NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

           DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Você têm os olhos azuis ou verdes? Seus cabelos são loiros? Então, você é da raça branca, aquela que aportou aqui no Brasil vindo da Europa. Não tenha tanta certeza disso! Algum ancestral seu foi um negro. Na senzala, os donos de escravos escolhiam as negras mais bonitas e as levavam para a cama. Os filhos dos senhores de engenho e homens de negócios com negras escravas ficavam na senzala.  As índias não escaparam ao apetite dos poderosos da época. E negras, índios e brancos se entregaram  numa sucessão interminável  de cruzamentos  que resultaram na formatação de uma raça mista a se espalhar pelo Brasil afora. Mas, essa história não teve nada romântica, como pretendeu insinuar mestre Gilberto Freyre em sua vasta  e admirável obra. Houve, com forte conotação   perversa, a tentativa de demonstração do pretenso espírito de superioridade de uma   raça. O estigma da escravidão perdura até aos nossos dias, quando a mulher negra é vista como símbolo de evocação sexual, é discriminada no trabalho e nas ruas. O homem negro também continua discriminado por uma sociedade pretensamente superior. Embora legalmente haja igualdade de condições para brancos e pretos, não é isso que acontece na prática. Há, há na verdade,  dois brasis, um dos "brancos" e outro dos pretos. As elites brasileiras têm uma enorme dívida moral, social e econômica para com a parte da sociedade de pele pigmentada de escuro.      

A discriminação contra os negros foi veladamente ferrenha a partir do fim da escravatura. Hoje, há um clima de hipocrisia reinando nas relações de grupos sociais que têm que conviver por força da sociedade que se formou com a miscigenação. Felizmente, grupos sociais reconhecem que fazem parte desse contexto racial e por conta desse reconhecimento procuram criar condições para a ascensão  social dos afro-descendentes. Mas isso, no âmbito geral, não foi dado por gentileza.   Foi conseguido com muita luta, sofrimento, derramamento de sangue   e sacrificio da própria vida de lideres daqueles que se rebelaram contra o trabalho escravo ou contra a perseguição imposta aos negros e seus descendentes pelos donos do poder. Quando dissemos que os brasileiros de olhos azuis ou verdes não tenham tanta certeza  de que são brancos, é porque nas veias de cada um deles corre o sangue que veio das senzalas, numa miscigenação ampla e irretorquível. Somos, todos os brasileiros, filhos dessa miscigenação que forma esse enorme e multicolorido painel  da Raça Brasileira.

Neste dia, referenciemos a figura de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra  a opressão dos escravos e lembremos nomes de brasileiros que deram continuidade a essa luta. Mais do que isso, relembremos nossos laços com a África e respeitemos os costumes dos nossos ancestrais, dando espaço para a manifestação de sua cultura ampla e difusa, não esquecendo que esse é um movimento em ascensão continua. Discriminação de raça, preconceito de cor  ou concepções religiosas  já são timbrados na lei como crime.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

Nenhum comentário:

Postar um comentário