NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 31 de julho de 2012


                 MENSALÃO E VALERIODUTO

O Supremo Tribunal Federal inicia nessa 5ª-feira o julgamento dos réus do processo conhecido como Mensalão. Mais de 40 pessoas serão julgadas por diversos crimes. Peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, entre outros. Mas a lista está incompleta. O valerioduto age no País há décadas. Por isso, muitos denunciados e outros já investigados de participarem do esquema de corrupção não foram citados pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, e igualmente ignorados por seu antecessor, Antônio Fernando de Souza, autor da denúncia dos réus. É necessário fazer uma varredura geral nas peças investigatórias produzidas desde os tempos de campanha de Fernando Henrique Cardoso. Ninguém acusa o ex-presidente de ter participado de atos ilícitos, mas o comitê de campanha de FHC  já recebia dinheiro do valerioduto. E não apenas o banco Rural serviu de estrada para trânsito do dinheiro que irrigou esse esquema de corrupção. O Banco Oportunity, de Daniel Dantas, talvez tenha sido o principal fornecedor de dinheiro para o esquema. Mas Daniel Dantas tinha costas largas. Agia impunemente, pois sabia que com Gilmar Mendes no supremo, ele “se entenderia bem”, e foi assim que escapou de muitas ações investigativas, ele e sua esposa. Já durante a campanha de FHC à presidência da República, o esquema atuava fornecendo dinheiro para esquentar a campanha. Mesmo durante o governo de FHC, José Serra, sua filha e o marido dela participaram de esquemas de corrupção, com lavagem de dinheiro levado para o exterior através de empresas fantasmas criadas em paraísos fiscais pela filha de José Serra e sua sócia, a esposa de Daniel Dantas.

É importante que todos os réus já qualificados sejam julgados; mas é indispensável que se vá buscar nos arquivos da Polícia Federal as peças investigatórias onde essas pessoas aqui citadas são denunciadas, indiciadas ou não, mas implicadas no esquema de corrupção. É preciso passar o País a limpo; limpar as esferas públicas do Executivo, Legislativo e Judiciário de pessoas corruptas. O esquema do Mensalão é apenas um fio do novelo de sujeiras que inunda os porões do poder há várias décadas.   O valerioduto vem  abastecendo  o esquema de corrupção, e sua atuação pode ser puxada analisando-se os inquéritos policiais produzidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em desde a década de noventa. Se essas pessoas desde então citadas e investigadas não forem incluídas no processo  que tem seu julgamento marcado para essa 5ª-feira a Justiça brasileira ficará em falta com a Nação.

A José Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Roberto Jeferson, Fernando Collor de Melo  sejam juntados também José Serra, sua filha e esposa, Daniel Dantas e esposa, e tantas outras pessoas que o Brasil inteiro conhece como agentes da corrupção. E que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicite a inclusão de agentes do Poder Judiciário  nos autos  do esquema de corrupção. A revista Carta Capital desta semana traz longo e pormenorizado histório desse esquema. Este blog, em vários ocasiões (ver índice remissivo) tratou com detalhes essa questão. Esperar o início e decorrer do julgamento, as providências complementares exigidas pela Nação; será um julgamento amplo, justo e imparcial, isso é o que a Nação espera.

domingo, 29 de julho de 2012


                                            HEPATITE

Sabe o que é hepatite? Já parou para pensar nas consequências dessa doença?

Etimologicamente: Hepato  = fígado + ite  = infecção, a hepatite é uma doença virótica que age silenciosamente e pode ter consequências desastrosas para sua saúde. Ou para sua vida. As formas mais investigadas da doença, portanto as mais importantes, são as dos vírus  A, B e C. A hepatite A é aquela que se adquire em ambientes sem cuidados higiênicos. A doença entra pela boca, geralmente levada por material fecal;  o descuido com a higiene das mãos,  o consumo de alimentos contaminados e outras condições análogas, de ordinário, são portas abertas para a invasão do vírus  A da hepatite, a mais comum. Já a hepatite B pode ser contraída através de uma gama enorme de fatores. No parto, mulheres contaminadas pelo vírus podem transmitir a doenças aos seus filhos. A hepatite B também é uma doença sexualmente transmitida (DST), por isso a necessidade de os parceiros eventuais ou aqueles parceiros permanentes  onde um é contaminado, terem o cuidado de se protegerem em relação ao contato com sangue. Outras formas de contaminação pelo vírus B: a) compartilhamento de agulhas contaminadas entre usuários de drogas; b) uso compartilhado de objetos cortantes, como alicates, navalhas e outros instrumentos usados em sala de beleza ou mesmo  por manicures domiciliares; c) internações hospitalares, quando condições de pouco caso com a higiene  ou compartilhamento de instrumentos cirúrgicos ou objetos de uso pessoal representam perigo de contaminação; d) médicos e profissionais da saúde, por suas proximidades com pacientes infectados.

A hepatite C tem sintomatologia discreta, podendo ser confundida com uma simples gripe. A transmissão da hepatite C é fundamentalmente feita através de transfusão sanguínea, quando não existe o controle rígido de qualidade nos bancos de sangue. Igualmente, o compartilhamento de agulhas contaminadas por drogados ou eventuais acidentes de trabalho envolvendo médicos, dentistas e outros profissionais de saúde que entram em contato com sangue contaminado. Não há certeza de que a hepatite C seja uma DST e sua transmissão através do parto é mínima, perto de 5%. Há cerca de 200 milhões de pessoas contaminadas pela hepatite C em todo o mundo. Essa forma de hepatite é mais comum em pessoas jovens e há tratamento para ela, quando detectada em tempo hábil. Esse tratamento é feito usando-se uma combinação de drogas medicamentosas.

