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NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

      CAIS  JOSÉ  ESTELITA
MAIS UMA JOGADA  DAS ELITES
O  mini documentário CIDADE ROUBADA recém-lançado na internet pelo Movimento Ocupa Estelita é apenas um retrato tímido do que realmente está por trás do projeto Novo Recife, de iniciativa das grandes empreiteiras  e chancelado pela prefeitura do Recife. Os líderes desse movimento talvez ignorem as atrocidades  já praticadas  nas imediações do Estelita pelo poder público e por grupos empresariais contra as famílias de pouca renda da cidade do Recife. A Rua de Jangada e a Gameleira eram povoados de pescadores, trabalhadores avulsos, biscateiros, retirantes da seca que calcinou  a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão de Pernambuco e do Nordeste a partir da década de 30. A Rua de Jangada tinha segmentos de pescadores, intermediários da venda dos produtos da  pesca, trabalhadores especializados e resíduos de um sítio histórico oriundo de algum baronato que ali existiu. A Gameleira era um povoado que existia entre a usina do saneamento da Cabanga  e os limites da linha do trem, puxando para a beira da maré. Eram milhares de pessoas que fugiram da seca e se localizaram em beira de mangue e alagados onde encontravam  mariscos e siris que lhes matavam a fome. Aproveitando o estado de emergência então  vigente na Capital devido a II Guerra, terras públicas foram fraudulentamente encampadas por particulares influentes, que se encarregaram de expulsar de suas casas todas as famílias que habitavam a área.

O projeto Novo Recife não é diferente. Reedita as mesmas práticas fraudulentas realizadas na área na década de quarenta. O objetivo do projeto é ampliar os espaços para as elites viverem ainda com mais conforto e bem distante da plebe. Na visão das elites, inclusive desse segmento besta que só cresceu nos últimos dez anos por conta dos programas sociais do governo, pobre só serve para ser porteiro, arrumadeira, cozinheiro, lavadeira, etc. Pois é, mais uma vez  as elites invadem uma grande área pública para implantar projetos que só interessam às empreiteiras e  aos segmentos mais ricos da população. A prefeitura do Recife não poderia ter vendido (se é que realmente vendeu) o terreno do antigo Chupa. Aquilo ali é área público, formada por aterro por dragagem de áreas de mangues e alagados financiada pela União. O Novo Recife é uma violentação do principio do uso público de áreas públicas. Astutamente, idealizadores do Novo Recife procuram pessoas inocentes lá do Coque e adjacências  para alardearem que o projeto abrirá muitos empregos. Isso só ocorrerá na fase da construção civil; depois, os trabalhadores serão dispensados. Moradores do Coque, que se acautelem. Depois do Novo Recife, virão novas edições do programa e  o Coque poderá ser transformado em  eixos marginais, grandes e largas avenidas em meio a espigões onde só terá vez quem for elite. Nenhuma ZEIS suportará o rolo compressor do capitalismo  desumano sedento de lucros.

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