NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

    
 CIDADANIA E REJEIÇÃO
A QUEM A CIDADE PERTENCE?
A história se repete. As elites quererem empurrar  os seguimentos mais pobres da cidade do Recife para a periferia. Primeiro foi  a expulsão desses seguimentos da pouca conhecida Rua de Jangada. Há mais ou menos 70 anos. Erradicou-se naquela época  todo um conjunto de casas de diversos feitios, como a vila dos pescadores da Colônia Z 1, a rua das calçadas altas e um resíduo de sítio histórico onde provavelmente existiu um baronato. Uma população heterogênea que vivia da pesca direta ou a intermediando. Em poucos meses, centenas de caminhões de barro  foram colocados sobre a areia sobre a qual a vila se assentava. E centenas de pessoas foram forçadas a deixar o lugar onde muitas delas  nasceram e cresceram. As elites que implantavam o  Cabanga Iate Clube não aceitavam conviver com integrantes de uma comunidade cujas casas não tinham saneamento básico, sequer uma fossa, e cujos excrementos eram de ordinário jogados na maré. Uma população de pescadores, comerciantes, industriários e biscateiros que vivia feliz perto do centro da cidade, que era acessada a pé através do areal do Chupa. Antes, já haviam expulsado os habitantes da Gameleira, um denso  povoado que existia nas imediações do atual batalhão do exército, ali na Cabanga. A "cidadela" de lona e palha de coqueiro incomodava a elite que morava na Av. Saturnino de Brito, cuja artéria dava passagem para o bonde ir até ao Pina. Já haviam expulsado pessoas que moravam no mangue entre a Rua de Jangada e o Cais de Santa Rita. A área foi aterrada por dragagem; milhões de metros cúbicos de areia foram retirados da bacia do Pina e formaram o areal chamado Chupa. Décadas depois é que foram construídos armazéns  de açúcar e tancagem na área.

O projeto do bairro que se chamará Novo Recife, é mais uma repetição do nojo que as elites nutrem pelas classes menos favorecidas. Serão construídos prédios de apartamentos para a classe A. E alguns otários - trabalhadores de atividades primárias das periferias das imediações louvam a iniciativa de grupos empresariais que planejaram o no Novo Recife. Não vêm que mais cedo ou mais tarde virá o seu deslocamento das áreas onde residem perto do centro da cidade. Os autores do projeto Novo Recife, na sua visão elitista, entendem que pobre está muito bem sendo porteiro, babá, arrumadeira, zelador, cozinheiro doméstico ou assemelhados; só serviriam para isso! E pessoas assim devem morar bem distante das "áreas nobres". Afinal, elas foram contempladas com benefícios como o BRT, os TI de Integração do tipo Tancredo Neves e outras novidades que bem lembram um cenário da Índia, além de disporem de um serviço de "metrô" como o do Recife e de postos de saúde e hospitais como os da RMR. Sabemos que o Novo Recife, passando ou não por mudanças no projeto original, veio para ficar. Afinal, essa coisa de cidadania, muito apregoada por intelectuais ou teóricos sociais, é algo tão fugaz como o salário-mínimo pago ao trabalhador brasileiro. O que é permanente é esse espírito de rejeição dos mas pobres pelas elites.

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