NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 28 de novembro de 2010

       O   RIO DE JANEIRO  É  AQUI
                                  QUE PAÍS ESTAMOS CONSTRUINDO?


A guerra civil travada atualmente no Rio de Janeiro não é um fato isolado. Guerras entre o Poder Constituído e a bandidagem ocorre nas principais cidades brasileiras. Os bandidos não têm limites. Não faz muito puseram em polvorosa a autoridade constituída de São Paulo. No Espírito Santo a bandidagem manda e desmanda. E No Recife? Caixas eletrônicos explodidos no silêncio da noite; roubos de bancos à luz do dia a desafiar a autoridade e atemorizar a sociedade.

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No Rio, é cenário de guerra declarada. Tropas militares nas ruas, apoiadas por tanques e orientadas por uma logística que inclui o concurso da aeronáutica com seus helicópteros dando apoio às ações em terra. Há 50 anos o Rio era a capital da República. Reunia a fina flor da sociedade brasileira, o cerne da administração nacional, a diplomacia dos países amigos, as instituições mais importantes da República. Hoje, o Rio é uma praça de guerra. Onde ninguém anda sem receio de ser atingido por uma bala perdida ou abordado por um marginal a pé ou montado numa motor. Sofrer um arrastão é coisa corriqueira para a população carioca.

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Aqui no Recife, o cidadão não pode sair à noite e ficar conversando com os amigos na esquina de sua rua. Alguém que mora nas URs-Ibura e adjacências experimente andar depois das 18 horas no trecho entre a linha férrea e a Br 101. Ou descer a rampa que liga a UR-11 à Vila das Aeromoças.Ou percorrer o corredor que vai da Rua Maria Irene no Jordão até ao Ibura de Baixo nesse mesmo horário. Senão, um aventureiro tente andar pela Avenida Recife, de um extremo a outro ou no trecho entre a Estância e o Aeroporto. Alguém já experimentou subir a ladeira do morro do Cuscuz? Isso só pra citar lugares mais próximos entre si e dentro de um perímetro limitado.

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Em qualquer rua, praça, beco ou lugar dos subúrbios das principais cidades da Região Metropolitana do Recife, a qualquer hora do dia ou da noite, você pode topar com um grupo de jovens usando drogas. A preferência é pelo crack, que embora tenho o mais devastador efeito sobre o organismo humano, é a mais barata das drogas. Em qualquer pelada, seja lá onde for, jovens fumam crack ou maconha. E no meio deles, o traficante distribuindo o "produto" para quem queira usar. Você sabe, eu sei... e as autoridades, será que não sabem?

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Eliminar as drogas passa pela eliminação dos traficantes? Há controvérsias. Enquanto houver usuários de drogas haverá fornecedor, traficantes nas várias escalas hierárquicas da "profissão". E enquanto houver quem produza as drogas haverá traficante e consumidor. E ai, como fica? Destruir as fontes de produção das drogas causará desemprego generalizado e fome nas regiões onde elas ocupam grande volume de mão-de-obra. Por outro lado, os maiores consumidores de drogas estão nos Estados Unidos e na Europa. Combater usuários de drogas descamisados e descalços é uma coisa; combater viciados ricos, como a classe média americana e européia é outra coisa bem diferente.

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Então, vamos esperar que as outras cidades brasileiras se transformem em redutos dominados pelo tráfico como o Rio de Janeiro? Que fazer? Que País queremos para os nossos filhos? Que País é esse que estamos construindo? É bom lembrar aqui as palavras de Marcola. O bandido que se intelectualizou lendo clássicos gregos na prisão oferece a receita para resolver o problema. Em sua célebre entrevista, Marcola diz que o crime cresceu no vácuo deixado pelas autoridades constituídas do País; não levando as crianças cariocas para a escola, as autoridades as entregaram nas mãos dos traficantes, que as transformaram em bandidos. Esse processo de abandono de nossas crianças ainda estar em curso no País. Só no Rio de Janeiro existem cerca de 650 favelas. No Complexo do Alemão existem mais de 30 mil casas com uma população estimada de 200 mil pessoas. Por aqui, em menores proporções é verdade, caminhamos na mesma direção. É preciso estancar essa sangria de valores humanos deixando a ordem e desaguando na malandragem; dando mais atenção às nossas crianças e aos nossos adolescentes. Dando-lhes oportunidades de serem trabalhadores qualificados e cidadãos, ou entregando-os ao tráfico.

      