Como já se disse, a hepatite atua de forma silenciosa. A médio e longo prazo, a hepatite pode complicar a saúde do portador desses vírus. Cirrose, complicações sistêmicas, inclusive cegueira, num primeiro caso. Câncer do fígado, que pode se espalhar por outros órgãos (metástase), notadamente os ossos, e isso é sinônimo de morte. Nessa semana mundial de combate à hepatite seria importante que as autoridades sanitárias disponibilizassem a vacina para todas as faixas etárias, e as prefeituras – responsáveis pelas ações básicas de saúde, tivessem uma programação financiada pelo governo federal para uma campanha nacional nos moldes das campanhas anuais contra a gripe.

Finalmente, é importante que se diga que a melhor forma de combater as hepatites é a prevenção. Há  vacinas contra as hepatites A e B; não existe vacina contra o vírus C, considerado hoje um grave problema de saúde pública, principalmente em países menos desenvolvidos. Adquirir o hábito de lavar as mãos e mantê-las sempre higienizadas. Cuidados redobrados com a higiene do ambiente em que você vive. Drenagem das águas paradas perto de sua casa e evitar contato com essas águas contaminadas em qualquer lugar. Cuidados redobrados nas relações sexuais, uso  de camisinhas ou se certificar que o parceiro não é portador do vírus da hepatite. Evitar o compartilhamento de seringas, alicates de unhas, navalhas ou outro objeto cortante ou perfurantes. Entre outros cuidados preventivos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

                                         PRECISAMOS DE PAZ

   Os dias passam, a sociedade entra em ebulição. O Produto desse “cozimento” depende de sua atitude. Se você se prender a velhas e superadas concepções, sua mente vai se travando. Para acompanhar o processo de evolução das ideias é importante que você não esqueça que há valores que o tempo não apaga; eles são intrínsecos à alma humana e regulam as relações entre as pessoas, estabilizando a sociedade. Falamos de ética, um conjunto de princípios comportamentais que nos foram ensinados pelos gregos mais de 4 mil anos antes de Cristo, e que, se observados, fazem com que as pessoas se respeitem entre si, se entendam no trabalho, se cumprimentem nas ruas e se solidarizem no lar. Qualquer um de nós que ignore esses postulados não sabe em que mundo vive, pisa num chão movediço e não enxerga o abismo que está logo adiante.
 Tiremos a venda dos nossos olhos e sejamos mais solidários; uma longa caminhada começa com um primeiro passo. Construamos a paz.
Jesus, o Cristo, privilegiou os mais humildes e as criancinhas; justamente porque eram - e continuam sendo, aquelas parcelas humanas mais desprovidas de maldades e menos contaminadas pelas ideias de revanche. A mensagem do Cristo é um hino ao amor, à humildade e à compaixão e um apelo não correspondido à solidariedade entre os povos de fé diversa e diferentes etnias que levado pelos ventos ecoam aos quatro cantos do mundo. Pensemos nisso!

         VOCÊ  SE  ENQUADRA?

MULHERES CARINHOSAS; MÃES EXTREMADAS;

MULHERES RANZINZAS; AFASTAM AMIGOS.

MULHERES “CABEÇAS”; ATRAEM PESSOAS.

MULHERES RAIVOSAS; AFUGENTAM A TODOS.

MULHERES AFETUOSAS; EXCELENTES ESPOSAS.

MULHERES INDECISAS; FILHOS SEM RUMOS.

MULHERES ESTRESSADAS; SE FOAGAM NA COMIDA.

MULHERES MAL AMADAS; VIDAS EM DESESPERO.

MULHERES RECALCADAS; DESCONTROLE MENTAL.

- NOTA DO MODERADOR: Com todo respeito à minha mãezinha, que Deus acolhe;

À minha esposa, humaníssima e afetuosa; às minhas filhas,

Netas e bisnetas, amáveis e presentes, e a todas as minhas  amigas

Que não vestem essa carapuça.

terça-feira, 17 de julho de 2012


                                  ANALISANDO AS PESQUISAS

                           Pesquisas  de intenções de votos Folha/TV Globo publicadas pela Folha de Pernambuco  nessa 2ª-feira, 16, apontam o candidato do PT, Humberto Costa em 1º lugar, com 20%, vindo  em 2º lugar o candidato do DEM, Mendonça Filho, com 20% e em 3º lugar, com 9%, o candidato do PSDB, Daniele Coelho. Os demais candidatos atingiram 2% e 1%  e O%, e portanto ficam fora dessa análise. A mesma pesquisa também levantou a rejeição dos eleitores aos três  candidatos avaliados. Valiosa para essa análise é também o perfil por faixa etária,  escolaridade e nível de renda dos eleitores pesquisados. É cedo para um balanço das reais possibilidades dos cândidos colocados nas três principais posições do ranking eleitoral. Os dois melhor avaliados,  Humberto Costa e Mendonça Filho, têm já um histórico de longa exposição na mídia. Já ocuparam cargos importantes na vida pública. O terceiro, candidato do PSDB, mudou de sigla há pouco tempo, e além de vereador também já foi deputado. Sem muita chance de chegar a final. Situação inversa do candidato do PSB, Geraldo Júlio, lançado e apoiado pelo governador Eduardo Campos. O campo de avaliação eleitoral continua aberto, podendo ser alterado em um mês, uma semana e até em um dia. Pesquisas de intenções de votos algumas vezes se parecem com uma gangorra no seu sob e desce. A definição só ocorre nos momentos finais da campanha, perto das eleições. Assim, nada está definido. O quadro pode se alterar significativamente se o governador, valendo-se de sua excelente avaliação atual e da sua condição de líder político inconteste da atualidade local e nacional entender entrar de vez na campanha e exibir seu candidato ao eleitorado. isso poderá alterar a posição dos candidatos ao pleito municipal de outubro nas últimas pesquisas a serem realizadas antes das eleições municipais. E Geraldo Júlio acabará vencendo as eleições.

