O TERRORISMO É SISTÊMICO
Antes endêmico
de algumas regiões, o terrorismo se espalhou por todos os continentes.
Tornou-se uma grandeza sistêmica. Mas sua maior incidência ocorre exatamente
nas áreas onde estão situados os maiores conglomerados econômicos do mundo.
Isso tem uma explicação lógica: concentração de riqueza significa maior poder
de opressão. Os recentes exemplos do jovem que assassinou sete ou oito pessoas
na França antes de ser executado pelas forças de segurança e o alerta da
Inglaterra para a possibilidades de
ações terroristas em seu território mostram que há uma relação direta de causa
e efeito. Tropas desses países europeus oprimem os povos do Afeganistão e de
outras nações da Ásia e África do Norte. Nicolas Sarcozy e David Cameron sabem
dos perigos a que seus países estão
expostos. E ambos precisam demonstrar força política para se manterem no poder.
As eleições gerais da França estão às portas, e Sarcozy precisa demonstrar
competência de gestor para convencer os eleitores a votarem nele. E nessa
peleja não pode titubear. Então, a política internacional e a diplomacia francesas se esforçam em
pressionar cada vez mais os seus potenciais adversários; justamente, os países
das áreas produtoras de petróleo. Como não podia deixar de ser, a pressão traz
a consequente reação. A situação de Cameron não é diferente.
Os
norte-americanos vivem permanentemente em vigília; a segurança dos Estados
Unidos é mais vigorosa, mais opressora. E por isso, aquele país é alvo
predileto dos ativistas islâmicos ligados aos braços armados das suas várias
facções. A guerra do Iraque, que nunca acabou, é um divisor de águas, isto é,
amacia a fúria dos grupos xiitas e sunitas mais interessados em medir forças
entre si e marcar território. Mas ninguém se engane. Toda essa demanda iraquiana que diariamente abastece com
notícias de atos terroristas os noticiários da televisão é um movimento
orquestrado por interesses capitalistas, que se aproveitam da rivalidade
religiosa das facções daquele País e da desordem geral no Afeganistão para resguardar sua
hegemonia militar e manter abertas as vias de escoamento do petróleo ali
produzido. Esse é um panorama visível em todos os continentes, dependendo da
capacidade econômica e militar de cada grupo de nações nesses continentes. É um
processo sistêmico impossível de ser devidamente avaliado.
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