E U R O P A
A QUEBRADEIRA CONTINUA
O panorama político e econômico da Europa continua se
degradando. E essa parece ser uma tendência de todo o Ocidente. A última notícia ruim que abalou o Continente foi o balanço do Reino Unido. Os ingleses
foram surpreendidos com um crescimento negativo da produção industrial apontado
por esse balanço. E isso põe em cheque o
comando do primeiro-ministro David Cameron. Mais um resultado negativo tornará
insustentável sua liderança política; e ele pode renunciar. Na França, Nicolas Sarcozy perdeu terreno para
seu concorrente, um socialista. As pesquisas de opinião e de intenção de votos
indicam a derrota de Sarcozy nas eleições
que serão realizadas daqui a duas semanas. Os governos da Espanha, da
Itália, de Portugal, da Grécia ainda não se consolidaram. A reação popular às
medidas de “austeridade” adotadas por esses governos são extremamente
impopulares. Os trabalhadores desses países não aceitam redução dos seus
salários e cortes na área social. No contraponto, as elites preservam e ampliam
suas riquezas. Em Portugal e na Espanha aumenta o número de desempregados e parte
da população já está na praça mendigando. Esse é um quadro social somente visto
na recessão pós-queda das bolsas em 1929. Um momento histórico que sucedeu a I
Grande Guerra e antecedeu a II Guerra Mundial. Hoje, ao que parece, não há
clima para guerras na Europa. A União Europeia, apesar de cambaleante, tem
estrutura para saídas políticas para suas pendências. O grande problema do Velho
Continente é o euro. Mas as lideranças europeias não estão dispostas a abrir
mão da nova moeda.
A mola que equilibra a economia mundial hoje é a China. O
gigante asiático pôs um freio no seu programa de crescimento econômico. Ainda
assim suas importações de matérias primas e alimentos ajudam os países em
desenvolvimento e de algum modo ajudam a sofrida Europa. Embora tenham
encolhido um pouco, os Estados Unidos ainda
importam uma grande gama de produtos europeus, e isso vai aliviando a balança
dos países da zona do euro. As despesas europeias com as tropas aquarteladas no
Oriente Médio pesam no orçamento da
União continental. E as necessidades de combustível – no caso, o petróleo asiático,
obrigam a Europa a manter essas despesas militares. Esse é um caldeirão
fervente difícil de ter sua ebulição diminuída. Esse panorama não tem previsão
para acabar. Pode mergulhar o mundo numa crise maior do que a que vive as
nações europeias da zona do euro. A insatisfação popular é generalizada,
universalizada. As relações de trabalho estão cada vez mais conturbadas no
Ocidente. O modelo de desenvolvimento do mundo ocidental está falido, e o
sistema capitalista que regula tudo isso dá mostra de que se esgotou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário