MENSALÃO E VALERIODUTO
O Supremo
Tribunal Federal inicia nessa 5ª-feira o julgamento dos réus do processo
conhecido como Mensalão. Mais de 40
pessoas serão julgadas por diversos crimes. Peculato, corrupção ativa e
passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, entre outros. Mas a lista
está incompleta. O valerioduto age no País há décadas. Por isso, muitos
denunciados e outros já investigados de participarem do esquema de corrupção não
foram citados pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, e igualmente
ignorados por seu antecessor, Antônio Fernando de Souza, autor da denúncia dos
réus. É necessário fazer uma varredura geral nas peças investigatórias
produzidas desde os tempos de campanha de Fernando Henrique Cardoso. Ninguém
acusa o ex-presidente de ter participado de atos ilícitos, mas o comitê de
campanha de FHC já recebia dinheiro do
valerioduto. E não apenas o banco Rural serviu de estrada para trânsito do
dinheiro que irrigou esse esquema de corrupção. O Banco Oportunity, de Daniel
Dantas, talvez tenha sido o principal fornecedor de dinheiro para o esquema.
Mas Daniel Dantas tinha costas largas. Agia impunemente, pois sabia que com
Gilmar Mendes no supremo, ele “se entenderia bem”, e foi assim que escapou de
muitas ações investigativas, ele e sua esposa. Já durante a campanha de FHC à
presidência da República, o esquema atuava fornecendo dinheiro para esquentar a
campanha. Mesmo durante o governo de FHC, José Serra, sua filha e o marido dela
participaram de esquemas de corrupção, com lavagem de dinheiro levado para o
exterior através de empresas fantasmas criadas em paraísos fiscais pela filha
de José Serra e sua sócia, a esposa de Daniel Dantas.
É importante
que todos os réus já qualificados sejam julgados; mas é indispensável que se vá
buscar nos arquivos da Polícia Federal as peças investigatórias onde essas
pessoas aqui citadas são denunciadas, indiciadas ou não, mas implicadas no esquema
de corrupção. É preciso passar o País a limpo; limpar as esferas públicas do
Executivo, Legislativo e Judiciário de pessoas corruptas. O esquema do Mensalão
é apenas um fio do novelo de sujeiras que inunda os porões do poder há várias
décadas. O valerioduto vem abastecendo o esquema de corrupção, e sua atuação pode ser
puxada analisando-se os inquéritos policiais produzidos pela Polícia Federal e
pelo Ministério Público em desde a década de noventa. Se essas pessoas desde
então citadas e investigadas não forem incluídas no processo que tem seu julgamento marcado para essa
5ª-feira a Justiça brasileira ficará em falta com a Nação.
A José
Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Roberto Jeferson, Fernando Collor de
Melo sejam juntados também José Serra,
sua filha e esposa, Daniel Dantas e esposa, e tantas outras pessoas que o
Brasil inteiro conhece como agentes da corrupção. E que o Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) solicite a inclusão de agentes do Poder Judiciário nos autos
do esquema de corrupção. A revista Carta Capital desta semana traz longo
e pormenorizado histório desse esquema. Este blog, em vários ocasiões (ver
índice remissivo) tratou com detalhes essa questão. Esperar o início e decorrer
do julgamento, as providências complementares exigidas pela Nação; será um
julgamento amplo, justo e imparcial, isso é o que a Nação espera.