NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 14 de julho de 2012


                     


              RECIFE E REGIÃO METROPLITANA
   PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO

Em meados da década de 40 do século  passado, o Recife sequer tinha aeroporto. O transporte aéreo era feito através dos hidroaviões  que desciam nas águas mansas da bacia do Pina. Rodovias, nem pensar. A ligação entre os bairros e  cidades a norte e a sul  era feita pela única via então existente, no caso, a Rua Imperial. O bonde era o transporte  de massa, mas as linhas de ferro do sistema  só ligavam os extremos dos bairros mais importantes. A cidade se resumia então a poucos bairros, e esses tinham pequenas dimensões.  Ruas estreitas e curtas, muitas vielas. A Praça  da    Independência, maior espaço público de concentração populacional então existente, funcionava como o coração da Cidade. Ali se realizavam shows, grandes comícios e se centralizavam as atividades carnavalescas. Avenidas como Guararapes, Conde da Boa Vista, Dantas Barreto, Agamenon Magalhães,  Caxangá  ainda não existiam. Recife ainda não era uma cidade favelada.

Olhando hoje a Capital, observa-se que houve alguns avanços. Mas ainda resta muito a fazer para tornar o Recife uma metrópole, centro catalizador das energias da RMR e do Estado, bem como recuperar sua posição de Cidade líder do Nordeste. Recife tem um trânsito travado  pelo excesso de veículos nas ruas da Cidade de poucas avenidas e ruas estreitas. Os gestores das 8 últimas décadas  não pensaram no longo prazo; a miopia política desses gestores  não enxergou que uma cidade, que era a 3ª Capital do País,  em número de habitantes e em desenvolvimento econômico, com um porto chave,  ponto de embarque e desembarque  de mercadorias que em terra  eram transportadas através de uma incipiente estrada de ferro de bitola estreita iria crescer e exigia um sistema viário que respondesse a essas necessidades.

Mas os problemas atuais do Recife não se resumem a uma mobilidade urbana de cidade que parou no tempo vendo o progresso passar, e aos alagamentos das principais vias de escoamento do trânsito com as chuvas mais intensas que alagam ruas e bairros e obstruem as precárias instalações fluviais frutos da inércia de anos de desmandos administrativos. Faltam-lhe muitos requisitos indispensáveis de uma grande metrópole. Primeiro, muniipalização dos serviços indispensáveis ao bom funcionamento de uma cidade do porte do Recife, tais como: transporte púbico de qualidade, universalizados e acessíveis a todas as camadas da população; esgotamento sanitário com captação dos dejetos produzidos pela cidade, com usinas  de tratamento desses dejetos localizadas em várias partes da cidade, com destinação conveniente dos subprodutos desse tratamento e servindo a população de toda a Capital; serviço de coleta do lixo, reciclagem,  tratamento dos resíduos sólidos não recicláveis  e  destinação adequada dos mesmos. Programa de habitação popular humanizada, com água, luz, esgotamento sanitário, em lugares com acesso ao transporte, tirando a população das áreas de risco dos morros da cidade, de debaixo de pontes e viadutos, beira de mangue e outras áreas alagáveis,  bem como da rua. Drenagem  das áreas alagáveis; alargamento, aprofundamento e forração com concreto das paredes dos canais da cidade, com limpeza periódicas dos mesmos visando eliminar os transbordamentos com alagamentos das vias públicas. Postos de Saúde e Policlínicas  bem estruturados, equipados, com contratação de médicos e pessoal de apoio da saúde, com remuneração compatível com a função de cada categoria e disponibilização de medicamentos através do SUS. Rede escolar ampla, em todos os bairros, ministrando ensino de qualidade e em tempo integral, a partir do fundamental, com contratação de professores, aperfeiçoando-os através de  treinamento, fornecimento de livros e revistas especializadas e recursos tecnológico de internet, bem como  retribuição salarial condigna com a função docente.

Essa política de revitalização da cidade incluirá abertura de largas avenidas interligando os vários bairros da Capital; construção de pontes e viadutos  que reduzam as distâncias entre os bairros e enfrentando o problema dos engarrafamentos nas ruas do Recife. Mais ainda: será necessário mudar  a matriz de transporte atualmente utilizada. O transporte rodoviário, que já demonstrou ser ineficiente, deve ser auxliar,  do tipo radial, devendo ser introduzido como solução viável largamente conhecida no mundo desenvolvido o metrô subterrâneo ou trens suspensos ligando os bairros mais populosos da Cidade. Não esquecer que o Recife foi erroneamente pensado para uma população de 600 mil habitantes. Hoje, tem mais de 1 milhão e 500 mil pessoas. Em termos de população, e comparativamente as diversas capitais nordestinas, Recife parou no tempo, para não dizer que encolheu. Faltou planejamento para harmonizar o crescimento urbanístico e econômico  da Cidade, em unção de sua expansão populacional.                                  

Todavia, pensar o desenvolvimento do Recife é um exercício bem mais amplo. Recife, polo da Região Metropolitana, não conseguirá se desenvolver de forma isolada. A Capital está intima e diretamente interligada às cidades de Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Podendo esse entrelaçamento atingir o Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, no Litoral Sul, e Paulista, Abreu e Lima  e outras cidades, no Litoral Norte. Ainda interage com cidades não litorâneas, como Camaragibe e  São Lourenço da Mata, na Zona da Mata. Por sua condição portuária, a RMR está igualmente ligada à Caruaru, e  Vitória de Santo Antão, Petrolina e outras cidades do Agreste e do Sertão. O planejamento do desenvolvimento do Recife tem que contemplar suas ligações produtivas com essas cidades. É um trabalho de arquitetura espacial  e engenharia  regional. A descentralização da atividade produtiva, com incremento da produção industrial em várias regiões do Estado, exige das autoridades do Estado e dos municípios um trabalho conjunto, coordenado, acima dos interesses partidários, que de   certo  modo têm sido responsável pelo fraco desempenho que o Estado vinha tendo até estas últimas décadas. Mas em termos de transporte de massa, mobilidade urbana, habitação, saúde, segurança, entre outros requisitos do progresso, a coordenação dos trabalhos de desenvolvimento  da RMR deve contemplar com mais ênfase  Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Cabo de Santo Agostinho. O que se espera é que os legisladores e gestores a serem eleitos este ano tenham a competência para, libertos das amarras partidárias atuais, pensarem uma cidade, e por extensão, uma Região Metropolitana mais forte, coesa, segura e mais justa.











































































































 Cidade, e por extensão uma RM, melhor, mais segura, mais justa.














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