NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 28 de novembro de 2010

                                  QUE PAÍS ESTAMOS CONSTRUINDO?


A guerra civil travada atualmente no Rio de Janeiro não é um fato isolado. Guerras entre o Poder Constituído e a bandidagem ocorre nas principais cidades brasileiras. Os bandidos não têm limites. Não faz muito puseram em polvorosa a autoridade constituída de São Paulo. No Espírito Santo a bandidagem manda e desmanda. E No Recife? Caixas eletrônicos explodidos no silêncio da noite; roubos de bancos à luz do dia a desafiar a autoridade e atemorizar a sociedade.

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No Rio, é cenário de guerra declarada. Tropas militares nas ruas, apoiadas por tanques e orientadas por uma logística que inclui o concurso da aeronáutica com seus helicópteros dando apoio às ações em terra. Há 50 anos o Rio era a capital da República. Reunia a fina flor da sociedade brasileira, o cerne da administração nacional, a diplomacia dos países amigos, as instituições mais importantes da República. Hoje, o Rio é uma praça de guerra. Onde ninguém anda sem receio de ser atingido por uma bala perdida ou abordado por um marginal a pé ou montado numa motor. Sofrer um arrastão é coisa corriqueira para a população carioca.

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Aqui no Recife, o cidadão não pode sair à noite e ficar conversando com os amigos na esquina de sua rua. Alguém que mora nas URs-Ibura e adjacências experimente andar depois das 18 horas no trecho entre a linha férrea e a Br 101. Ou descer a rampa que liga a UR-11 à Vila das Aeromoças.Ou percorrer o corredor que vai da Rua Maria Irene no Jordão até ao Ibura de Baixo nesse mesmo horário. Senão, um aventureiro tente andar pela Avenida Recife, de um extremo a outro ou no trecho entre a Estância e o Aeroporto. Alguém já experimentou subir a ladeira do morro do Cuscuz? Isso só pra citar lugares mais próximos entre si e dentro de um perímetro limitado.

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Em qualquer rua, praça, beco ou lugar dos subúrbios das principais cidades da Região Metropolitana do Recife, a qualquer hora do dia ou da noite, você pode topar com um grupo de jovens usando drogas. A preferência é pelo crack, que embora tenho o mais devastador efeito sobre o organismo humano, é a mais barata das drogas. Em qualquer pelada, seja lá onde for, jovens fumam crack ou maconha. E no meio deles, o traficante distribuindo o "produto" para quem queira usar. Você sabe, eu sei... e as autoridades, será que não sabem?

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Eliminar as drogas passa pela eliminação dos traficantes? Há controvérsias. Enquanto houver usuários de drogas haverá fornecedor, traficantes nas várias escalas hierárquicas da "profissão". E enquanto houver quem produza as drogas haverá traficante e consumidor. E ai, como fica? Destruir as fontes de produção das drogas causará desemprego generalizado e fome nas regiões onde elas ocupam grande volume de mão-de-obra. Por outro lado, os maiores consumidores de drogas estão nos Estados Unidos e na Europa. Combater usuários de drogas descamisados e descalços é uma coisa; combater viciados ricos, como a classe média americana e européia é outra coisa bem diferente.

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Então, vamos esperar que as outras cidades brasileiras se transformem em redutos dominados pelo tráfico como o Rio de Janeiro? Que fazer? Que País queremos para os nossos filhos? Que País é esse que estamos construindo? É bom lembrar aqui as palavras de Marcola. O bandido que se intelectualizou lendo clássicos gregos na prisão oferece a receita para resolver o problema. Em sua célebre entrevista, Marcola diz que o crime cresceu no vácuo deixado pelas autoridades constituídas do País; não levando as crianças cariocas para a escola, as autoridades as entregaram nas mãos dos traficantes, que as transformaram em bandidos. Esse processo de abandono de nossas crianças ainda estar em curso no País. Só no Rio de Janeiro existem cerca de 650 favelas. No Complexo do Alemão existem mais de 30 mil casas com uma população estimada de 200 mil pessoas. Por aqui, em menores proporções é verdade, caminhamos na mesma direção. É preciso estancar essa sangria de valores humanos deixando a ordem e desaguando na malandragem; dando mais atenção às nossas crianças e aos nossos adolescentes. Dando-lhes oportunidades de serem trabalhadores qualificados e cidadãos, ou entregando-os ao tráfico.

      

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