                          Se a pesquisa fosse realizada num outro cenário, hipotético, com declarações  espontâneas de voto, e o alvo fosse o público que não foi sondado para se pronunciar em que candidato votaria, os dois primeiros colocados poderiam amargar um resultado inverso. Se privilegiada a rejeição aos candidatos apurada nas pesquisas em causa, Humberto Costa e Mendonça Filho estariam com menos 27% e 28% respectivamente. Isso daria folga ao candidato do DEM? Claro que não. Trocando sua avaliação positiva com sua rejeição junto ao eleitorado talvez ele estivesse com avaliação pífia. Mendonça Filho, representando o campo conservador, levará desvantagem implícita ante o candidato Humberto Costa, colocado mais ao lado do campo progressista. Geraldo Júlio, depois de se expor ao eleitorado ao lado do governador e apresentar suas propostas de governo, poderá superar os dois candidatos atualmente  melhor avaliados. Essa análise é uma dedução do clima de preferências refletido nas pesquisas, sobretudo quando se ouve analistas políticos afirmarem que a posição de Humberto Costa é devida ao fato de o eleitorado consultado pensar que o candidato do PT é João Paulo, e não Costa.

                  Outro dado curioso nessas pesquisas é o pouco interesse dos eleitores ouvidos pelo pleito  que se aproxima. As mulheres, maior parcela do eleitorado hoje, representam a  porção mais considerável  (57%) que não demonstra interesse pelo pleito. Os homens batem perto, com 43% de desinteresse. Na faixa etária, os veteranos –aqueles com mais de 50 anos de idade, declararam pouco interesse pelas eleições municipais, enquanto os mais jovens, na faixa entre  16% e 24%, já vão perdendo as esperanças. A classe política se desqualifica cada dia diante dos eleitores.  Considerando a escolaridade, os jovens do ensino médio, 41%,  são os mais descontentes com os políticos, vindo em segundo lugar os que têm instrução superior, com um percentual de 22% do universo pesquisado. Finalmente, aqueles  com  melhor renda  (37%) completam o bloco dos descontentes com os políticos. Vamos aguardar as próximas pesquisas para um melhor posicionamento diante desse desinteresse dos eleitores pelos políticos.

sábado, 14 de julho de 2012


                     


              RECIFE E REGIÃO METROPLITANA
   PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO

Em meados da década de 40 do século  passado, o Recife sequer tinha aeroporto. O transporte aéreo era feito através dos hidroaviões  que desciam nas águas mansas da bacia do Pina. Rodovias, nem pensar. A ligação entre os bairros e  cidades a norte e a sul  era feita pela única via então existente, no caso, a Rua Imperial. O bonde era o transporte  de massa, mas as linhas de ferro do sistema  só ligavam os extremos dos bairros mais importantes. A cidade se resumia então a poucos bairros, e esses tinham pequenas dimensões.  Ruas estreitas e curtas, muitas vielas. A Praça  da    Independência, maior espaço público de concentração populacional então existente, funcionava como o coração da Cidade. Ali se realizavam shows, grandes comícios e se centralizavam as atividades carnavalescas. Avenidas como Guararapes, Conde da Boa Vista, Dantas Barreto, Agamenon Magalhães,  Caxangá  ainda não existiam. Recife ainda não era uma cidade favelada.

Olhando hoje a Capital, observa-se que houve alguns avanços. Mas ainda resta muito a fazer para tornar o Recife uma metrópole, centro catalizador das energias da RMR e do Estado, bem como recuperar sua posição de Cidade líder do Nordeste. Recife tem um trânsito travado  pelo excesso de veículos nas ruas da Cidade de poucas avenidas e ruas estreitas. Os gestores das 8 últimas décadas  não pensaram no longo prazo; a miopia política desses gestores  não enxergou que uma cidade, que era a 3ª Capital do País,  em número de habitantes e em desenvolvimento econômico, com um porto chave,  ponto de embarque e desembarque  de mercadorias que em terra  eram transportadas através de uma incipiente estrada de ferro de bitola estreita iria crescer e exigia um sistema viário que respondesse a essas necessidades.

