NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 9 de abril de 2013


                            A  DAMA  DE  FERRO
         MORRE  MARGARET THATCHER
Esse começo de semana  atraiu as atenções do mundo para os noticiários dos jornais e da televisão. Tensão na Ásia, quebradeira da economia europeia e, principalmente, a morte de Margaret Thatcher a  ex – primeira ministra   britânica que revolucionou  a prática econômica do mundo ocidental.  Chefiando o Conselho de Ministros  da Inglaterra de 1977 a 1990, Tatcher  aliciou uma legião de fãs e seguidores  e criou  um batalhão de inimigos. Destemida, chamando os adversários para o confronto ideológico,  a Dama de Ferro reinventou a economia inglesa  constituída de grandes empresas estatais  e fez valer o princípio de que o mercado se estabiliza por suas próprias regras. A economia de livre mercado imposta na Inglaterra por Margaret Thatcher ganhou o mundo e influenciou as grandes nações europeias, não deixando de ter participação efetiva nas mudanças econômicas registradas em todo o ocidente.
O neoliberalismo de Margaret Thatcher  fortaleceu o ideário democrático dos países europeus, levando-os a privatizar suas grandes empresas. Teve forte participação na queda do muro de Berlim, e na consolidação da União Europeia, antes um simples mercado comum regional. Mas teve a  visão do que viria acontecer com a unificação dos procedimentos econômicos da União, motivo pelo qual se negou a adotar o euro, preferindo manter sua tradicional libra esterlina. Mas Thatcher, em nome do neoliberalismo e da democracia,  cometeu muitos excessos. Fez a opção pelos mais ricos, enfrentou os sindicatos e fechou empreendimentos que geravam emprego e renda para algumas parcelas de trabalhadores ingleses. Intrépida, mobilizou as forças armadas britânicas para a invasão das Ilhas Malvinas, uma parte insular  do território argentino. Faltou-lhe nessa ocasião  o senso de diálogo, mas a vitória sobre as tropas argentinas ajudou a derrubar os generais da chefia do governo país vizinho. A atual quebradeira das nações europeias assustando os defensores da filosofia do livre mercado é em parte consequência da inflexibilidade de ideias capitalistas nascidas com a onda de privatizações  ditadas por Margaret Thatcher.
Nem anjo nem demônio, Margaret Thatcher é uma referência que não pode ser esquecida de um período de transição do pensamento econômico ocidental. O capitalismo é o modelo econômico por excelência do ocidente. Mas a ênfase dado ao capitalismo por Margaret Thatcher  não teve a flexibilidade pregada por seus arautos, e terminou gerando a insolvência que se vê na economia europeia dos nossos dias. Talvez porque, como filosofia econômica ou modelo de gerir os negócios, o capitalismo tenha se esgotado.
Margaret Thatcher não terá um funeral com honras de chefe de estado, como teve Winston Churchill, primeiro-ministro inglês durante a segunda guerra mundial. Até porque sir Winston Churchill  viu um mundo dividido e destroçado, que tentou mediar e unificar, e teve muitos mais méritos do que a Dama de Ferro.

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