QUIRINO, O ERMITÃO
Uma casinha de barro, coberta de
sapé. Um quarto e uma sala, uma latrina um pouco distante. externa também ficava a cozinha de fogão de lenha; panelas de barro.
Feijão cultivado na horta ao redor, quiabo, maxixe, jerimum, tomate, pimentão,
repolho; no pomar, manga, sapoti, melancia, melão, tudo de folhagem furadinha na condição orgânica do cultivo. Farinha
fabricada ali mesmo, com muito trabalho e dedicação e em meio ao beiju feito da mesma massa de mandioca. Peixe e
camarão pescados no pequeno lago perene de águas claras e serenas ali pertinho.
A cabra de leite, o pai-de-chiqueiro,
uns porquinhos vermelhos para garantir
uma renda mínima ao aldeião; Galinhas soltas na capoeira e o cão farejador de
raposas e onças a respaldar o sono do homem solitário de setenta anos, forte,
corado e acostumado a dormir com os pássaros e acordar com o galo. Saiu da urbe
ainda criança, andou por engenhos e sítios, e já aos vinte anos, cansado do
vozerio dos aglomerados humanos encontrou refúgio naquele paraíso distante das
contendas urbanas. Nunca ouviu falar em televisão, cinema, computador.
Tecnologia pra ele era pescar um maior quinhão de peixe ou camarões. A longa
trilha que atravessa a mata só era usada
por ele para ir à feira comprar
querosene, sal e outras pequenas coisinhas
de uso doméstico. Seu Quirino era um homem feliz!
Nenhum comentário:
Postar um comentário