Mas os problemas atuais do Recife não se resumem a uma mobilidade urbana de cidade que parou no tempo vendo o progresso passar, e aos alagamentos das principais vias de escoamento do trânsito com as chuvas mais intensas que alagam ruas e bairros e obstruem as precárias instalações fluviais frutos da inércia de anos de desmandos administrativos. Faltam-lhe muitos requisitos indispensáveis de uma grande metrópole. Primeiro, muniipalização dos serviços indispensáveis ao bom funcionamento de uma cidade do porte do Recife, tais como: transporte púbico de qualidade, universalizados e acessíveis a todas as camadas da população; esgotamento sanitário com captação dos dejetos produzidos pela cidade, com usinas  de tratamento desses dejetos localizadas em várias partes da cidade, com destinação conveniente dos subprodutos desse tratamento e servindo a população de toda a Capital; serviço de coleta do lixo, reciclagem,  tratamento dos resíduos sólidos não recicláveis  e  destinação adequada dos mesmos. Programa de habitação popular humanizada, com água, luz, esgotamento sanitário, em lugares com acesso ao transporte, tirando a população das áreas de risco dos morros da cidade, de debaixo de pontes e viadutos, beira de mangue e outras áreas alagáveis,  bem como da rua. Drenagem  das áreas alagáveis; alargamento, aprofundamento e forração com concreto das paredes dos canais da cidade, com limpeza periódicas dos mesmos visando eliminar os transbordamentos com alagamentos das vias públicas. Postos de Saúde e Policlínicas  bem estruturados, equipados, com contratação de médicos e pessoal de apoio da saúde, com remuneração compatível com a função de cada categoria e disponibilização de medicamentos através do SUS. Rede escolar ampla, em todos os bairros, ministrando ensino de qualidade e em tempo integral, a partir do fundamental, com contratação de professores, aperfeiçoando-os através de  treinamento, fornecimento de livros e revistas especializadas e recursos tecnológico de internet, bem como  retribuição salarial condigna com a função docente.

Essa política de revitalização da cidade incluirá abertura de largas avenidas interligando os vários bairros da Capital; construção de pontes e viadutos  que reduzam as distâncias entre os bairros e enfrentando o problema dos engarrafamentos nas ruas do Recife. Mais ainda: será necessário mudar  a matriz de transporte atualmente utilizada. O transporte rodoviário, que já demonstrou ser ineficiente, deve ser auxliar,  do tipo radial, devendo ser introduzido como solução viável largamente conhecida no mundo desenvolvido o metrô subterrâneo ou trens suspensos ligando os bairros mais populosos da Cidade. Não esquecer que o Recife foi erroneamente pensado para uma população de 600 mil habitantes. Hoje, tem mais de 1 milhão e 500 mil pessoas. Em termos de população, e comparativamente as diversas capitais nordestinas, Recife parou no tempo, para não dizer que encolheu. Faltou planejamento para harmonizar o crescimento urbanístico e econômico  da Cidade, em unção de sua expansão populacional.                                  

Todavia, pensar o desenvolvimento do Recife é um exercício bem mais amplo. Recife, polo da Região Metropolitana, não conseguirá se desenvolver de forma isolada. A Capital está intima e diretamente interligada às cidades de Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Podendo esse entrelaçamento atingir o Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, no Litoral Sul, e Paulista, Abreu e Lima  e outras cidades, no Litoral Norte. Ainda interage com cidades não litorâneas, como Camaragibe e  São Lourenço da Mata, na Zona da Mata. Por sua condição portuária, a RMR está igualmente ligada à Caruaru, e  Vitória de Santo Antão, Petrolina e outras cidades do Agreste e do Sertão. O planejamento do desenvolvimento do Recife tem que contemplar suas ligações produtivas com essas cidades. É um trabalho de arquitetura espacial  e engenharia  regional. A descentralização da atividade produtiva, com incremento da produção industrial em várias regiões do Estado, exige das autoridades do Estado e dos municípios um trabalho conjunto, coordenado, acima dos interesses partidários, que de   certo  modo têm sido responsável pelo fraco desempenho que o Estado vinha tendo até estas últimas décadas. Mas em termos de transporte de massa, mobilidade urbana, habitação, saúde, segurança, entre outros requisitos do progresso, a coordenação dos trabalhos de desenvolvimento  da RMR deve contemplar com mais ênfase  Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Cabo de Santo Agostinho. O que se espera é que os legisladores e gestores a serem eleitos este ano tenham a competência para, libertos das amarras partidárias atuais, pensarem uma cidade, e por extensão, uma Região Metropolitana mais forte, coesa, segura e mais justa.











































































































 Cidade, e por extensão uma RM, melhor, mais segura, mais justa.














sexta-feira, 13 de julho de 2012


CRISE ECONÔMICA MASSACRA EUROPA

     CAUSAS DA CRISE SÃO MAIS PROFUNDAS

PRIMAVERA ÁRABE TEM RESULTADOS DIFERENTES DA EXPECTATIVA

A crise econômica mundial pegou pesado nos países ricos da Europa e da América do Norte. Se bem que a poupança nesses países europeus, notadamente Itália e Espanha, tenha crescido  numa relação inversa de maiores juros e menores rendimentos,  a conscientização do europeu da zona do euro assegura  uma certa estabilidade da moeda única. Isso  no que tange à classe média, por que os trabalhadores das atividades básicas amargam severos reveses.  Redução dos salários, aumento da carga horário de trabalho, corte nos programas sociais, principalmente na saúde e na Previdência Social. A população desses dois países está na rua protestando contra as chamadas “medidas de autoridade”. Agitação, enfrentamento com a polícia e outras ações típicas dessas situações  são registradas nas cidades italianas e espanholas. E ninguém garante que essas duas nações continuem na zona do euro, o que poderá lançar por terra a política de poupança acima citada.

