INCLUSÃO E
CIDADANIA
Duas palavras frequentemente usadas por
políticos, sociólogos e demais profissionais ou amantes de estudos
sociais. Inclusão e cidadania soam como palavras miraculosas que podem solucionar num toque de mágica todos
os problemas de sociedades pobres e injustas, como a brasileira por
exemplo. Mas a verdade é que mesmos as
sociedades ricas necessitam de inclusão
e cidadania. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Barack Obama enfrenta dificuldades para aprovar no
Congresso a universalização da saúde. As elites sabem que não há milagres, e
que qualquer "ajuda" aos
pobres significa transferência de renda. Isto é, os ricos americanos não querem perder migalhas dos
seus patrimônios em benefício dos mais pobres.
No Brasil,
principalmente nas regiões menos ricas como o Nordeste, essas duas palavras têm
gosto de piada. Incluir significa levar os problemas dos mais pobres para o centro das discussões e encontrar soluções efetivas, práticas,
duradouras. Quando isso ocorre, se ocorre de fato, o cidadão verá os seus
problemas resolvidos; passa a viver em outro patamar social. E adquire status
de cidadania. Ou seja: produzir inclusão é fazer de um pária um cidadão, dando
a ele boas condições de moradia, acesso aos serviços básicos de saúde, abrindo-lhe
as portas para uma educação de qualidade, permitindo-lhe transporte seguro,
confortável, rápido e permanente. Não esquecer de proporcionar à pessoa
trabalho com renda que lhe permita manter a si e à sua família. Segurança em casa e na rua. Condições de lazer, com
viagens pessoais e familiares, acessíveis à economia do cidadão. Inclusão,
enfim, é a pessoa ter acesso direto a
todos os bens conquistados pela sociedade, através da tecnologia, da saúde e da
educação.
Essas aspirações, tão
apregoadas e prometidas por políticos, são em todas as regiões do País, meras
quimeras, miragens num deserto de mentiras, enganações e desrespeito às pessoas carentes. Habitação!
Constroem-se "conjuntos habitacionais" em periferias, para onde se
empurra a população mais pobres. Depois, isolam essas populações, deixando-as
entregues a sistemas de transportes
falidos, com integrações de estrutura vergonhosa (Tancredo Neves, Joana
Bezerra, etc.), com péssimos serviços de água encanada, energia elétrica, ruas
íngremes e escorregadias, postos de
saúde que não funcionam, escolas mal equipadas, abastecimento de alimentos
precários e demais deficiências que dificultam a vida das pessoas. Parte
considerável da população vive entocada como ratos em barreiras escadas nos morros, e nesses casos
é uma provocação falar em cidadania. O bem maior de uma sociedade é a educação,
mas educação de qualidade, com escolas bem equipadas e professores qualificados
e motivados por bons salários. Nesse item, estamos ainda bem distante dos
benefícios da inclusão social e mais ainda da cidadania plena.
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