PROPAGANDA E MARKETING
DUAS FERRAMENTAS QUE SE CONFUNDEM NA ARTE DE ILUDIR
Emílio J. Moura
(emiliojmoura@hotmail.com)
Você gosta de conforto? Claro que
sim. E aprecia bons vinhos, comida saborosa, aquela sobremesa cremosa. Como tá
satisfeito com esse vidão! Casa com jardim de flores trescalando perfumes e
pomar com aquelas frutas suculentas que alimentam seu corpo, seu espírito e sua imaginação. Além de projetarem aquela
sombra sob cuja proteção você arma a rede para uma sesta depois daquele almoço
com frutos do mar em companhia dos amigos que costumam pegar a estrada cedo
para fugir aos trancos do trânsito e no qual esquece as
amarguras da vida. Um carrão na garagem alimentando sua vaidade e a inveja dos
que no máximo pedalam uma bicicleta. Sua televisão é aquele telão de plasma ou
led; canais a cabo lhe oferecem em seu sofá confortável vastíssima programação que
vai dos desenhos animados aos grandes filmes de hollywood, passando pelos
canais de esportes e pelos documentários falando da vida animal, do meio ambiente e do cenário
físico, biológico e antropológico deste complicado planeta chamado Terra. E
você ainda tem uma quantidade enorme de
amigos que nunca viu; conheceu-os através dessa maravilha que são as redes
sociais interligando o mundo inteiro através do computador. Muitas vezes você
nem sabe se está falando com ele ou com ela. A casa da praia é seu refúgio de
fim de semana. Lá você pisa na reconfortante areia macia e nas águas tépidas do
mar, recarregando as baterias para retomar o trabalho – se é que você trabalha
– na semana seguinte. Instiga sua imaginação viajar num trem bala, ou fazer um
cruzeiro num desses transatlânticos luxuosos que superam os requintes de um
hotel cinco estrelas. É só agendar, sua conta bancária lhe dá oportunidades
quase ilimitadas através dos seus cartões de crédito, e seu cheque especial
cobre tudo. Quanto luxo, hein!
Mas, será que você tem todo esse conforto mesmo? Sua casa é realmente segura, você está
respaldado em alicerces física, econômica e socialmente consistentes? Olha que você pode ser mais uma
dessas vítimas do marketing. Você pode está sendo levado pela estratégia
mirabolante dessa coisa incrível chamada propaganda. O marketing é tão
eficiente na sua sempre renovada capacidade de iludir que, usando o linguajar popular, pode
fazer gato passar por lebre. Mas, o que
é propaganda? O que é mesmo esse tal de Marketing?
Conforme define o Dicionário de
Termos de Marketing, ”marketing é o processo de planejar e executar concepção,
preço, promoção e distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que
satisfaçam objetivos individuais e organizacionais". Isso, evidentemente,
em teoria. Na prática, o marketing se confunde com a propaganda. Têm
praticamente os mesmos objetivos. E quem sai mais satisfeito de tudo isso não
são bem os indivíduos, mas os sistemas organizacionais.
Mas, quem inventou o marketing? A
resposta a essa pergunta é complicada. Se quisermos saber quem inventou o
marketing teremos que mergulhar numa história cheia de lances incríveis. É o
mesmo que tentar descobriu quem inventou a televisão, o computador, a internet.
Há um personagem responsável pela invenção de cada uma dessas maravilhas
tecnológicas. E essa é a história do marketing.
Mas, a história do marketing pode estar associada a um
cidadão americano, um soldado. Karl Rhenborg foi enviado pelos Estados Unidos
para a guerra contra a China na década de 20 do século passado. Aprisionado,
ficou detido num lugar estranho onde a comida era ainda mais estranha, misturava
frutas , papaia principalmente, sementes, plantas, raízes, ervas, salsinha,
agrião e alfafa. Karl acreditava que aquela dieta era uma forma de castigo que
o mataria lentamente. Quando, finalmente, libertado e voltou aos Estados Unidos
achava que estava em péssimas condições de saúde. Foi contrariado pelos médicos
que o examinaram, e o acharam em ótimas condições físicas e mentais. A
divulgação da dieta usada por Karl no cativeiro gerou uma corrida por esse tipo
de combinação de alimentos, e seu nome ficou ligado à história não propriamente
de uma invenção – que não seria dele – mas do começo de um conjunto de procedimentos,
digamos, pouco convencionais.
