CHUVAS, TRENS E AVIÕES
Com mais de 760 mortes confirmadas e 430 pessoas desaparecidas sobe para 1190 o cálculo oficial das vítimas das enxurradas na Região Serrana do Rio de Janeiro. Cálculos aquém da realidade que se descortina diante dos olhos dos telespectadores que assistem aos noticiários da televisão e percebem a extensão da tragédia que se abateu sobre aquela região. Só ontem, 6ª-feira, as autoridades do Rio confirmaram ter chegado a todos os recantos atingidos pela avalanche de terra, árvores, destroços de casas e todo tipo de monturo descido dos morros tangidos pela violência das águas. Será que chegaram mesmo? Há na cultura brasileira a tendência de minimizar os efeitos das tragédias, reduzindo o número de vítimas. A expectativa hoje é que a quantidade de vítimas não seja inferior a 1.500 mortos e a mais de 300 desaparecidos, muitos dos quais jamais serão encontrados. É a lição que têm deixado eventos catastróficos dessa magnitude em várias regiões de um País sem tradição em planejamento de risco e despreparado para fazer face às necessidades decorrentes desses eventos naturais.
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O caso da compra do caças pela FAB viveu mais um capítulo novelesco. Parece que ninguém no governo se entende a respeito de que avião militar em observação é melhor para o Brasil. A Aeronáutica tem uma opinião, o ministro da defesa outra e a presidente Dilma Rousseff, além de incluir na lista dos prováveis fornecedores dos caças novas fábricas e modelos, resolveu adiar a decisão. Claro que o menor preço é o desejável dentro do critério de licitação. Mas a qualidade do produto, a transferência de tecnologia de produção, de transmissão de dados para controle das aeronaves e instalação de estações de rastreamento das mesmas deve pesar na hora da decisão. Pena que possuindo tecnologia própria (EMBRAER), técnicos de reconhecida capacidade e com certeza recursos para a produção dos caças aqui mesmo no Brasil, não se tenha feito um esforço para prestigiar esse setor da indústria nacional. Associação com um fabricante renomado seria uma boa saída.
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O trem de alta velocidade que deverá sair de Campinas (SP) com destino ao Rio de Janeiro já está com atraso de algumas décadas. Uma indústria ferroviária nacional impulsionaria o desenvolvimento do País e abriria um mercado de trabalho de grande monta, além de colocar o Brasil na pauta das grandes exportações mundiais. O lobby da indústria automobilística tem impedido que a questão seja colocada em pauta pelas autoridades brasileiras. O bicho-papão do trem aterrorizou setores do governo com o alarme de que milhares, talvez milhões de brasileiros trabalhadores do setor de transporte fossem jogados ao desemprego. O metrô, que já existia ma Europa desde meados do século 19; na Argentina o transporte por ferrovia leva décadas de vantagem sobre o Brasil. Temos grandes construtoras que estão presentes em grandes obras de engenharia no mundo inteiro. E que serão capazes de escavar túneis para interligar por trem as grandes metrópoles brasileiras. Falta coragem, decisão política, patriotismo e planejamento adequado para virar essa página da nossa história de transportes de massa.
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Falando em transporte, a malha aérea do Brasil escolheu em relação ao crescimento demográfico e econômico do País. Os motivos são bem conhecidos: falta de investimentos em aeroportos e um precário quadro de empresas aéreas brasileiras. Foram-se a Varig, a Vasp, a Transbrasil e chegaram empresas sem a qualidade das que sumiram. Reduziram-se as viagens domésticas, e as internacionais em muitos casos só podem ser viabilizadas a partir do Rio de Janeiro ou São Paulo. Pernambuco deixou de ser ponto de escala de muitos voos internacionais. Embora o aumento dos voos fretados, o Estado, pela sua atual importância econômica e política, necessitaria de mais rotas domésticas e internacionais partindo ou fazendo escalas no Recife. O Aeroporto Internacional dos Guararapes necessita de ampliação, melhoria de sua infraestrutura e de um conjunto de lojas à altura de sua importância.
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