UM OLHAR SOBRE AS COISAS
A vida vai caminhando
de mansinho. Sem sustos nem pulos. A Natureza é pródiga. Oferece calor, luz, ar, água, matas, frutos, raízes, amêndoas, folhas, animais, montanhas geladas ou
cobertas de densa vegetação. Grandezas
essas que nos servem de alimentos, recompõem nossas energias, refrigeram nossos
corpos, e tudo de graça. A necessidade
de abrigo levou o homem a construir casas. O aumento vertiginoso da
população exigiu a ampliação dos campos
de produção de alimentos e a formatação
das comunidades, que foram se expandindo até formarem as cidades de hoje. A ciência,
uma invenção pensada pelos filósofos
mais antigos, mudou de mão e foi se especializando. A tecnologia, uma
ferramenta da ciência, criou condições para o aparecimento de uma
multiplicidade de concepções ou invenções
que melhoram a vida das pessoas, facilitando as comunicações, diminuindo as
distâncias físicas e tornando a Via Láctea um espaço possivelmente navegável. Alimentos,
livros, veículos, idéias... tudo foi
surgindo como num toque mágico.
Antoine Lavoisier , um
sábio francês, afirmou, todavia, que "Na Natureza nada se cria, tudo se
copia, nada se perde, tudo se
transforma". O mérito dessa afirmação põe em xeque o orgulho intelectual
do homem, que acha que tudo pode. As
leis naturais, que a tudo presidem, atuam com eficácia na condução dos fatos
físicos, químicos e biológicos. Quando o
homem tenta mudar essa lógica se dá muito mal. Agride a Natureza, que reage de
forma avassaladora. Os acontecimentos meteorológicos de hoje e de sempre e os
fenômenos que têm acometido a raça humana atestam isso; dão nota positiva a
Lavoisier. As mazelas morais que vitimam a sociedade são um efeito desse
princípio. Ao tentar imitar a Natureza, o homem, vaidoso e orgulhoso, a coloca
contra si. Todas as culturas conhecidas reverenciam a Natureza; o homem, de
espírito conservador, mas acima de tudo astuto e concentrador, quer imitar a
Natureza que o criou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário