NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

                  INCLUSÃO  E  CIDADANIA
Duas palavras  frequentemente  usadas por  políticos, sociólogos e demais profissionais ou amantes de estudos sociais. Inclusão e cidadania soam como palavras  miraculosas  que podem solucionar num toque de mágica todos os problemas de sociedades pobres e injustas, como a brasileira por exemplo.  Mas a verdade é que mesmos as sociedades ricas  necessitam de inclusão e cidadania. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente  Barack  Obama  enfrenta dificuldades para aprovar no Congresso a universalização da saúde. As elites sabem que não há milagres, e que qualquer  "ajuda" aos pobres significa transferência de renda. Isto é, os ricos  americanos não querem perder migalhas dos seus patrimônios em benefício dos mais pobres.
No Brasil, principalmente nas regiões menos ricas como o Nordeste, essas duas palavras têm gosto de piada. Incluir significa levar os problemas dos mais pobres  para o centro das discussões  e encontrar soluções efetivas, práticas, duradouras. Quando isso ocorre, se ocorre de fato, o cidadão verá os seus problemas resolvidos; passa a viver em outro patamar social. E adquire status de cidadania. Ou seja: produzir inclusão é fazer de um pária um cidadão, dando a ele boas condições de moradia, acesso aos serviços básicos de saúde, abrindo-lhe as portas para uma educação de qualidade, permitindo-lhe transporte seguro, confortável, rápido e permanente. Não esquecer de proporcionar à pessoa trabalho com renda que lhe permita manter a si e à sua família. Segurança  em casa e na rua. Condições de lazer, com viagens pessoais e familiares, acessíveis à economia do cidadão. Inclusão, enfim, é a pessoa  ter acesso direto a todos os bens conquistados pela sociedade, através da tecnologia, da saúde e da educação.
Essas aspirações, tão apregoadas e prometidas por políticos,  são em todas as regiões do País, meras quimeras, miragens num deserto de mentiras, enganações  e desrespeito às pessoas carentes. Habitação! Constroem-se "conjuntos habitacionais" em periferias, para onde se empurra a população mais pobres. Depois, isolam essas populações, deixando-as entregues a sistemas  de transportes falidos, com integrações de estrutura vergonhosa (Tancredo Neves, Joana Bezerra, etc.), com péssimos serviços de água encanada, energia elétrica, ruas íngremes e  escorregadias, postos de saúde que não funcionam, escolas mal equipadas, abastecimento de alimentos precários e demais deficiências que dificultam a vida das pessoas. Parte considerável da população vive entocada como ratos em  barreiras escadas nos morros, e nesses casos é uma provocação falar em cidadania. O bem maior de uma sociedade é a educação, mas educação de qualidade, com escolas bem equipadas e professores qualificados e motivados por bons salários. Nesse item, estamos ainda bem distante dos benefícios da inclusão social e mais ainda da cidadania plena.


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