O Congresso Nacional acaba de
instalar uma Comissão Mista de Inquérito (CPMI). O objetivo da Comissão é
investigar a organização criminosa supostamente chefiada por Carlinhos
Cachoeira, um homem poderoso, conhecido como
“bicheiro”, mas na verdade dono de grandes empresas de diferentes ramos. Umas
reais e outras de fachada. Carlinhos Cachoeira é praticamente “dono” do Estado
de Goiás. Sua influência sobre os políticos daquele Estado, inclusive o
governador, vem sendo aos poucos desvendadas pelos órgãos de investigação e
controle do Governo Federal. Graças ao
trabalho investigativo da Polícia Federal vasado através de órgãos da imprensa,
pessoas importantes e algumas tidas como impolutas e moralistas vem sendo
denunciadas como corruptas e algumas como membros de organizações criminosas
que enriquecem às custas de propinas ou envolvimento direto nos negócios sujos
do submundo do crime.
Emblemático é o caso do
envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o bicheiro Carlinhos
Cachoeira. Daquilo que parecia apenas uma pequena falha de conduto surgiu a
certeza de que Demóstenes é o braço inteligente de Cachoeira nos negócios ilícitos do Estado de Goiás. A
mulher do senador estaria igualmente envolvida nas tramoias do esquema. E essas ações teriam reflexos diretos no
Congresso Nacional e possivelmente no Poder Executivo Nacional. Demóstenes
Torres atuaria conjuntamente com Carlinhos Cachoeira e com o governador Marcondes Pirilo (PSDB-GO).
Faria também parte do esquema criminoso
o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O chefe do executivo do
DF é acusado de receber propina de empresas supostamente pertencentes a
Carlinhos Cachoeira. Ao tempo em que foi
ministro dos esportes, Agnelo Queiroz foi acusado de desvio de verbas do
ministério. A Controladoria Geral da
União (CGU) possuiria registros de ações criminosas de Agnelo Queiroz quando membro do governo. Essas ações a serem
investigadas pela CPMI provavelmente têm conexões dom o Mensalão, os Sanguessugas
e outros escândalos já do conhecimento público. Não pertencem a nenhum partido
em particular, mas a todos eles. Vai desmascarar a “decência” do PPS de Roberto
Freire e os slogans enganosos dos demais partidos políticos brasileiros. O
miolo de todo negócio escuso nas esferas políticas é de ordinário localizado onde existe mais
dinheiro. No caso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Pouco importa se os
negócios sujos são patrocinados pelos governadores ou não. É preciso investigar
e denunciar à Nação.
Acontece que uma CPI começa com
uma finalidade específica. Geralmente se desvia dessa finalidade, investe
contra outras figuras suspeitas da esfera administrativa. E ninguém sabe
exatamente como vai acabar a CPI. Mormente quando é uma comissão mista, como
essa que acaba de ser instalada. As investigações da CPMI com certeza vão pegar
figurões famosos da vida pública brasileira. E é bom que isso aconteça e traga
a público os nomes dos corruptos cujas ações deletérias contaminam as
instituições do País. Mas é importante que a Nação fique alerta para a condução
dos trabalhos da CPMI, e exija que ela
investigue todos aqueles que vivem de sugar os recursos públicos que poderiam
ser usados na educação, na saúde, na segurança, na geração de emprego e renda
para a população economicamente ativa. Não vale o espírito corporativo do
Congresso proteger bandidos e criminosos
trasvestidos de parlamentares, juízes de tribunais superiores ou qualquer tipo
de agentes dos Poderes Públicos em
qualquer nível hierárquico. E já que os trabalhos investigativos de toda CPI
acaba transbordando e invadindo “terras” protegidas por escudos de esquemas
políticos “subterrâneos”, que tal que essa
que vai surgindo ai quebre essas barreiras corporativas e vá fundo na
identificação do nascedouro do mar de lama que corre por baixo das instituições da Nação em todos os seus
níveis?
Não vale passar ao largo e deixar
de fora figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Michel Temer, Edson
Lobão, José Agripino Maia, Inocêncio Oliveira e tantos outros corruptos desta
Nação. É preciso desvendar os desmandos que a família Sarney pratica lá pelo
Maranhão, e mostrar à Nação porque aquele Estado é tão pobre apesar do clima
pré-amazônico e de sua vasta potencialidade de recursos naturais. Igualmente,
pode-se desvendar as ações criminosas de Renan Calheiros, Collor e suas gangues
responsáveis pelo atraso econômico e social das Alagoas. Puxando a ponta da linha, o
novelo vai desenrolando e mostrando as figuras enredadas nas tramas criminosas desses
Estados do Nordeste. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás,
Espírito Santo e unidades federativas de outras regiões do País também precisam explicar muita coisa. Se é para
fazer uma CPMI, que ela seja verdadeira e cumpra com a árdua missão de, “espalhando-se
do seu leito”, possibilitar a desinfecção da vida pública brasileira.
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