sábado, 27 de novembro de 2010

           PANORAMA NACIONAL EM FOCO
     GUERRA CIVIL NAS RUAS DO RIO DE JANEIRO
Não é de hoje que o Rio de Janeiro enfrenta graves inquietações sociais. A segurança da sociedade de há muito desapareceu da antiga capital da República. Governos diversos se sucederam na gestão do Estado, mas a segurança só era tratada de forma pontual. Na visita do Papa à cidade ou durante os jogos olímpicos ou outros eventos importantes as autoridades mobilizaram as forças policiais para manter um clima de ordem. Até parecia que um acordo de cooperação existia entre governo e bandidos. Mas a segurnça na velha cap chegou a uma de desespero nos últimos meses. A ocupação de algumas favelas, de  onde o governo expulsou grupos de traficantes e instalou as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) que passaram a ocupar o espaço antigamente dominado pelos bandidos. gerou uma reação, com a bandidagem levando o terrorismo às margens de outras comunidades ainda em poder dos bandidos.
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A consequência dessa reação foi o estabelecimento de um verdadeiro clima de guerra civil no Rio de Janeiro. Aliás, esse clima de guerra civil na Cidade Maravilhosa já era latente há bom tempo. As autoridades que não se importavam com essa situação vergonhosa para uma cidade que já foi capital da República e é o principal centro de atração turística do País.A mobilização da polícia assanhou a bandidagem; dos presídios, advogados e parentes de chefes de facçoes serviam de pmbo-correio para troca de mensagens com ordens de ação para os grupos escastelados nas grandes favelas cariosas. É bom lembrar que no Rio de Janeiro existe cerca de 650 favelas, isoladas ou agrupadas, com uma população colossal de milhões de habitantes..
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Marcola, famoso bandido que na cadeia se intelectualizou lendo clássicos gregos, declarou em uma entrevista que as autoridades cariocas desde décadas passadas se omitiram no ordenamento da cidade, abandonando as crianças ao tráfico já então bastante ativo, não pondo na escola e mantendo ocupado esse importante recurso humano, entregando-o  a bandidagem que os educou para o crime. "Naquele tempo era a época de cuidar das crianças, fazendo delas cidadãos; mas preferiram que se tornassem bandidos", pontua Marcola.
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Os arrastões, que se tornaram frequentes, levando terror aos habitantes da periferia, intensificou o trabalho da polícia. A reação não se fez esperar, e a bandidagem passou a transformar a cidade em palco de guerra, quieimando ônibus e outros veículos, atacando postos policiais, ordenando toque de recolher em algumas comunidades, agindo como Grupos Organizados. O temor de que pudessem ser expulsos de suas bases de ação levou os bandidos a intensificar suas  ações criminosas, e chegaram a ousadia de mandar um bilhete às autoridades dizendo que "com UPP não haveria Olimpíadas nem Copa do Mundo na Cidade". Consideravam-se assim tão fortes e organizados!
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Esse poder e essa organização da bandidaem no Rio de Janeiro revelaram-se fragilizadas, quase inexistentes, a proporção que os líderes dos vários movimentos iam sendo presos e levados para presídios fora do Rio. Essa reversão  de quadro começou com a entrada em cena das forças armadas. Carros blindados da marinha e depois do exército, bem como o concurso da Polícia Rodoviária Federal começaram a vasculhar as áreas suspeitas, prenderam bandidos, apreenderam aramas, munições e drogas e estabeleceram uma logística de ação que encurralou os bandidos que agora não tem mais par onde fugirem..Já houve um últimato do comando militar das operações de restabelecimento da ordem social no Rio de Janeiro, determinando lugar onde o bandidos devem se apresentar e depor as armas. Caso isso não aconteça, haverá invasão das favelas onde os bandidos estão sitiados. Aliás, eles já estão fragilizados, com o corte do fornecimento de munição, aprrensão de motos (mais de 300, todas roubadas) e com certeza redução no fornecimento de víveres.
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O Rio de Janeiro vive uma guerra civil; isso não se contesta. Bandidos às centenas fugindo por estradas de barro, matagal e lugares ermos. O bom-senso das autoridades civis e militares evitou um confronto desnecessário com os bandidos em fuga, De ambos os lados das rotas de fuga há muitas favelas onde ainda dominam os bandidos., e uma abordagem da sússia em fuga poderia significar luta campal, com derramento de sangue, mortes de inocentes eventualmente cruzando a linha de fogo. Nada ainda está resolvido definitivamente ali. Mas, com certeza, o desfecho será fatal contra a bandidagem desarticulada, raivosa, encurralada. E toda essa esperança de uma vitória rápida da ordem sobre o crime tem sua razão de ser no massivo apoio da população carioca de todas os segmentos às ações do governo." Todo poder emana do povo", diz a Constituição.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

                       INTERNACIONAL
         ESTAREMOS Á BEIRA DE UMA NOVA GUERRA?
                                          A GANÂNCIA NÃO TEM LIMITES


O crescimento econômico das nações industrializadas ou em via de industrialização (os chamados emergentes) fica cada vez mais desumano. Nas grandes economias, a pauta de discussão é o mercado financeiro e a produção de bens de consumo duráveis. É indispensável registrar crescimento dos altos índices de transações nas bolsas de valores, ainda que para isso se exija mais sacrifícios de vidas humanas.

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Nos Estados Unidos, os principais índices das bolsas de valores apontam para um crescimento dirigido (não espontâneo) do setor imobiliário e da saúde, duas bombas chiando diante do contribuinte médio americano. A área imobiliária, com seus "papagaios" vencidos e não quitados obriga o governo a investir no mercado. Na área da saúde, os planos de universalização da saúde de Barack Obama esbarram no conservadorismo da classe média americana que não quer nem ouvir falar nisso de "transferência de renda".

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Por isso, os Estados Unidos apresentam o paradoxo de serem a maior potência mundial na área econômica, militar, tecnológica, industrial, etc., com um PIB de mais de 13 trilhões de dólares, e, inversamente, disporem de um dos piores serviços de saúde pública do Planeta. 40% da população americana não tem seguro de saúde (nossos malfadados planos), sendo atendido de forma humilhante por uma rede de saúde particular( hospital público por lá é utopia).
                                    
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Agora mesmo os estados Unidos estão se infiltrado em áreas perigosas, fortemente explosivas. Depois de retirarem suas tropas do Iraque e transferir parte delas para o Afeganistão, se viram num encruzilhada. A guerra do Afeganistão é um caso perdido, a União Soviética entendeu isso e entregou o "pacote" aos americanos, que achavam que sua tecnologia militar era capaz de eliminar o Taliban e capturar Osama Bin Laden. A guerra em causa não trouxe muito retorno aos EUA. Por isso, eles estão forjando uma nova guerra na Ásia entre as duas Coréias. Ali, sim, vai haver espaço para consumir mais armamentos, mais munições, fardamentos, desovar a grande quantidade de alimentos de guerra que superlotam os armazens do Departamento de Defesa.

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E então, a indústria de guerra dos Estados Unidos vai intensificar suas atividades, criando milhões de empregos nas várias áreas de produção para o esforço de guerra, o tesouro americano vai amealhar trilhões de dólares com o incremento industrial, a economia volta a girar e o Pais vai ficar mais rico. Ainda que para isso milhares de americanos percam a vida em campos de batalha ou fiquem mutilados. Barack Obama na sua utopia de um mundo capitalista melhor nada poderá fazer para evitar esse desastre. Obama, finalmente descobriu o que todo presidente americano sabe: que o presidente americano ( qualquer que seja ele) é apenas um gerente de um grande espólio econômico dominado pelo capitalismo apátrida e selvagem.

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Os americanos poderão estar engendrando ou retomando manobras que os caracterizaram em passado nem tão distante. Gerar a guerra, ficar fomentando-a à distância e enriquecendo ainda mais às custas dela. Só que também podem estar entrando numa nova encruzilhada, talvez sem volta. Uma guerra entre as Coréias certamente não será convencional. Estarão em jogo naquela região interesses múltiplos, como problemas de fronteiras com a China super-armada e dotadas de armas atômicas, questões de segurança com a Índia e o Paquistão, ambos igualmente detentores de armas nucleares, sem falar nos humores da cúpula dominante do Irã com seus escrúpulos anti-Israelitas, não esquecendo que a Rússia não aceitaria pacificamente uma troca de amabilidades nucleares debaixo de suas barbas.

domingo, 21 de novembro de 2010

                                                                       SOCIEDADE CONFORMADA


                                                                               Emílio J. Moura

O desfecho do ruidoso processo do chamado Caso Serrambi deixou muita gente perplexa. Se não foram os irmãos Lira que mataram as adolescentes Maria Eduarda e Tarsila Gusmão, quem foi? Houve dois crimes, dois cadáveres foram identificados e um inquérito policial seguido de um processo judicial levou o Júri Popular a tomar uma decisão apertada (4X3), expondo desta forma a dúvida que pairava na cabeça dos jurados.

