O BRASIL NÃO TEM TRADIÇÃO DEMOCRÁTICA
Os partidos políticos brasileiros
são instituições personalizadas. Quando isso não acontece é porque a sigla está
esfacelada e dividida entre os interesses de grupos de conteúdos ideológicos
distintos ou simplesmente de cunho pessoal. O PT, por exemplo, não é um
partido, mas uma frente constituída de dezenas de tendências que podem no
futuro se transformarem em novos partidos. Assim era o antigo MDB, que deu cria
a partidos políticos de ideologias diferentes. Os Democratas são fruto de uma
metamorfose que ocorreu em relativo curto espaço de tempo. No início era a
ARENA, braço político do governo militar. Passou a se chamar PDS, importando uma ideologia europeia com a
qual nunca se identificou. Mudou de nome; adotou a sigla PFL, que de tão
desgastada diante do eleitor e do público em geral resolveu rebatizar-se. Agora
é Democratas. O PPS, esse é um partido de estranha configuração histórica. Personalista, na
verdade resume-se no plano nacional ao deputado Roberto Freire. Freire, que
trocou Pernambuco (onde não se elegeria nem mais para vereador do Recife) por São Paulo onde se elegeu deputado federa é o eterno dono do partido. Os demais membros
são meros figurantes de nenhuma expressão nacional. O regime sucessório do PPS
é o mesmo do Partido Comunista, de onde se originou. O presidente é sempre o
Freire, e de lá ele só sai se for
derrubado. Mas por quem?
O PMDB não foge à regra. Continua
uma frente composta de grupos de ideologias duvidosas. E dividido em grupos
antagônicos. Vejam só alguns desses
líderes de grupos: José Sarney (MA), Renan Calheiros (AL), Michel
Temer (SP), Jarbas Vasconcelos (PE). E o PSDB? Esse é um partido paulista, que
vai se esvaziando aos poucos. Ainda não sofre uma queda brusca porque tem nos
seus quadros a figura de Fernando Henrique Cardoso. Mas caminha para se tornar
inviável. Como há hoje uma certa afinidade entre PSDB e Democratas, que também
vai estreitando, a lógica política aponta para a fusão dos dois, com a criação
de uma nova sigla. O PSD, de Gilberto Kassab, está atrelado ao PSB, de Eduardo
Campos, com o qual deve se fundir. Os outros partidos não tem
representatividade nacional, e só servem para fazer barulhos nos anos
eleitorais. Essas transformações sem conteúdo ideológico que vem ocorrendo no
quadro partidário brasileiro apontam para uma realidade: ainda estamos longe de
termos partidos fortes, identificados com os anseios da população. Ou seja: o
Brasil não tem tradição política e democrática suficiente para formar partidos
que se consolidem. Ainda temos um longo caminho a percorrer até chegarmos lá.
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