NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 9 de agosto de 2014

                      QUIRINO, O ERMITÃO

Uma casinha de barro, coberta de sapé. Um quarto e uma sala, uma latrina um pouco distante. externa  também ficava  a cozinha de fogão de lenha; panelas de barro. Feijão cultivado na horta ao redor, quiabo, maxixe, jerimum, tomate, pimentão, repolho; no pomar, manga, sapoti, melancia, melão,  tudo de folhagem furadinha  na condição orgânica do cultivo. Farinha fabricada ali mesmo, com muito trabalho e dedicação e  em meio ao beiju  feito da mesma massa de mandioca. Peixe e camarão pescados no pequeno lago perene de águas claras e serenas ali pertinho. A cabra de leite, o  pai-de-chiqueiro, uns porquinhos vermelhos  para garantir uma renda mínima ao aldeião; Galinhas soltas na capoeira e o cão farejador de raposas e onças a respaldar o sono do homem solitário de setenta anos, forte, corado e acostumado a dormir com os pássaros e acordar com o galo. Saiu da urbe ainda criança, andou por engenhos e sítios, e já aos vinte anos, cansado do vozerio dos aglomerados humanos encontrou refúgio naquele paraíso distante das contendas urbanas. Nunca ouviu falar em televisão, cinema, computador. Tecnologia pra ele era pescar um maior quinhão de peixe ou camarões. A longa trilha que atravessa a mata só era  usada por ele  para ir à feira comprar querosene, sal  e outras pequenas coisinhas de uso doméstico. Seu Quirino era um homem feliz!

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