Várias versões para o crime foram colocadas para a sociedade. Escolhamos três destas versões, pela natureza instigante de cada uma. A primeira, naturalmente, foi que os irmãos kombeiros apanharam as adolescentes em sua kombi numa praia, e deveriam transportá-las à casa onde estavam hospedadas. Desviaram o trajeto da viagem e em lugar ermo tentaram estuprá-las. Enfrentando resistência, assassinaram as jovens. A segunda versão é a de que o pai de Tarsila Gusmão seria amante de Maria Eduarda, e num acesso de ciúme matou a amante; como queima de arquivo, marcou também a filha que presenciara o crime, levando os cadáveres para o canavial onde "fingiu ter encontrado os corpos" dez dias depois dos crimes. Outra versão, a terceira, diz que as garotas morreram de overdose num bacanal numa mansão pertencente a filho de figurão pernambucano. Ali teria rolado muito bebida, sexo desvairado com as meninas e muita droga. As vítimas, voluptuosas e usuárias insaciáveis no tocante às drogas, se exauriram e teriam morrido de overdose.

Comentemos primeiro a última hipótese. Se as garotas morreram de overdose, não existiria crime. Mas a perícia revelou que elas foram alvejadas por balas, embora a tendência seja acreditar que os tiros foram dados após as adolescentes terem sido assassinadas. Ai entra o fato criminoso. A hipótese do duplo assassinato ter sido perpetrado pelo pai de Tarsila parece algo monstruoso, se não fosse fantasioso e com certeza inverossímil. Se considerarmos a hipótese de os kombeiros terem assassinado as moças, eles teriam revelado muita coragem, pouca inteligência e a ousadia de massacrarem moças que sabiam serem de classe econômica alta, ricas. Aliás, eles deveriam já conhecer as garotas, pois elas costumavam andar pelas praias e ocuparem pousadas da região.

Em qualquer das hipóteses consideradas, há uma questão crucial. Onde, realmente, Maria Eduarda e Tarsila Gusmão foram assassinadas? Onde e por quem os corpos das vítimas foram escondidos por vários dias? Com certeza foram colocados em alguma frizer, de onde foram retirados alguns dias depois e levados para serem jogados no canavial. De outra forma, os corpos teriam sido descobertos bem antes, pois por aquele lugar passam toda manhã dezenas de trabalhadores rurais. Esta indagação tem sua razão de ser. O estado em que se encontravam os corpos mostrava que o início da decomposição era mais ou menos recente, ente três e cinco dias. Então, onde estavam os corpos até aquele momento? Como a perícia não procurou desvendar essa questão? Por maior que seja a boa vontade em acreditar na polícia, fica difícil acreditar que a perícia tenha utilizado os procedimentos rotineiros, uma metodologia científica, para analisar as peças do caso e desvendar essa onda de fumaça que envolve o assassinato das moças. Prevalece na sociedade a dúvida de que os peritos que examinaram o caso em busca de indícios que pudessem apontar os autores dos crimes foram "induzidos" a não identificar as bases criminológicas que apontariam os culpados. Ou seja: houve uma operação abafa, que se prendeu a questiúnculas como pentes, papel de bombons e coisas semelhantes, em detrimento da busca de respostas para o aparecimento repentino dos corpos num canavial, a maneira como os corpos chegaram ali e de onde foram trazidos. Fica, pois, evidente, a manipulação dos dados periciais. Por que será que aconteceu assim? Havia interesse em não se identificar os verdadeiros assassinos ou mandantes dos crimes? Por quê? A resposta já foi dada: os crimes foram praticados por gente da alta sociedade, e os kombeiros tiveram participação talvez escondendo ou conduzindo os corpos até o canavial.

O Caso Serrambi põe em alerta todas as famílias do Estado. E essas famílias, que compõem a sociedade pernambucana, não podem ficar alheias ao perigo que representa a impunidade dos criminosos desse triste acontecimento. Suas filhas, adolescentes, jovens ou crianças, estão à mercê de facínoras de colarinho branco que impunemente as atraem para bacanais regados a bebidas, sexo e drogas. Se não houver uma reação da sociedade, ainda que tardia, esses casos vão se multiplicar. E já se multiplicaram. Pena que as vítimas quase sempre são meninas (ou meninos) de origem humilde e suas mortes sequer chegam a ser noticiadas pela imprensa. É hora de a OAB-PE, Associação Pernambucana de Imprensa, Clubes de Serviços, sindicatos, grupos de defesa dos direitos humanos e outras instituições da sociedade organizada do Estado saírem do seu imobilismo conformista e exigirem do Ministério Público a reabertura do processo do Caso Serrambi. Não para condenar mais uma vez os kombeiros, mas para apurar os fatos numa nova linha de investigação que busque elucidar o que realmente aconteceu e possa intimidar esses celerados que fazem pouco caso desse fenômeno admirável que é a vida. É inaceitável que a sociedade fique de braços cruzados diante do clima de violência que afeta a segurança das famílias, ameaça o patrimônio público ou privado e põe em risco a vida do cidadão comum. Para onde estamos caminhando? Ou sendo levados? Não podemos ficar conformados com a injustiça, a manipulação da ordem pública, a banalização da justiça e a impunidade.

sábado, 20 de novembro de 2010

                              L I T E R A T U R A
                                                              BELEZA MORENA


                                                               Emílio J. Moura

Sempre que aguardava transporte para voltar para casa naquela parada, ela aparecia. Vestindo modelitos, ao que parece exclusivos, tinha a silhueta típica da mulher brasileira padrão internacional de beleza. Morena, cabelos pretos longos a escorregarem busto esquerdo até a linha dos seios discretamente ostensivos, a moça preenchia todos os requisitos do belo. Altura média, nariz pequeno em consonância com a boca miúda de lábios vermelhos e delicados. Os olhos castanhos com nuances cinzas, de cílios curtos e sempre realçados por rime escuro. Um queixinho moldado, como uma bonequinha de massa. Ela aguardava um ônibus que fazia retorno naquela parada, e partia não sei para que destino. Só que ela estava lá sempre que eu chegava para pegar minha condução. Particularmente, eu admirava aquela beleza sem exagero que se impunha pela simplicidade de gestos, pelo andar faceiro, mas acima de tudo por aquela energia que prendia, a mim e a todos que a viam. Embora o vestuário sempre renovado, com calças justas e abaixo do joelho, de tecidos finos de lycra e blusas de jeans de alta qualidade denotasse certa classe, distinguindo a moça das demais garotas que por acaso por ali passassem, sua simplicidade era a tônica dominante. Nunca a vi em companhia de outras pessoas. Não sei se esse espírito solitário tinha alguma coisa a ver com idéias exóticas que povoavam a cabeça da moça. Ou era mera afetação.

