NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 25 de março de 2012


“O brasileiro é o único povo que ri da própria desgraça”

                                                                     - Chico Anísio

 Morreu aos oitenta anos Chico Anísio. Humorista, escritor, ator, compositor, radialista, diretor, artista plástico, o “homem das mil faces” deixa uma lacuna difícil de ser preenchida. A perda é irreparável para a cultura do povo  brasileiro. Jô Soares, seu velho companheiro em programas humorísticos  imemoráveis na televisão, foi muito feliz quando afirmou que Chico Anísio “desmente um pouco” a tese segunda a qual ninguém é insubstituível. Com seus mais de duzentos personagens, Chico Anísio foi o maior artista brasileiro de todos os tempos. A entonação de voz de cada um de seus personagens  é ímpar. E cada personagem  tem um bodão próprio, o que valorizava  ainda mais a capacidade de criar e representar do famoso humorista.  

Nascido em 12 de abril de 1931 no município de Mamanguape, Ceará, berço de muitos humoristas e outros artistas versáteis, Francisco  Anísio de Oliveira Filho  atuou no rádio e nos palcos pernambucanos. Cada apresentação do mestre do riso era um espetáculo único, com sua marca pessoal. Na sua era de ouro na televisão Globo criou os personagens que mexiam com a realidade da sociedade brasileira; retratou o caipira; o político corrupto na figura de Justo Veríssimo;  o malandro; a dupla de cantores baianos; o jogador de futebol sem noção; o sertanejo contador de histórias inverossímeis; o gay; a velha insolente que fustigava o presidente da República e tantos outros personagens que se identificavam com os vários estratos sociais do povo brasileiro. Homem rico, situado na zona da classe socialmente mais privilegiada da nossa sociedade, Chico Anísio, mais do que qualquer outra pessoa, viveu diante das câmeras  os tipos populares encontrados nas diversas regiões do País. Fazendo-nos rir, Chico Anísio na verdade nos ensinou a entender nossa realidade e desdenhar e  superar os percalços de um povo que ainda constrói sua identidade nacional.

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