Na França, o governo socialista de François Hollande adotou medidas restritivas no âmbito do próprio governo. Os ministros passaram a viajar de trem, houve redução no número de carros oficiais a disposição das autoridades  e até a presidência francesa  só dispões agora de dois veículos antigos para o serviço protocolar. Muitas cidades francesas  tomaram medidas extremas para conter a crise, reduzindo negócios na área industrial e outros setores. Dijon, por exemplo, fechou todas as suas fábricas. O desemprego lá assume proporções assustadoras. A Grã-Bretanha  está no limite de sua capacidade econômica. Á exceção da Alemanha – carro-chefe da economia europeia, todos os países do Continente estão em situação difícil. A discussão sobre como sanear os falidos bandos da União esbarra na oposição da primeira-ministra Angela Merkel, que não quer se nivelar por baixo com os demais parceiros. O que certamente acontecerá se a Alemanha  transferir boa parte de suas reservas para salvar os bancos europeus. Não adiante falar da Grécia, que essa não tem mais jeito. O novo governo ainda não se consolidou, e Samaras terá enormes dificuldades para formar um gabinete que consiga dar respostas aos anseios das ruas, com uma população mais empobrecida, e cada vez  mais carente de comida, assistência média e sem expectativa em termos de Previdência Social.

Mas o leitor pensa que esses problemas estão afetando apenas a velha e tradicional Europa? Nos Estados Unidos, os municípios também estão falindo. Os menores, localizados no deserto, não tardarão a se transformarem em cidades fantasmas.  Um desses municípios, inclusive, chegou ao fundo do poço. O prefeito reduziu os salários dos bombeiros e da polícia (polícia lá é municipalizada). O salário dessas categorias, que na comparação com a nossa moeda era de 600 reais, foram reduzidos para 180 reais. Enquanto isso, no plano nacional, a briga política pela Casa Branca, confronta o milionário conservador Mitt Romney e o atual presidente Barack Obama mostra  a sujeira, que lá como aqui, corre por baixo dos bastidores da política. Sob vaias, Romney  declarou num ato público que “revogará a reforma da saúde” introduzida por Obama. O republicano defende os ricos americanos e a alta classe média, beneficiada pelas leis sociais arcaicas em vigor nos Estados Unidos há muitos anos. A civilização norte-americana, dominada pelas elites compostas de grandes empresários e banqueiros, é fortemente conservadora. Uma mulher pertencente à casse média, comentando a reforma da saúde de Obama, que deve amparar cerca de 30 milhões de trabalhadores  norte-americanos, disse que o presidente quer “socializar” a sociedade américa. Embora as pesquisas de intenções de votos mostrem que Obama cresceu e está num linha ascendente constante e pode definir as eleições ainda no 1º turno, o poder econômico pode dar vitória ao republicano.

Essa crise dos países ricos, aliada às expectativas negativas com relação aos resultados da chamada  Primavera Árabe, pede uma reflexão mais profunda sobre o que está acontecendo neste mundo conturbado do Século XXI. A economia em geral está em dificuldades em todos os países, inclusive na China- locomotiva do atual desenvolvimento econômico  mundial. O que está acontecendo? As nações euroeias e os Estados Unidos torraram seus recursos orçamentários em ação de guerra para assegurar a posse do rico petróleo árabe; interesses políticos e econômicos dos países produtores de armas tornam difícil uma solução razoável para os conflitos armados mundo afora; a indústria produz menos, porque  não tem como ampliar ou manter suas vendas, com a perda de emprego ou capacidade compra dos cidadãos; os bancos estão em crise porque financiaram as loucuras belicistas dos países ricos; a economia global está em recessão. Por quê? Uma observação mais acurada aponta para o esgotamento do sistema capitalista.

segunda-feira, 9 de julho de 2012


            1932, 80 ANOS DEPOIS

REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

Oitenta anos atrás, ocorria em São Paulo um levante que passou à histórica como Revolução Constitucionalista. Getúlio Vargas, chefiando a revolução de 1930, depôs o presidente Washington Luiz, assumiu o poder da República, fechou o Congresso e silenciou o Judiciário criando o governo provisório depois  chamado Estado Novo, passando a governar através de decretos.  Derrotado nas eleições gerais por Júlio Prestes,  ex-presidente de São Paulo, Vargas impediu a posse do eleito na Presidência da República. Tinha fim a República Velha instituída pela Constituição de  1891, bem como o pacto federativo que dava autonomia aos estados.

A revolução de 1932  durou 87 dias e foi um levante militar de grandes proporções, causando 934 mortes (dados oficiais), embora informações oficiosas contabilizem mais de 2 mil e 200 baixas por mortes nas fileiras litigantes. 1932 foi o último grande conflito armado ocorrido no País.  A luta envolvia  soldados da  polícia militar e civis arregimentados pelas autoridades estaduais de São Paulo, além de ter posto em alerta as tropas auxiliares de Minas Gerais. Esse fato pôs em relevo a posição das elites paulistas, que a pretexto de defenderem a autonomia dos estados, protestar contra o fechamento do Congresso e a mordaça do Judiciário, conseguiu eco para sua pregação legalista. As elites paulistas temiam na verdade perder seus privilégios,  ante as propostas na área social e econômica  de Getúlio Vargas, e, valendo-se de uma propaganda positivista ( um misto de política e religião) sensibilizaram uma parcela da população. A consolidação do Estado Novo estabilizou  o governo de Getúlio Vargas.

domingo, 8 de julho de 2012


                           