Depois de aposentado, deixei de freqüentar aquela parada de ônibus. Passei a palmilhar outros caminhos. A menina, de modelitos bem cortados e andar dolente, que aparecia quase do nada desapareceu como de repente da minha memória. Não que eu quisesse me esquecer dela, mas porque a minha ausência ali naquele ponto acabou por apagá-la da minha mente. Mas naquela quarta-feira, anos depois, quando fui forçado a trocar de coletivo porque o em que eu viajava quebrou, eis que atravesso a pista, me posiciono sobre a calçada e ao levantar a vista, lá vem a moça. Toda a lembrança de seu perfil e de sua moda me veio à mente, quando ela atravessava a avenida para pegar o ônibus que fazia retorno ali.

Depois de alguns anos, nada havia mudado naquela garota. Mas pela primeira vez tive oportunidade de vê-la falar com alguém. Um cidadão que passava de carro, parou o veículo perto do meio-fio e a chamou de “professora”. Lembrou a ajuda por ela prometida num projeto pedagógico a ser implementado no colégio onde ensinavam. Foi quando pude ouvir sua voz doce, culta e metálica concordando com o colega professor. Só assim pude saber quem era aquela beleza morena que durante alguns meses me enchia de contentamento ao vê-la atravessar a avenida e se posicionar soberana para esperar seu transporte. Ensinava português num colégio particular bem ali perto do ponto de ônibus. Na verdade, era filha de família importante da cidade. E, ao que me foi dado saber depois, não era nada solitária. Era casada com um professor de matemática; tinha uma filhinha. Mais coisas a respeito daquela garota linda me foram contadas por amigos residentes no bairro dela. Poetisa, ativista de movimentos de arte, participava de maracatu, costumava se vestir de caboclinha para contar histórias e divertir a garotada de comunidades carentes. Aquela menina bonita, que parecia se afastar das pessoas era ao contrário, uma pessoa ao mesmo tempo rica e despretensiosa. Rica de predicados morais, artísticos e espirituais; despretensiosa, porque, apesar de se revelar bela na configuração física e no jeito esmerado de se vestir, era de uma simplicidade e de uma interação social difícil de se encontrar numa pessoa nos dias de hoje. 07.09.2008
                SAÚDE E EDUÇÃO- E SEUS GARGALOS

FALANDO DE EDUCAÇÃO

O maior gargalo para o desenvolvimento do País tem sido a educação de baixa qualidade praticada tanto nas escolas públicas quanto particulares. A grade de matéria é insuficiente para a boa formação intelectual dos educandos. E o tempo que os alunos passam na escola é muito pouco para as necessidades de um bom apresndizado. Escolas particulares de alto nível ministram um ensino de melhor qualidade, enquanto as escolas públicas deixam muito a desejar nesse quesito de qualidade. Mas há ilhas de prosperidade em meio a esse mar de deficiências do ensino. A educação é hoje  uma mercadoria de valores diferenciados quanto a qualidade, e quem tem dinheiro pode comprar a educação de mehor qualidade. Isso se reflete no maior número de alunos de condição econômica privilegiada cursando as melores universidades públicas do País.
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O interesse dos alunos pelas matérias clássicas, como história, geografia, filosofia, sociologia é pouco visível entre os alunos. Já as matérias exatas merecem um pouco mais de atenção; só um pouquinho. Os alunos como que estão desmotivados pelo aprendizado.Os professores, por sua vez, também não demonstram muito interesse no desempenho de suas tarefas. Desmotivam os mestres os baixos salários que lhe  são pagos, as condições pouco confortáveis em que trabalham e até engajamentos pueris como militantes de grupos políticos.Já se diz que "professores fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem".
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O governo tem se esforçado em melhorar as condições do ensino no Pais, criando novas faculdades e escolas técnicas. Mas o ensino  básico não tem se desenvolvido na mesma velocidade. Há ai uma contradição? Nas escolas de ensino fundamental da periferia das grandes cidades há salas de aulas ociosas.Ma também é grande o número de crianças, adolescentes e jovens foram da sala de aula nesses lugares. As dificuldades de acesso às escolas, as condições de trabalho precárias e o fenômeno da violência têm afastado os professores dessas áreas. Por outro lado, a má gestão, aliada à burocracia,  permite que alunos fiquem sem matrículas. Contudo, se todos os jovens em idade escolar das áreas periféricas fossem matriculados faltaram salas de aula para acomodá-los. E seria necessário contratar mais professores e motivá-los a trabalhar em lugares assim. Claro que é necessário construir mais escolas, principalmente nas periferias superpopulosas. Atrair os jovens para a escola através de programas motivadores, como prática de esportes, atividades culturais e ouros requsitos capazes de fixarem os jovens na escola.
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A violência nas salas de aula é um fenômeno moderno. Tá de acordo com os novos padrões comportamentais da chamada "sociedade pós*moderna". Alunos agridiam alunos e agora alunos agridem professores. E os pais têm tido um papel ridículo nesses episódios. Sem procurarem investigar a conduta dos filhos, os pais têm invadido salas de diretoria procurando "o canalha que destratou meu filho". E alguns episódios desagradáveis de violência de pais contra professores já foram registrados  em algumas escolas deste País. Há que se pensar esse modelo de sociedade, porque só assim encontraremos um modelo de escola onde os alunos vão aprender e os professoresensinar. Senão, passa a ser verdadeiro o fraseado que se populariza: "o governo finge que paga, o professor finge que ensina e os alunos fingem que aprendem".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FALANDO DE SAÚDE