No passado, quando não existiam
os recursos visuais de que se dispõe hoje, a propaganda tinha cunho religioso.
Era a propagação de princípios e teorias, conforme estabeleceu seu criador, o
papa Clemente VII, em 1597. Foi através dela que a Igreja propagou a fé cristã;
“plantava-se uma semente no coração de uma pessoa e se esperava que ela
brotasse e se propagasse, contaminando outras
pessoas”. “A fé se propaga através da palavra em Cristo”, era um conceito
criado e difundido pelo aludido papa.
Quando você observa o mundo que o
cerca, mensura o valor das coisas que tanto presa com certeza
está sendo um agente dessas ferramentas de difusão dos produtos da
formidável usina multiprocessadora regida pelo capitalismo. Arte, ciência e
tecnologia estão continuamente associadas no planejamento, execução, difusão e
comercialização de uma gama inimaginável de produtos, bens e serviços que vão
fazer a cabeça das pessoas, abastecer os lares, as indústrias, fomentar o
comércio, criar mais demandas e gerar impacto ambiental. A propaganda,
silenciosamente, vai incutindo na sua mente que você pode fazer o que a
televisão ou as inserções da internet mostram em termos de novidades
tecnológicas de ponta, gastronomia, decoração e um mundo incomparável de
produtos e serviços variados.
“A propaganda usa a tipologia, a
linguística e uma imagem para ser grafada ou apenas vista”, dizem os experts no
assunto. Seus veículos de difusão são principalmente as revistas, o rádio, o
jornal, a televisão.
Como arte, a propaganda utiliza elementos
visuais e sonoros, busca um fundamento artístico, lança mão de conceitos de movimentos, de estática, através
de divulgação dos produtos em revistas, jornais e outdoors ou na internet. i
Ao manifestar-se como Ciência,
manipula todos esses recursos. Como ciência, a propaganda manifesta-se na
totalidade de sua abrangência, usando a pesquisa, técnicas de persuasão,
planejamento mercadológico com as
estimativas da capacidade aquisitiva do público alvo.
A propaganda é, assim, uma
ferramenta de lavagem cerebral dos indivíduos que querem marcar sua presença em
família ou diante da sociedade. Embora o aparente interesse por você, o
segmento profissional da propaganda na verdade considera apenas seu status
bancário e as projeções possíveis de suas compras. Não se interessa por você
como ser humano, mas apenas como um número junto a outro número como senha.
19.01.1995
Quando voltou aos Estados Unidos,
trocado por prisioneiros, os médicos do Exército ficaram impressionados com a
sua saúde. Mais tarde, Rhenborg começou uma empresa a qual chamou de Nutrilite,
para vender vitaminas e produtos de nutrição no mercado americano. E a empresa existe até hoje, como subsidiária da
Amway, mas o mundo não vai se lembrar dos propósitos nutritivos dos produtos
processados por Rhenborg.
isual, sonora ou sensitiva busca
enfatizar que o produto ofertado é o que se precisa para satisfazer as
necessidades de consumo. Nesse momento valores são agregados ao produto,
fortalecendo a construção de uma marca ou imagem sólida. Desta forma se age com
a necessidade e desejo do receptor, em que a necessidade é o racional e o
desejo, a emoção.
Propaganda é definida como a
propagação de princípios e teorias. Foi introduzida pelo Papa Clemente VII, em
1597, quando fundou a Congregação de Propaganda, com o fito de propagar a fé
católica pelo mundo. Deriva do latim propagare, que significa reproduzir por
meio de mergulhia, ou seja, enterrar o rebento de uma planta no solo.
Propagare, por sua vez, deriva de pangere, que quer dizer: enterrar, mergulhar,
plantar. Seria então a propagação de doutrinas religiosas ou princípios
políticos de algum partido.