                               ZONA DA MATA, RIO UNA



Interior, anos 30, casa grande vendo-se de lá o rio que corre  tranquilo lá distante. Ao andarmos pelos arredores, cheiro de mato; a grama verde onde o gado pasta mansamente. Gente simples e honrada  vestida de trapos  lavra a terra perto do canavial, erradicando a erva que suga os nutrientes do solo fértil e úmido que alimentam  a cana-de-açúcar.  Zona da Mata, céu azul com nuvens escassas no fim do mês de maio.  O tempo vai mudando, um, dois dias  passam. O milharal alto e exuberante se espalha em grande extensão pelas encostas ao lado da cana. Promessa de uma São João farto.  Pouco tempo depois, na cozinha da casa grande o trabalho é intenso. Mulheres do engenho e dos sítios subordinados vêm ajudar no trato do milho trazido em lombo de jegues. Não custa muito, e a grande mesa da sala enorme  está repleta de comidas juninas. Canjica, pamonha,  mungunzá; bolo de milho, bolo de massa, bolo de mandioca, pé-de-moleque, manuê, milho cozido, milho assado  e outras iguarias. Desde a tarde, em frente  à  casa grande, uma grande fogueira arde e sanfona, reco-reco e triângulo animam a véspera de São João no terraço em forma de “U”. A festa é animada e atrai gente dos arredores, inclusive dos engenhos do entorno. As moças brincam de academia; também fazem suas rezas típicas dessa época. Compadres e comadres dançam em torno da fogueira. Pela madrugada, ainda resta muita comida sobre a mesa.  São Pedro ajuda, controlando as torneiras lá em cima. Mas o tempo tende a muda nas próximas horas ou nos próximos dias; de fato, agora chove! Chuva leve  ao amanhecer persiste até cair o manto da noite. À noite, o céu fica escuro e temporal cai com fúria sobre a região para desespero dos ribeirinhos.  Raios  riscam  o  espaço e acendem a noite; trovões,  como ecos fantasmas vindo lá dos montes distantes   amedrontam  ainda mais aquela gente simples e desinformada. Linguetas de fogo descem do céu e iluminam a noite fria do engenho. Tudo agora é expectativa!   

Como naquele ritual dos tambores comunicantes das mensagens indígenas dos filmes americanos, gritos e ecoam  ao longo das margens  do rio em meio à escuridão da noite. As águas vão chegando devagarinho;  num minuto, são sentidas  levemente  sob os pés de quem está lá  pela  várzea; logo chegam à cintura dos trabalhadores que buscam fugir para as margens. De repente, numa velocidade medonha, as águas chegam  em  torrentes violentas como paredes imensas desmoronando sobre a paisagem  campestre. Formações rochosas, árvores, montes   são cobertos pela avalanche.  Trabalhadores ribeirinhos, homens, mulheres e crianças se abrigam no pico dos montes protegidos apenas pelas árvores e alguns trapos que conseguiram salvar.  Noite tenebrosa; gente com medo sob o frio cortante em meio aos ventos fortes que uivam na sua passagem  vertiginosa e perigosa, açoitando a copa das árvores. Pela manhã,  a água já baixou; a visão até onde a vista alcança é de terra devastada; tristeza, desesperança, mortes. A cheia, anunciada pelas vozes vindas de  longe, carrega em sua fúria melancia, jerimum, melão; Troncos de árvores, bois muando,  cabras, carneiros; barris, restos de casas, móveis rústicos, jangadas, barcos, tudo que ficou ao alcance das águas; uma cena horripilante. Tudo é desolação e tristeza! Ribeirinhos  ainda procuram  abrigo nas partes mais altas. Não tem para onde voltar; suas casas foram levadas pela cheia. Rio Uma, curvas fechadas por onde as águas transbordam  e  se espraiam;  poços, cachoeiras; Piabas, traíras, aratanhas,  pitu, jiboias, jacarés; Capivaras, lontras; baronesas, leito barulhento.  Rio Uma, margens    nuas, desmatadas; águas poluídas pelo rejeito da fabricação do  açúcar, riqueza local. Interior, Zona da Mata; tudo volta a ser  canavial; aquele tapete verde se alongando pela planície e  montes acima.  A caça escassa, a mata extinta, fogo nas canas. Os pássaros já sumiram da paisagem.  A onça que se alimentava das capivaras abundantes no rio de há muito desapareceu; macacos também; a mata substituída pelo canavial, levou a  secar  as fontes, acabou com os riachos.  Zona da Mata, rio Uma, sem mata ciliar e assoreado;  sem peixes;  fome, doenças, desnutrição, tristeza, embriaguez. Homens, mulheres e crianças, não tendo mais o que fazer,  se afogam na bebida. Pobreza, prostituição,  terras abandonadas; Êxodo rural contribuindo para formação das favelas na Capital e outras cidades litorâneas onde crustáceos e moluscos abundantes  são um meio  alternativo para enfrentar a fome  ; lugar quase ermo, aquele do antigo engenho onde  canários e rolinhas antigamente desciam às centenas vindo se alimenta da farta gramínea existente por trás do lajedo ao lado da casa grande ; engenho hoje desaparecido, povoação escassa, sem trabalho. Infância perdida, sem escola, sem lazer, sem futuro. Zona da Mata, rio Uma, uma história que vivi quando era criança.








































































sexta-feira, 6 de julho de 2012


                                 TERMINA GREVE DOS ÔNIBUS

Finalmente, prevaleceu o bom senso; motoristas e cobradores do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife encerram à meia-noite a greve que começaram dois dias antes. O pleno do Tribunal Regional do Trabalho, em sessão  dessa  5ª-feira, considerou a greve abusiva e determinou o retorno  ao serviço dos trabalhadores do setor. Não vale a pena discutir aqui a questão de mérito envolvida nesse episódio. Os trabalhadores em greve pediam um aumento de 30%, que se efetivado ferraria a população em seu estrato mais carente. Os patrões ofereciam algo em torno de 5%, aumento com certeza irrisório se aprovado. Na audiência de conciliação, no régio Tribunal  do   Trabalho, juízes  propuseram  8%, que foram rejeitados pela categoria. A decisão unânime do TRT, determinando  um percentual de 7% de aumentos dos slários da categoria, pôs ordem na casa.

