NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

NOS  TEMPOS DA MINHA INFÂNCIA
Sou do tempo do cangaço, de Antônio Silvino e Lampião
Dos engenhos de açúcar  e das usinas dos coronéis
Das matas, onde as guaribas espantavam os viajantes
Dos bandos de capivaras , das onças, lontras e jacarés
Quando canários e rolinhas em revoadas inebriantes
Iam comer o abundante alpiste nos campos abertos do lagedo
Sou dos tempos antigos  do bonde, do barulhento trem Maria Farinha
Que me levavam até  Maceió, passando por Palmares...
Sou dos bons  tempos de antanho, dos exóticos  hidroaviões
Descendo na bacia do pina; da época  do zepelim
Pousando acorrentado no campo do Jiquiá
Sou dos tempos do malassmbro, do zamurim e do papafigo
Da mula sem cabeça e  da porca dos cem porquinhos
Sou dos tempos dos mascates e do amolador de tesoura
Do algodão doce e do pirulito, do sorvete raspa-raspa
De mel de essências cozido servido em taças ou copos
Sou dos  bons tempos do samba, gravado nos bolachões
Discos com uma música em cada lado   quando se trocava a agulha
Para mudar de faixa; do auto falante corneta e passa-discos ruidosos
Enfim, sou dos tempos em que as vovós mandavam e desmandavam
E  de tudo, que  tão belo, parecia um real conto de fada.



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