Duas áreas estão a merecer a atenção das autoridades estaduais e federais. Principalmente, da presidente eleita Dilma Housseff. Saúde e educação têm sido os gargalhos que empanam uma melhor conceituação do Brasil por parte dos órgãos de controle da Organização das Nações Unidas (ONU). E também dos órgãos internos de aferição do padrão de vida dos brsileiros, como o IBGE.
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Na saúde, apesar dos indiscutíveis esforços do governo federal e de alguns governos estaduais, a situação é de caos. Quando a ação oficial avança, melhorando o perfil de atendimento das populaçoes mais carentes através do SUS, a iniciativa privada se retrai, fechando unidades de saudes particulares. Isso ocorre principalmewnte nas periferias das grandes cidades, pois a tendêndia é a concentração do atendimento em áreas mais restritas, chamadas polos médicos.
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É interessante notar que o avanço das ações de saúde na Regão Metropolitana do Recife via implantção das Unidades de Pronto Atendimento (UPAS), somadas às policlinicas municipais e aos hospitais recém-inaugurados pelo governo do Estado de Pernamuco, sem deixar de citar as unidades hospitalares já existentes, parece não ter surtido o efeito imediato desejado. As emergências parecem mais superlotadas do que nunca. Isso tem explicação.
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Antes, a população mais carente fugia do sofrimento da nas  filas e do sofrimento com a demora  nos ambulatórios e nas policlínicas. Não acreditava na assistência médica prestada pelo serviço público. Então, as pessoas se auto-medicavam ou morriam à mingua. Com as UPAS, cresceu a procura por serviços médicos, e como essas unidades não internam, mandam os pacientes para as emergêncas dos grandes hospitais que continuam lotadas ou para os novos hsotpitais recém-criados pelo governo. Essas novas unidades têm atendimento restrito a poucas especialidades, dai  o impacto nas emergências tradicionais. Curioso, não? Detalhe: já não se ver pacientes em macas pelos corredores da emergência.
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A destacar a escassez de profissionais especializados em certas áreas. Ortopedia, pediatria, neurologia, entre outros. Esses profissionais, como vimos, escassos no mercado local, ou migram para regiões economicamente mais adiantadas ou se limitam ao trabalho nos grandes hospitais e seus consultórios. É que os salários pagos pelo serviço público são irrisórios, e esses profissionais especializados procuram se valorizar, buscando outras alternativas de emprego. É um direito deles.
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Nos últimos anos. segundo o IBGE, tem havido uma reduçaõ no número de internações. Esse é um fenômeno algo difiícil de compreender. Mas não é privilégio do Brasil; ocorre em toda América Latina e até em alguns países europeus. Esse fato decorre de mudanças conceituais de política de saúde. O tratamento ambulatorial tem sido priorizado pelas autoridades de saúde. As autoridades dessa área valorizam a construção de unidades de atendimento básico, dai a queda no número de internações. No setor público houve considerável aumento do número de unidades construidas, enquanto o setor privado fechou grande número de estabelecimetos de saúde.
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Finalmente, é importante destacar o aumento de aquisição de equipamentos de diagnóstico por imagem, em todo o Pais, o que apressa o diagnóstico e também concorre para reduzir o número de internações muitas vezes desnecessárias. Infelizmente, a população mais desprovida de recursos não tem sido beneficiada diretamente por esse progresso médico-tecnológico visualizado nos últimos anos. É que os mais modernos euipamentos de diagnóstico por imagem têm sido adquiridos por hospitais particulares, e só as pessoas que pagam bons planos de saúde têm acesso a esses serviço. Enquanto nos hospitais públicos, quando se consegue marcar um exame desses já decorreram muitos meses, ou anos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O pensamento do dia

                              CIVILIDADE NEM SEMPRE É CIDADANIA           




                               MANOBRAS POLÍTICAS GOLPISTAS, EDUCAÇÃO, ETC.
A presidente Dilma Rousseff ao que parece via enfrentar dificuldades para formar um ministério "com perfil técnico". Seu vice, o ex-professor e jurista Michel Temer é conhecido por seu espírito ambicioso e por suas falta de escrúpulo para conseguir o que quer. E o que ele quer não faz segredo praninguém: é mais poder. Armou um esquema político, formando um bloco de partido que terá voz na Câmara. Ou a presidente sede às maquinações de Temer ou terá ´serias dificuldades para aprovar seus projetos de desenvolvimento no Congresso.
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O significado político do que tá dito mo item anterior é que a presidente necessitará de apoio popular para governar. Se não for isolado o blocão urdido por Michel Temer, a governabilidade estará do País estará em risco. Um movimento popular, denunciando as intenções de Temer e do seu blocão poderá anular o poder acumulado pelo vice de Dilma. Não sabe,os onde Lula esta com a cabeça quando influiu na composição política que levou Temer a ser candidato a vice.
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É importanta para todo o País que o governo Dilma seja um governo para todos os brasileiros, e não para SãoPaulo. É isso o que deseja o grupo de Temer. Se for necessário, que se afaste Temer da vice-presidência. O tempo e o andar da carruagem indicarão os caminhos a seguir.
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O polo de Suape já sofre com redução da instalação de sua capacidade produtiva e o caneiro de obras em que se transformou aquela região deverá ser reativado no próximo governo. Investimentos em infraestrutura não apenas em Su pe mas em todo o Nordeste, ´são indsipensáveis para manter e acelerar o indice de crescimento da Região e reduzir as desigualdades ainda existntes entre o Sul do País e as regiões mais ao Norte.
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Grupos oposicionistas já mostram suas garras. As manifestções "esudantis" desta terça-feira  no centro da Cidade contra o ENEM realizadas nesta terça-feira foi um movimento orquestrado por donos de colégio que dequerem melar o processo seletivo para  influenciar mudanças do exame nacional que substituirá o vestibular e tirar  proveito delas.
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Educação pode ser una atividade  exercida pela iniciativa privada. Mas
 jamais pode ser confundida com uma forma de comércio na qual o conhecimento é mercantilizado.Também não deve ser gerenciada por pessoas sem escrúpulos, pois assim deixa de ser um bem cognitivo de valores éticos incomensuráveis para se transformar em mera mercadoria comprada em balcão de feira.
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Embora as falhas logísticas apresentadas nesta última edição, o ENEM é um instrumento de grnde valia na aferição dos conhecimentos adquiridos pelos alunos durante seus estudos preparatórios. Dá a oportunidade de uma visão abrangente da Nação em que todos vivem, reforça o significado de união nacional, sem perder de vista as peculiaridades de cada região. O que aconteceu nesta edição do exame nacional foi o despreparo dos gestores da educação para administrar um evento de tão grande gigantismo. Esperamos que tenham aprendido com os erros. Nos Estados Unidos, com um século de experiência em realizar provas deste quilate, ocorrem anualmente erros grosseiros. E olha que o exame lá é regionalizado..
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O Sistemae Seriado de Avaliação introduzido pela UPE promete ser um excelente auxiliar do ENEM, já que afere anualmente o nível de conhecimentos dos alunos nos estabelecimentos em que estudam. Seria importante que esses estabelecimentos - e todos os demais - usassem suas avaliações mensais com mais critério, o que melhoraria o desempenho do aluno no SSA. Que a outras universidades incorporem  a idéia. A melhora da qualidade do ensino pode começar por ai.

domingo, 14 de novembro de 2010

O pensamento do dia

 A VAIDADE E A PREPOTÊNCIA ANDAM DE MÃOS DADAS
                               L I T E R A T U R A
                                                                  A MARCA DO PODER


                                                                    Emílio J. Moura



Chuvas torrenciais maltratavam a face quase nua daquelas terras. Os córregos pareciam correntezas, cada trilha escavada na descendência pelos pés dos matutos virava um rio. O rio propriamente dito, este carregava um volume de água há muito tempo não visto por aquelas bandas. O lamaçal tomava conta das partes mais altas, e as estradas de barro não permitiam passagem. Os açudes já arrebentaram há vários dias e a terra ficava cada vez mais desprotegida nas partes mais planas e nas pequenas encostas de vegetação rasteira e escassa. Água demais – e má distribuída – para uma região pouco produtiva e de topografia tão desigual.

