RECIFE E REGIÃO METROPLITANA
PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
Em meados da década de 40 do
século passado, o Recife sequer tinha
aeroporto. O transporte aéreo era feito através dos hidroaviões que desciam nas águas mansas da bacia do Pina.
Rodovias, nem pensar. A ligação entre os bairros e cidades a norte e a sul era feita pela única via então existente, no
caso, a Rua Imperial. O bonde era o transporte
de massa, mas as linhas de ferro do sistema só ligavam os extremos dos bairros mais
importantes. A cidade se resumia então a poucos bairros, e esses tinham
pequenas dimensões. Ruas estreitas e
curtas, muitas vielas. A Praça da Independência, maior espaço público de
concentração populacional então existente, funcionava como o coração da Cidade.
Ali se realizavam shows, grandes comícios e se centralizavam as atividades
carnavalescas. Avenidas como Guararapes, Conde da Boa Vista, Dantas Barreto,
Agamenon Magalhães, Caxangá ainda não existiam. Recife ainda não era uma
cidade favelada.
Olhando hoje a Capital, observa-se
que houve alguns avanços. Mas ainda resta muito a fazer para tornar o Recife
uma metrópole, centro catalizador das energias da RMR e do Estado, bem como
recuperar sua posição de Cidade líder do Nordeste. Recife tem um trânsito
travado pelo excesso de veículos nas
ruas da Cidade de poucas avenidas e ruas estreitas. Os gestores das 8 últimas
décadas não pensaram no longo prazo; a
miopia política desses gestores não
enxergou que uma cidade, que era a 3ª Capital do País, em número de habitantes e em desenvolvimento
econômico, com um porto chave, ponto de
embarque e desembarque de mercadorias
que em terra eram transportadas através
de uma incipiente estrada de ferro de bitola estreita iria crescer e exigia um
sistema viário que respondesse a essas necessidades.
Mas os problemas atuais do Recife
não se resumem a uma mobilidade urbana de cidade que parou no tempo vendo o
progresso passar, e aos alagamentos das principais vias de escoamento do trânsito
com as chuvas mais intensas que alagam ruas e bairros e obstruem as precárias instalações
fluviais frutos da inércia de anos de desmandos administrativos. Faltam-lhe
muitos requisitos indispensáveis de uma grande metrópole. Primeiro, muniipalização dos serviços indispensáveis ao bom funcionamento de uma cidade do porte do Recife, tais como: transporte púbico de
qualidade, universalizados e acessíveis a todas as camadas da população;
esgotamento sanitário com captação dos dejetos produzidos pela cidade, com
usinas de tratamento desses dejetos
localizadas em várias partes da cidade, com destinação conveniente dos
subprodutos desse tratamento e servindo a população de toda a Capital; serviço
de coleta do lixo, reciclagem, tratamento
dos resíduos sólidos não recicláveis e destinação adequada dos mesmos. Programa de
habitação popular humanizada, com água, luz, esgotamento sanitário, em lugares
com acesso ao transporte, tirando a população das áreas de risco dos morros da
cidade, de debaixo de pontes e viadutos, beira de mangue e outras áreas
alagáveis, bem como da rua. Drenagem das áreas alagáveis; alargamento,
aprofundamento e forração com concreto das paredes dos canais da cidade, com
limpeza periódicas dos mesmos visando eliminar os transbordamentos com
alagamentos das vias públicas. Postos de Saúde e Policlínicas bem estruturados, equipados, com contratação
de médicos e pessoal de apoio da saúde, com remuneração compatível com a função
de cada categoria e disponibilização de medicamentos através do SUS. Rede
escolar ampla, em todos os bairros, ministrando ensino de qualidade e em tempo
integral, a partir do fundamental, com contratação de professores,
aperfeiçoando-os através de treinamento,
fornecimento de livros e revistas especializadas e recursos tecnológico de internet, bem
como retribuição salarial condigna com a
função docente.
Essa política de revitalização da
cidade incluirá abertura de largas avenidas interligando os vários bairros da
Capital; construção de pontes e viadutos que reduzam as distâncias entre os bairros e
enfrentando o problema dos engarrafamentos nas ruas do Recife. Mais ainda: será
necessário mudar a matriz de transporte
atualmente utilizada. O transporte rodoviário, que já demonstrou ser
ineficiente, deve ser auxliar, do tipo
radial, devendo ser introduzido como solução viável largamente conhecida no
mundo desenvolvido o metrô subterrâneo ou trens suspensos ligando os bairros
mais populosos da Cidade. Não esquecer que o Recife foi erroneamente pensado
para uma população de 600 mil habitantes. Hoje, tem mais de 1 milhão e 500 mil
pessoas. Em termos de população, e comparativamente as diversas capitais
nordestinas, Recife parou no tempo, para não dizer que encolheu. Faltou
planejamento para harmonizar o crescimento urbanístico e econômico da Cidade, em unção de sua expansão populacional.
Todavia, pensar o desenvolvimento
do Recife é um exercício bem mais amplo. Recife, polo da Região Metropolitana,
não conseguirá se desenvolver de forma isolada. A Capital está intima e
diretamente interligada às cidades de Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Podendo
esse entrelaçamento atingir o Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, no Litoral
Sul, e Paulista, Abreu e Lima e outras cidades, no
Litoral Norte. Ainda interage com cidades não litorâneas, como Camaragibe e São Lourenço da Mata, na Zona da Mata. Por sua
condição portuária, a RMR está igualmente ligada à Caruaru, e Vitória de Santo Antão, Petrolina e outras
cidades do Agreste e do Sertão. O planejamento do desenvolvimento do Recife tem
que contemplar suas ligações produtivas com essas cidades. É um trabalho de arquitetura
espacial e engenharia regional. A descentralização da atividade
produtiva, com incremento da produção industrial em várias regiões do Estado,
exige das autoridades do Estado e dos municípios um trabalho conjunto,
coordenado, acima dos interesses partidários, que de certo modo têm sido responsável pelo fraco desempenho
que o Estado vinha tendo até estas últimas décadas. Mas em termos de transporte
de massa, mobilidade urbana, habitação, saúde, segurança, entre outros
requisitos do progresso, a coordenação dos trabalhos de desenvolvimento da RMR deve contemplar com mais ênfase Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e
Cabo de Santo Agostinho. O que se espera é que os legisladores e gestores a
serem eleitos este ano tenham a competência para, libertos das amarras
partidárias atuais, pensarem uma cidade, e por extensão, uma Região Metropolitana mais forte, coesa, segura e mais justa.
Cidade, e por extensão uma RM, melhor, mais
segura, mais justa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário