novos amigos, angariados cada dia,
De tanto valorizares esse teu preciosismo, desdenhar  das pessoas,
Acabarás sem amigos fiéis, isolada, sozinha.




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

UM PINGO DE HISTÓRIA
Estudou demais ficou doido. Era o que se ouvia dizer nos meus tempos de criança. Mas nem todo "doido" é louco de fato. Assim, é que me lembro de Zé da Lua, um homem  velho rústico que vivia quase nu, apenas uma calça que só trocava quando não podia mais usar. Filho de ex-escravos, jamais conheceu os pais. Ainda criança foi expulso da senzala onde nascera, pois falava muito, dizia coisas imperceptíveis para os iguais de infortúnio, mas bem entendidas pelo senhor de engenho. Quando chegamos ao engenho, ele já lá morava desde a infância. Não tinha tarefa fixa, pois ninguém confiava que fizesse alguma coisa. Todos os tomavam por louco. Morava numa choupana lá dentro do mato. Em seu barraco não faltava  alimentos levados por pessoas que o procuravam para ouvir preleções e previsões sobre o futuro. Nunca recebera um tostão como pagamento. Aliás, achava que dinheiro "era coisa do diabo". Quando em época de escassez, de seca, a comida dele ia da casa-grande. A ordem do administrador-geral, seu Sida - meu pai, era para que o negro velho, de dentes fortes e longos, tivesse a proteção e o respeito de todos. Zé da Lua, diziam os mais antigos, sempre se recusou a executar qualquer trabalho que lhe fosse imposto.
Diferentemente das histórias de zés da lua que tenho ouvido falar - puro conto da carochinha, o personagem que conheci  na minha infância era real, tinha funções fisiológicas e aptidões mentais e psicológicas. Sem nunca ter frequentado escola alguma, riscava no chão desenhos que só depois se veio a saber serem mapas de chuvas. Zé da Lua verberava contra o coronel - usineiro, os senhores de engenhos, os antigos capitães de campo, os controvertidos capitães do mato e até contra os administradores de engenhos. "É uma laia só", repetia sempre. Pois o homem analfabeto, negro e paupérrimo era mais do que um visionário, era um sábio. Advertiu que ia ter "uma tarde de escuro", e ninguém se ligou nele quando um eclipse total do sol em fins dos anos 30 transformou a tarde numa noite  profundamente escura, espantando os passarinhos que voavam às pressas para a mata., fez repicarem os sinos da matriz e levou as mulheres mais idosas a se ajoelharem e rezarem em altos brados esperando o fim do mundo. O Dr. Leopoldo, proprietário das terras onde meu pai trabalhava, apesar dos ataques de Zé da Lua aos poderosos da época, costumava  parar para ouvir Zé da Lua dissertar sobre a vida. Zé da Lua falava que "até 1900 viverás, mas não chegarás aos 2000". Zé da Lua Também afirmava, como numa  aparente contradição, que quando "os números se cruzarem será o fim de tudo". Só recentemente é que se pode avaliar a sabedoria do negro que costumava ficar sentado no lagedo observando o luar. O início desse século trouxe muitas dúvidas sobre o futuro da humanidade e em dezembro de 2012, só se falava no fim do mundo no dia 21. Na verdade, nessa data, os Maias comemoravam o fim de um ciclo de 5.200 anos de sua história. Comemorações que não se limitaram à América do Sul, mas também foram vistas na Austrália e outros países da Oceania, na  África  e Ásia. Uma catarse coletiva da Humanidade?


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

  UM OLHAR SOBRE AS COISAS
A vida vai caminhando de mansinho. Sem sustos nem pulos. A Natureza é pródiga. Oferece  calor, luz, ar, água, matas, frutos, raízes,  amêndoas, folhas, animais, montanhas geladas ou cobertas de densa vegetação. Grandezas  essas que nos servem de alimentos,  recompõem nossas energias, refrigeram nossos corpos, e tudo de graça.  A necessidade de abrigo levou o homem a construir casas. O aumento vertiginoso da população  exigiu a ampliação dos campos de produção  de alimentos e a formatação das comunidades, que foram se expandindo até formarem as cidades de hoje. A ciência, uma invenção  pensada pelos filósofos mais antigos, mudou de mão e foi se especializando. A tecnologia, uma ferramenta da ciência, criou condições para o aparecimento de uma multiplicidade de concepções ou invenções que melhoram a vida das pessoas, facilitando as comunicações, diminuindo as distâncias físicas e tornando a Via Láctea um espaço possivelmente navegável. Alimentos, livros, veículos, idéias... tudo  foi surgindo como num toque mágico.
Antoine Lavoisier , um sábio francês, afirmou, todavia, que "Na Natureza nada se cria, tudo se copia,  nada se perde, tudo se transforma". O mérito dessa afirmação põe em xeque o orgulho intelectual do homem, que acha que tudo pode.  As leis naturais, que a tudo presidem, atuam com eficácia na condução dos fatos físicos, químicos  e biológicos. Quando o homem tenta mudar essa lógica se dá muito mal. Agride a Natureza, que reage de forma avassaladora. Os acontecimentos meteorológicos de hoje e de sempre e os fenômenos que têm acometido a raça humana atestam isso; dão nota positiva a Lavoisier. As mazelas morais que vitimam a sociedade são um efeito desse princípio. Ao tentar imitar a Natureza, o homem, vaidoso e orgulhoso, a coloca contra si. Todas as culturas conhecidas reverenciam a Natureza; o homem, de espírito conservador, mas acima de tudo astuto e concentrador, quer imitar a Natureza que o criou.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LITERATURA DE CORDEL
         (JOÃO GRILO)
            
João Grilo foi um cristão      
Que nasceu antes do dia
E morreu depois da hora
Pelas artes que fazia
Nasceu de sete mês
Chorou no bucho da mãe
Quando ela pegou um gato
Ele gritou: não me arranhe
Não jogue nesse animal

Que você talvez não ganhe
João Grilo foi à escola
Com sete anos de idade
Com nove ele saiu
Passava quinão nos mestres
Era uma temeridade
Chamava todos a atenção
             ......
Um dia a mãe de João Grilo
Foi buscar água a tardinha
Chegou um padre pedindo água
Nessa ocasião não tinha
João Grilo disse: "só tem garapa"
O padre perguntou de "onde é"
João Grilo respondeu logo: 
"É do engenho Catolé"
O padre bebeu e disse: "que garapa boa"
João Grilo respondeu:
"beba mais seu padre, não precisa acanhamento,
Essa coité seu vigário é de mamãe mijar dentro".
 (Compilação; ficamos devendo nome do autor, que publicou o folheto nos anos 40)

NOS  TEMPOS DA MINHA INFÂNCIA
Sou do tempo do cangaço, de Antônio Silvino e Lampião
Dos engenhos de açúcar  e das usinas dos coronéis
Das matas, onde as guaribas espantavam os viajantes
Dos bandos de capivaras , das onças, lontras e jacarés
Quando canários e rolinhas em revoadas inebriantes
Iam comer o abundante alpiste nos campos abertos do lagedo
Sou dos tempos antigos  do bonde, do barulhento trem Maria Farinha
Que me levavam até  Maceió, passando por Palmares...
Sou dos bons  tempos de antanho, dos exóticos  hidroaviões
Descendo na bacia do pina; da época  do zepelim
Pousando acorrentado no campo do Jiquiá
Sou dos tempos do malassmbro, do zamurim e do papafigo
Da mula sem cabeça e  da porca dos cem porquinhos
Sou dos tempos dos mascates e do amolador de tesoura
Do algodão doce e do pirulito, do sorvete raspa-raspa
De mel de essências cozido servido em taças ou copos
Sou dos  bons tempos do samba, gravado nos bolachões
Discos com uma música em cada lado   quando se trocava a agulha
Para mudar de faixa; do auto falante corneta e passa-discos ruidosos
Enfim, sou dos tempos em que as vovós mandavam e desmandavam
E  de tudo, que  tão belo, parecia um real conto de fada.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

TRÂNSITO, MOBILIDADE, DESORDEM
Andar de carro por qualquer via do Recife e do núcleo central da Região Metropolitana do Recife (RMR) é um  exercício de paciência e um teste de educação. Se você precisa chegar ao trabalho, ao supermercado,  à escola, ao consultório ou hospital  na RMR saia de casa com antecedência de algumas horas. Em alguns casos, e em determinados horários, você gasta mais tempo na viagem do que no seu expediente ou local de atendimento. A cidade estreitou - e  vai se estreitando a cada dia  em face  do grande número de carros particulares  circulando  nas artérias  do entorno Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda. A situação das pistas de rolamento também não ajuda.


Para piorar a situação, motoristas mal educados  desrespeitam até as minimamente aceitáveis leis de trânsito. Dirigem em alta velocidade, fazem ultrapassagens arriscadas, inclusive pelo acostamento que usam como se fossem faixa de rolamento. O aperto no trânsito incomoda as pessoas, prejudica a mobilidade urbana e demonstra a incapacidade dos gestores municipais e estaduais para aplicarem  os dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro. Leis mais duras, que doam no bolso dos condutores mais recalcitrantes farão que eles pensem um pouco antes de praticarem as loucuras que fazem no trânsito, e até recordem os princípios básicos de ética ou da simples educação doméstica que provavelmente aprenderam na escola ou no lar. O que não pode é continuar essa desordem que a todos prejudica.

sábado, 1 de novembro de 2014


                              TRIMESTRE DE RELIGIOSIDADE

O calendário religioso desse último trimestre do ano apresenta, como sempre soe acontecer,  opções para todos os gostos e crenças. Em outubro, tivemos manifestações religiosas e culturais ligadas aos cultos indígenas de matriz africana, aos cultos afro-brasileiros e aos cultos evangélicos de muitas denominações. Em novembro, que hoje se inicia, ocorrem as seculares manifestações católicas do Dia de Todos os Santos, que antecede o Dia de Finados, no dia dois. Dia dois, de romarias à Juazeiro do Norte para homenagens ao padre Cícero. Nesses primeiros dois meses do semestre, também houve manifestações dos espíritas, uma legião que não tem culto e mistura ciência com religião. Até o fim do ano, teremos outros movimentos religiosos que culminarão com as festividades do Nata. Essa diversidade cultural é importante para a manutenção da Paz, pois a inexistência da religião única ou de um Estado Teocrático representa a certeza de um clima de liberdade no Ocidente, uma unidade social  dentro da multiplicidade de opões.

Boa noite.