Apesar da insatisfação que tomou conta da categoria, quando alguns integrantes da mesma exacerbaram os ânimos, tendo alguns deles, num ato tresloucado  ontem à noite se deitando na pista de rolamento em trecho da Avenida Conde da Boa Vista, o sistema voltou a funcionar normalmente  na manhã deste sábado. Depois de uma perda, real ou emocional, registrada nesses 2 dias de greve, todos acabaram ganhando. A população volta a ter seu meio de transporte possível, os trabalhadores tiveram um aumento também possível e os negócios voltam a girar, beneficiando comerciantes e clientes.  Nesse episódio, fomos questionados por pessoas de níveis econômicos diversos. Indagavam porque “só olhávamos o lado dos patrões e ignorávamos o lado dos trabalhadores”. Colocação equivocada. Nunca ficamos ao lado de patrão nenhum, até porque também pertencemos a  uma categoria de trabalhadores. Em todos os casos, sempre nos colocamos ao lado da população como um todo. Aliás, única prejudicada em questões dessa natureza. Cada segmento da população tem seus problemas, que precisam ser resolvidos. Quando um segmento, de forma unilateral e exacerbada privilegia seus  interesses,  cabe ao conjunto restabelecer a ordem. Não de maneira alheatória, ou por processos violentos, mas através dos órgãos institucionais competentes.

É assim que a sociedade e a democracia funcionam.

quarta-feira, 4 de julho de 2012


                GREVE DOS ÔNIBUS

       VANDALISMO E IRRESPONSABILIDADE

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus da RMR começada de forma antecipada e irresponsável ontem à noite vai continuar. Audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho não resultou em nenhum acordo entre as partes. Os patrões oferecem um pouco mais de 8%, mas os trabalhadores do setor de transporte de passageiros querem 30%. Houve algumas propostas alternativas oferecidas pelos juízes do Tribunal, também rejeitadas. Há uma contradição entre o que dizem o Consórcio Recife de Transporte e o que se ver nas ruas. Segundo o CRT, 53% da frota de ônibus está circulando. Mas o que as pessoas observam nas ruas da Capital são avenidas vazias de coletivos. Os ônibus deixam as garagens, mas ficam estacionados nos grandes terminais da RMR. A população sofre com ausência de transporte, o comércio amarga perdas no faturamento e muitos trabalhadores perdem seus empregos porque os patrões não querem saber dos problemas deles para chegarem ao trabalho. E as famílias sofrem com isso.

Em alguns terminais troncos da RMR a situação saiu de controle. Enquanto trabalhadores em greve furam os pneus dos ônibus que estão estacionados nas áreas dos terminais, alguns vândalos trasvestidos de passageiros destroem os coletivos, quebrando portas e janelas. A ausência de transporte coletivo prejudica as populações de toda a Região Metropolitana, mas o impacto maior é no Recife, em Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. Recife é o centro gerador de emprego e renda de toda a Região,, enquanto os outros municípios são meros dormitórios. As atividades econômicas nesses municípios-dormitórios estão prejudicadas pela greve. Os trabalhadores não conseguem chegar aos locais onde trabalham e os negócios informais sofrem com a ausência da freguesia costumeira. Milhares de trabalhadores não vão às cidades onde trabalham temendo não poderem voltar para casa no fim do horário de trabalho. Essa situação deve perdurar por mais alguns dias, pois interesses outros que não precisam ser identificados aqui se misturam às aspirações dos grevistas. Paciência, atuação das autoridades dentro do limite da lei, é o que se aconselha neste momento.

terça-feira, 3 de julho de 2012


                   GREVE DOS ÔNIBUS

           BANDALHEIRAS SEM LIMITES



Motoristas e cobradores do Sistema de Transporte Coletivo da Região Metropolitana do Recife, depois de uma  paralisação de advertência no fim de semana, programaram uma greve geral por tempo indeterminado. O movimento paredista estava acertado para começar a zero hora dessa 4ª-feira, dia 4. Mas grupos mais exaltados se anteciparam, e já nas primeiras horas da noite desta 3ª-feira começaram a parar o sistema. Algumas lideranças do movimento invadiram as principais vias do centro da Cidade e iniciaram o que se pode chamar de bandalheiras. Esses grevistas começaram a parar os ônibus na Conde da Boa Vista e outras avenidas importantes do centro do Recife; faziam os motoristas desses ônibus descerem dos veículos, furavam os pneus, davam grito de ordem e levavam terror aos passageiros que estavam voltando para suas casas vindos do trabalho, da escola e de outras atividades próprias de uma cidade grande. Não se sabe ainda como está a situação em outras zonas da cidade e em outras cidades da RMR nesta noite de 3ª-feira.