Aliança, Machado, Goiana e adjacências possuíam áreas marcadas pela pobreza do solo. Essas áreas ainda hoje integram um polígono de seca. As chuvas são escassas e a seca castiga periodicamente aquela região. A fúria das águas que escavava aquela vasta área castigada pela irregularidade do solo e pela pobreza de nutrientes deste solo era um acontecimento raro. E o uso irracional das terras só complicou a situação de proprietários, posseiros e agricultores sem terra que tiveram a infelicidade de nascer ou viver nessas terras. Assim, quando era época de pouca, ou nenhuma chuva, as culturas não progrediam por não haver nutrientes nas terras onde foram plantadas. Mas, quando havia chuvas intensas, o espetáculo narrado no início tornava aquela situação ainda mais insustentável. Um rio de águas salobras alimentadas por minerais encontrados em todo seu percurso ainda hoje faz padecer boa parte da população desses lugares, por falta de água apropriada para o consumo humano. De nada vale a estação de tratamento instalado pela empresa pública encarregada do serviço, se ela não foi projetada para dessalinizar a água servida a essa população.

Mas essas terras já tiveram outra função. Já foram usadas para o cultivo da cana e de raízes densas como inhame e macaxeira. Já foram campos de produção de cereais, como o feijão, o milho e outros mais. Não eram, essas terras, o que se pode chamar um celeiro, mas o que se produzia ali deu para fazer a fortuna de muitos patrões que compraram títulos de oficiais da guarda nacional. Foi o caso do coronel Zuza. Homem desletrado, mas experiente e destemido, o coronel Zuza adquiriu dos pais por herança um pequeno sítio. Seu arrojo empreendedor transformou a gleba num rico e próspero engenho produtor de cana-de-açúcar. As terras mais em declive ele aproveitou para cultivar inhame. Depois de algum tempo, já vendia toneladas do produto, além de fornecer a cana para as usinas locais. Amealhou riquezas, construiu casa grande que mais parecia um palácio. Impôs-se como senhor de terras e de gente, embora não existisse mais o regime da escravidão.

Coronel Zuza montava os cavalos mais bonitos e fortes que podia encontrar. Suas selas eram especialmente confeccionadas, sob encomenda. Detalhes dourados nas margens, com encraves de pedras que reluziam à luz do sol. Coxim de veludo e estribos brilhantes; arreios de material trançado. Tudo dele era especial. Mas o coronel não gostou de ver um concorrente desfilando perto de suas terras num carro de passeio. Foi até à capital, e numa agência de automóveis escolheu o modelo mais bonito, que era também o mais caro. Acertou os pormenores da compra do veículo, o prazo da entrega. Com aquelas exigências todas, o carro só chegaria muitos meses depois. Topou! Pagou tudo à vista. Quase oito meses depois, a agência informa ao coronel Zuza da chegada do carro e foi entregá-lo na porta da casa grande do engenho. O coronel admirou as linhas do veículo, gostou das cores listradas na porta do carro e da placa anunciando o nome do proprietário. Tudo estava quase ultimado, quando o coronel franziu o sobrolho. Fechou a cara e abanou a cabeça em sinal de desagrado.

-Falta uma coisa nesse carro sem a qual eu não o aceito!, sentenciou o coronel.

-Diga o que é, coronel, e nós providenciaremos de imediato, afirmou o gerente da agência presente no engenho. O coronel escreveu alguma coisa num papel e o entregou ao homem da agência. Outros oito meses se passaram, e o carro finalmente voltou ao engenho. E o coronel encheu-se de orgulho, concluindo o negócio. Tudo ficou claro naquele momento. Qualquer bem do coronel Zuza teria de ser diferenciado. Ninguém poderia opor-lhe qualquer tipo de concorrência, porque ele era o homem mais rico de todas aquelas redondezas. E isso deveria ficar bem explicitado em tudo que era seu. Que exigência era essa que o coronel fazia para aceitar o carro pago há já quase dois anos? Afinal, carro era carro, e o entregue ao oficial da guarda nacional possuía requisitos e equipamentos jamais vistos em qualquer outro carro no Brasil inteiro. Tudo ficou devidamente esclarecido, quando viajando pelas estradas de barro da região, os pneus do luxuoso carro deixavam gravado no barro: Coronel Zuza, senhor de engenho do Riachão.

                                                                                                            01.05.1983





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sábado, 13 de novembro de 2010

O pensamento do dia

                                            A  RAÇA  HUMANA  NASCEU  NA ÁFRICA
      CIÊNCIA  HOJE - CONCLUSÕES
                                                       DE ARDI A ADÃO, PASSANDO POR LUCY


                                                              QUARTA PARTE-CONCLUSÕES



Chegamos ao final deste breve relato sobre as origens da raça humana. São pontos importantes dessa caminhada do homem através do Planeta. Mas pingos d'água nesse mar de acontecimentos que ainda estão longe de uma descrição completa de cada um dos seus passos. Entretanto, é possível estabelecer aqui alguma relação entre pontos aparentemente sem importância nessa tarefa nada fácil de entender o homem, suas origens, o lugar de onde ele procede e a forma como se espalhou pela Terra.

Lucy teria vivido 3.3 bilhões de anos atrás. Ardi, mais velho, viveu há mais de 4.4 bilhões de anos. O dado mais significativo, sob certos aspectos, é a procedência dessas duas criaturas, primeiros ancestrais da raça humana cujas estruturas fósseis foram estudadas com mais detalhes até hoje. Ambas as criaturas nasceram na África, exatamente na Etiópia.  Outras espécies vagavam pelas florestas do imenso continente africano, e os sinais de sua presemça estão registrados nos anais arqueológicos. Com certeza, nem todas! Ainda hamuito o que se pesquisar, analisar, comparar. A Mãe África tem sido citada na quase totalidade dos estudos desse natureza como berço da raça humana. Um ponto em comum que corrobora essa tese é a própria Bíblia que explica. Em sua longa peregrinação em busca de abrigo, Caim encontra uma colônia onde casa e constitui família. Seria sua irmã a mulher com quem casou? Antropólogos e teólogos modernos afirmam que não. Segundo esses estudiosos do assunto, Caim viajou até muito longe, não encontrou nessa caminhada nenhum rastro de ser humano, até que encontrou terras desconhecidas e gente diferente. Mas gente! Seria uma raça que nada tinha a ver com Adão. Donde concluíram que Caim encontrou uma raça paralela à raça adâmica. Essa coincidência da proximidade territorial de Ardi e Lucy e da existência, numa extensa faixa de terra, de duas civilizações diferentes, a adâmica e aquela alcançada por Caim, é instigante para os estudiosos do assunto.

