O TÚNEL DAS ÁGUAS ENSOMBRADAS
O rio corria sonoro dentro
de um túnel longo e escuro
formado pela copa espessa dos ingazeiros. Aquela escuridão assustava até quem
ja estava acostumado a eventualmente percorrer aquele trajeto onde o ruído das
águas e a escuridão instigavam a imaginação. Só uma réstia de luz, aqui, ali ou acolá, furando o teto da densa
folhagem quebrava a monotonia do ambiente a um só tempo estranho e perigoso.
Não era possível enxergar as pedras do leito do rio dentro daquele canal. O rio
era piscoso, fundo e largo. A travessia
de um lado para outro do rio só era possível através de balsa ou jangada presa
a correntes amarradas em postes fincados
às margens opostas do mesmo. Poucos
pontos permitiam passagem perigosa sobre
pedras escorregadias e separadas umas
das outras. O curto túnel atraia a curiosidade de viajantes aventureiros munidos de suas lamparinas a gás. E de
artistas locais que reproduziam a ponta de grafite aquela cena difícil de
descrever com palavras.
(Trecho do meu livro Sonhos
e Desilusões...)
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