Mulheres, adolescentes, crianças, pessoas idosas pegas de surpresa por um movimento antecipado e abandonados à própria sorte nas ruas perigosas do Recife em meio ao frio que faz nessa Capital. Essa forma de fazer greve é um atestado da falta de cidadania, um abuso do direito de se manifestar assegurado pela Constituição. Confunde-se liberdade com baderna, e em vez de prejudicar os empresários, dos quais os grevistas cobram aumento salarial e melhores condições de trabalho, pune-se uma população que não tem outro meio de locomoção senão o ônibus. Há outras formas de se manifestar contra patrões. Todos sabem quais são. Mas o radicalismo dos grevistas não permite que eles enxerguem isso. Na verdade, os patrões serão os menos penalizados nesse episódio lamentável; mecanismos de compensação viabilizarão os estragos  praticados durante a greve, e a população arcará com os custos operacionais das empresas pagando passagens mais caras; podem esperar os aumentos de tarifas nos próximos dias. Os operadores do sistema enxergam sim o que uma greve de ônibus produz de prejuízos para a população, mas eles querem mesmo é demonstrar poder; e poder político, que com certeza está por trás dessas exacerbações de ânimos.

Vamos esperar a quarta-feira, observar os estragos causados pelos grevistas nesta noite e avaliar o que poderão fazer durante a guerra decretada contra o patrões.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

GREVE NOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS

             

 Como trabalhador da saúde e da educação durante mais de 30 anos aprendi a analisar o jogo político que domina a administração pública. Greve em hospital público não é contra o governo, mas contra a população mais pobre, que só depende dessa instituição para diagnóstico e tratamento. Há outras formas de protestos, que poderiam atingir o governo no seu ponto mais nevrálgico: a receita. Mas uma ação interna, que puniria o governo, não interessa a determinados segmentos de servidores, que preferem uma mobilização ostensiva que só penaliza os mais pobres. Seria importante que nessa luta as lideranças da greve incluissem um chamamento para impedir que as universidades  se transformem em cabides de empregos nem em trampolim político.
Partido político é tudo igual. Partido bom é aquele que ainda não chegou ao poder. O Brasil é um País relativamente novo como identidade institucional. Estamos vivendo um período de afirmação das nossas instituições, uma transformação social ainda não vivenciada pelo povo brasileiro. O que deveria estar preocupando as lideranças sindicais dos professores e administrativos das IES, entre outras coisas, é a manobra do ministro da Previdência Social, que altera os valores que serão pagos aos futuros funcionários públicos quando se aposentarem; com a aprovação dessa nova política salarial, haverá sim, um esvasiamento das universidades e de outras repartições federais. A discussão hoje não deve se limitar aos interesses dos atuais servidores, e sim prever a implantação de um plano de cargos e salários e de uma política de investimentos que torne viável e sustentável a universidade brasileira.

 A adoção do novo modelo administrativo dos Hospitais Universitários desenhado pelo Governo Federal para uma reforma administrativa dessas instituições não no parece uma privataria. Contempla-se ali a privatização da gestão dos hospitais. Os serviços de ambulatório, diagnóstico por imagem ou procedimentos via patologia clínica, bem como internação, cirurgias e tratamento das doenças continuarão gratuitos para os usuários desses hospitais. O plano de reformas prever inclusive uma política de distribuição gratuita de medicamentos para os pacientes atendidos pelo SUS. A sociedade brasileira já está suficientemente madura  para identificar e rechaçar qualquer desvio de conduta a esse respeito. Esse modelo, aliás, já existe com sucesso em Pernambuco, no plano gestor das UPAs. Claro que precisa ser aperfeiçoado; ainda estamos tateando nessa experiência.

O eleitor brasileiro está cada vez mais se conscientizando do seu papel de agente transformador da sociedade. Ele aprenderá com a prática democrática a escolher os melhores candidatos aos diversos cargos eletivos, majoritários e proporcionais. Ainda não temos tradição democrática para termos partidos fortes e com programas identificados com as aspirações da sociedade como um todo. Essa será uma meta a alcançar com o exercício da democracia.  Votando. Assim, não é importante que votemos em partidos inócuos (nenhum deles é sustentável), mas nos candidatos mais confiáveis. Os quadros partidários brasileiros serão forjados na luta diária contra as injustiças sociais; por uma educação de qualidade e em tempo integral começando pelo ensino fundamental; por reformas do modelo institucional que privilegia os membros e servidores  dos Poderes Legislativo e Judiciário em detrimento do pessoal do Poder Executivo; que limite ao mínimo tolerável a violência urbana e rural; que pugne por investimentos nos setores produtivos que trabalham com capital, mão-de-obra  e tecnologia nacionais, criando emprego e gerando renda para os trabalhadores. Esses quadros políticos deverão surgir a partir das comunidades, operando de baixo para cima, ou seja: revertendo o atual quadro político brasileiro. Atenção especial para as manobras partidárias contrárias a essas aspirações populares; tramita no Congresso propostas visando aprovar o voto distrital e as listas fechadas. Isso seria uma cassação dos direitos do eleitor escolher seus candidatos; o partido é que os indicará.  É bom lembrar que muitos dos agentes públicos de todos os partidos políticos atualmente existentes que gritam contra as gestões atualmente no poder nas cidades da Região Metropolitana do Recife, pertencem a uma casta que nos últimos 90/80 anos (idade ponderal da verdadeira identidade brasileira)  passou 65 anos no poder, e nada fez em termos de planejamento urbano, como mobilidade e transporte público de qualidade. Esse conceito pode ser ampliado à economia, à saúde, à educação e outras áreas nos níveis federal e Estaduais.
-NOTA DA MODERAÇÃO: essa matéria, agora ampliada, foi inicialmente postada no Facebook em função do nome do moderador ter sido citado em matéria que defendia a greve e tratava de política e partidos, o que de certo modo comprometia ou identificava o mesmo com o movimento grevista.