Há explicações históricas para a chegada do homem ao continente americano. Mas é pouco sustentável a tese de que os polinésios teriam chegado via marítima ao continente e originado a raça andina de feições asiáticas. A verdade é que raças diferentes, de peles e feições também diferentes, habitam as Américas há milhões de anos. Ardi e Lucy viveram em épocas remotas, e pertenceram a grupos hominídeos de características físicas diferentes conforme se depreende da observação de suas estruturas orgânicas identificadas nos fósseis descobertos na Etiópia. A história de Caim e suas andanças até encontrar uma civilização paralela ao do seu pai pode guardar estreita coincidência com a proliferação de raças - conhecidas ou extintas- encontradas nas Américas. A coisa pode se complicar para o entendimento dessa cadeia humana se se comprovar com dados irrefutáveis a existência do legendário continente da Atlântida. E de outras civilizações cujas localizações ainda são motivos de divergências.
Bibliografia: Almanaque Abril (2010); Enciclopédia Koogan Larousse-Seleções; TUDO: o livro do conhecimento; artigos de especialistas publicados na internet.
                                     DE ARDI A ADÃO, PASSANDO POR LUCY
                                                 TERCEIRA PARTE


Vimos que a presença do homem na Terra é bem recente se comparada com a idade do Planeta. Quatro bilhões de anos se passaram desde que a Terra se formou. É de se destacar também o quanto nosso Planeta é minúsculo, inclusive se o compararmos com outros planetas do Sistema Solar. E sabemos que o Sistema Solar pertence a uma galáxia -a Via Láctea, com seus bilhões de estrelas a se perderem de vista num espaço ainda não devidamente dimensionado. Ou seja, somos, nós os terráqueos, habitantes de um grão de areia perdido em meios a um amontoado de estrelas que piscam em diferentes intensidades de luz. A Via Láctea é apenas um dos incontáveis amontoados de estrelas que permeiam o Universo sem fim. Os antigos, no passado mais antigo da história humana, olhavam o firmamento e se encantavam com aquele espetáculo de pontos de luz a piscarem espalhados pelo céu sem entenderem o que era aquilo.

O livro mais lido no Ocidente que fala da antiguidade humana é a Bíblia. Segundo a Bíblia, a Humanidade começou com Adão, o primeiro homem feito por Deus há seis mil anos. A Terra não era vazia, nela existiam animais e plantas que davam frutos. Deus então criou o homem, moldando-o em barro; depois, deu-lhe o sopro da vida. Sentindo-se só, o homem se lamentava. Deus, então, se apiedou da solidão de sua criatura, e tirou-lhe uma costela, a qual transformou numa mulher - Eva. Tentada pela serpente, Eva comeu a maçã, o fruto proibido do paraíso,introduzindo o pecado no mundo. O primeiro casal humana, já expulso do paraíso se descobriu em sua nudez, entregando-se aos "prazeres da carne". Dessas relações nasceram muitos filhos. Já adulto, Caim matou a Abel. Cumprindo sua sina, Caim vagou anos após anos, até encontrar uma colônia, onde teve abrigo, casou e constituiu família. Se foi assim, Caim então casou com uma sua irmã?

Essa narrativa bíblica tem dois lados diferentes: o primeiro, é uma tentativa dos hebreus de explicar a origem do homem (sua criação). O segundo, é uma forma que os descendentes de Abraão encontraram para entender o início do pecado no mundo. Mas é certo que cada civilização teve sua explicação para a origem do homem e do pecado. Os gregos, por exemplo, na sua vasta e criativa mitologia, explicam a natureza dos deuses e suas relações com os seres humanos e usaram a imagem da Caixa de Pandora.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

                       C I Ê N C I A     H O J E

DE ARDI A ADÃO, PASSANDO POR LUCY

                                                 SEGUNDA PARTE
Até agora falamos da Terra como cenário do mundo animal. Florestas enormes, matas, savanas, mares sem fim, rios, lagos; já temos atmosfera, pois os gases da vida preenchem todos os espaços.Intensa atividade vulcânica molda a superfície do Planeta. Pressão atmosférica e outras condições climáticas favorecem o crescimento de muitas espécies animais. Aparecem os mamíferos. Estranhas criaturas se arrastam sobre a crosta terrestre; outras, se esforçam para alcançar as folhas nas copas das árvores mais altas; bichos esquisitos vão da terra às águas e vice-versa. Alguns têm garras enormes e asas de grande envergadura, voam e habitam montanhas e florestas. Outros, grandalhões desajeitados, emitem sons horripilantes. De repente, os grandalhões desaparecem.O planeta já não lhes é favorável. A Terra fica escura, a vegetação escasseia, nuvens de poeira impedem a passagem dos raios solares. Que aconteceu? O mundo vai esfriando, segue-se uma longa glaciação. Milhares de anos depois, a vida animal vai se firmando sobre a Terra; só sobrevivem à glaciação aquelas espécies que resistiram ao longo período de frio e fome e se adaptaram às novas condições de um ambiente natural que se expandia.

Representação gráfica da evolução da espécie humana creditada ao Almanaque Abril 2010

Na Era Cenozóica, no período terciário, aparecem as aves, os répteis, os mamíferos, os primatas. Em períodos variados, surgem primatas que se destacam dos demais animais pela destreza com as mãos e pela maneira de caminhar. Ficamos diante do Australopithecus afarensis, um símio de uma raça mais desenvolvida. A hostilidade do ambiente os obriga a procurar abrigo em cavernas. São muito vulneráveis, mas já demonstram algum senso de organização primária.Ao que parece, tinham vida curta. O primeiro espécime de primatas que confundiu muitos cientistas foi reconstituído a partir de um crânio. Era o Australopithecus Africanus, desenterrado na África 3 mil e 200 anos atrás, mais próximo do chimpanzé. Na década de 70 do século passado são encontrados numa caverna da Etiópia restos fósseis de um espécime a que se deu o nome de Lucy. Tratava-se de uma raça de hominídeos que por suas habilidades de subir árvores, caminhar sobre duas pernas, manejar armas de caça rudimentares já não poderia ser confundida com um simples chipanzé. A evolução orgânica e mental era evidente. A cientista Ivonne Rebeyrol, em longo estudo publicado em 1994, afirma que os arqueólogos trabalharam com mais ou menos 40% dos restos fósseis do espécime conhecido por Lucy. Seja lá como for, estamos diante de um fato da mais alta importância. Um animal com habilidades manuais e alguma destreza mental aparece no relato antropológico há 3.5 milhões de anos.

