NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 24 de abril de 2012


       O  BRASIL NÃO TEM TRADIÇÃO DEMOCRÁTICA

Os partidos políticos brasileiros são instituições personalizadas. Quando isso não acontece é porque a sigla está esfacelada e dividida entre os interesses de grupos de conteúdos ideológicos distintos ou simplesmente de cunho pessoal. O PT, por exemplo, não é um partido, mas uma frente constituída de dezenas de tendências que podem no futuro se transformarem em novos partidos. Assim era o antigo MDB, que deu cria a partidos políticos de ideologias diferentes. Os Democratas são fruto de uma metamorfose que ocorreu em relativo curto espaço de tempo. No início era a ARENA, braço político do governo  militar. Passou a se chamar  PDS, importando uma ideologia europeia com a qual nunca se identificou. Mudou de nome; adotou a sigla PFL, que de tão desgastada diante do eleitor e do público em geral resolveu rebatizar-se. Agora é Democratas. O PPS, esse é um partido de estranha  configuração histórica. Personalista, na verdade resume-se no plano nacional ao deputado Roberto Freire. Freire, que trocou Pernambuco (onde não se elegeria nem mais para vereador do Recife)  por São Paulo onde se elegeu deputado federa  é o eterno dono do partido. Os demais membros são meros figurantes de nenhuma expressão nacional. O regime sucessório do PPS é o mesmo do Partido Comunista, de onde se originou. O presidente é sempre o Freire, e de lá ele só sai se for  derrubado. Mas por quem?

O PMDB não foge à regra. Continua uma frente composta de grupos de ideologias duvidosas. E dividido em grupos antagônicos. Vejam só alguns desses  líderes  de  grupos:  José Sarney (MA), Renan Calheiros (AL), Michel Temer (SP), Jarbas Vasconcelos (PE). E o PSDB? Esse é um partido paulista, que vai se esvaziando aos poucos. Ainda não sofre uma queda brusca porque tem nos seus quadros a figura de Fernando Henrique Cardoso. Mas caminha para se tornar inviável. Como há hoje uma certa afinidade entre PSDB e Democratas, que também vai estreitando, a lógica política aponta para a fusão dos dois, com a criação de uma nova sigla. O PSD, de Gilberto Kassab, está atrelado ao PSB, de Eduardo Campos, com o qual deve se fundir. Os outros partidos não tem representatividade nacional, e só servem para fazer barulhos nos anos eleitorais. Essas transformações sem conteúdo ideológico que vem ocorrendo no quadro partidário brasileiro apontam para uma realidade: ainda estamos longe de termos partidos fortes, identificados com os anseios da população. Ou seja: o Brasil não tem tradição política e democrática suficiente para formar partidos que se consolidem. Ainda temos um longo caminho a percorrer até chegarmos lá.


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