Na mesma Era Cenozóica, lá pelo Período Quaternário, há 4.4/4.5 milhões de anos, aparece nos anais arqueológicos, uma descoberta fantástica, arrancada pelos cientistas de cavernas na Etiópia, o fóssil de Ardi.O fóssil de Ardi está praticamente completo, o que possibilitou estudos mais avançados do que os realizados com Lucy. Ardi é um hominídeo que embora guarde alguma relação física com um símio tem características semelhantes às humanas, é o mais antigo e completo fóssil dos ancestrais humanos. Estima-se que  a espécie humana tenha aparecido ai por volta de 7 mil anos atrás,desde formas mais primitivas até o Australapithecus anamensis, evoluindo lentamente para o Homo neanderthalensis, quando ainda não há registro do uso da linguagem oral até o Homo sapiens, início da geração humana atual. A evolução da raça humana ainda está longe de ser contada através de uma história consistente, mas Ardi é o elo entre os hominídeos e o homem atual que a ciência precisava encontrar.

sábado, 6 de novembro de 2010

O PANORAMA ECONÕMICO MUNDIAL

O ódio e a sede de vingança têm dado o tom das últimas notícias internacionais. Cartas-bombas foram enviadas a diversas autoridades européias. Organizações criminosas como a Al Qaida, chefiada  pelo saudita Osana Bin Laden e grupos terroristas sedeados em países árabes têm assumido a autoria dos atos criminosos.
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Para complicar, este mês vem apresentando um histórico de acidentes aéreos. Um Airbus A380, maior avião de passageiro do mundo e em operação há apenas 3 anos, com 500 passageiros a bordo, faz uma aterissagem forçada devido ao mal funcionamento de uma de suas 4 turbinas. Testemunhas afirmam que a turbina explodiu enquanto o avião se aproximava e espalhou fragmentos num raio de alguns quilómetros.O gigante tem duas versões de motores.
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Vulcão na Indonésia espele fumaça a quilómetros de altura, desalojando centenas de pessoas e matando algumas dezenas delas.A ação sísmica já causou enormes prejuizos econômicos, além das mortes e sofrimentos acima aludidos.Houve a ocorrência de ondas gigantes. Há a possibilidade de o vulcão vir a explodir, e ai as consequências poderão ser desastrosas não apenas para o arquipélago, mas também para uma porção de nações e cujas consequências em termos de perdas humanas, materiais e econômicas serão imprevisíveis.
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A economia mundial tende a esfriar no próximo ano. A sede do problema está no gingantismo centralizador da economia dos Estados Unidos. Os baixos juros impostos pelo Banco Central americano, a pesada ajuda do governo Obama aos setores produtivos dos EUA e a grande dívida interna daquele País terão reflexos negativos na economia dos países emergentes como o Brasil.
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A crise americana atinge em cheio a Europa, principalmente a área do Euro. Os problemas da Grécia, cuja população não absorveu as medidas restritivas impostas pela adoção da moeda européia, bem como a instabilidade da Alemanha que ainda não equilibrou seu orçamento depois da unificação, são dados que afetarão igualmente a economia mundial.
                      C I Ê N C I A       H O J E

DE ARDI A ADÃO, PASSANDO POR LUCY

                                                  PRIMEIRA PARTE


A Terra tem uma vida útil estimada em 7 bilhões de anos. Já se passaram 4.2 bilhões de anos. Restam, portanto, 2.8 bilhões de anos de vida útil à Terra.No seu início nosso Planeta era uma massa amorfa, quente e sem vida. Não existia água (mares, oceanos, rios, lagos) nem atmosfera nem vegetação. Os elementos que viriam a constituir a atmosfera não tinham identidade e formavam massas densas suspensas em volta do planeta. A superfície da terra era um monobloco (Pangea), que foi sofrendo fissuras, e graças às pressões verificadas em seu interior mais profundo essas fissuras foram de acentuando, separando os blocos. Separados, esses blocos vagaram centenas de milhões de anos sobre uma superfície pastosa( Deriva) até que se instalaram e se consolidaram em lugares diferentes dando origem aos Continentes. Em sua longa história, a Terra passou por 4 Eras Geológicas, cada uma dividida em Períodos.  
1)Representação gráfica de ARDI ( viveu há  4,4 milhões de  anos ). Fonte: Lúcio Machado Borges, site Último Segundo. Diferentemente de Lucy, reconstruida a partir de 40% do esqueleto deste austhalopithecus afaensis descoberto na Etiópia, Ardi teve seu esqueleto descoberto quase intacto, também na África.

A ação sísmica modificando a temperatura da Terra e condições especiais agiram sobre as densas camadas gasosas em suspensão ao seu redor fizeram com que as moléculas se separassem e formassem os elementos que continham a essência da vida. Em forma de gases . esses elementos foram aos poucos cindo sobre a superfície da Terra. A predominância do hidrogênio capturou o oxigênio, e assim a superfície morta da Terra foi sendo tomada pelas águas que passaram a preencher quase toda sua extensão territorial. A combinação de hidrogênio, oxigênio, ozônio e demais gases fez surgir algas que dominaram a cena aquática, enquanto em terra firme surgiam as savanas que evoluiram para as matase florestas que cobriram quase toda superfície do Planeta. A disseminação vegetal  gerou substâncias diversas que se transformaram em ambiente propício ao aparecimento dos primeiros seres animais sobre a Terra, os primeiros no ambiente aquático: as bactérias. Combinações de elementos diversos, foram criando condições (nutrientes) para o surgimento de pequenos seres vivos que evoluindo através de centenas de milhões de anos e acabaram por instalar na Terra a vida animal, formatada e adaptada para viver na água. Com uma rica floresta em volta, muitos dos primeiros animais abandonaram a água e migraram para a terra. Muitas espécies animais,entretanto, tiveram dificuldades em se adaptarem à vida fora das águas e a elas resolveram voltar. Mas grande contingente de espécies animais encontraram na floresta melhores condições de vida que na água, ai permaneceram, desenvolveram aptidões variadas e se adaptaram em definitivo à vida na Terra firme. Essa transformação do cenário terráqueo consumiu milhões de anos, atravessou vários periodos geológicos, viu surgirem novas espécies e desaparecerem outras tantas em virtude da seleção natural das espécies, tanto em terra firme como na água. Os grandes animais de perfis terrestres ou voadores (dinossauros)  dominaram esse cenário durante muito tempo, até que condições naturais ou incidentes ambientais produzidos provavelmente por forças externas modificaram toda a paisagem.O mundo era dos animais; o homem ainda não existia.