GREVE
DOS ÔNIBUS
VANDALISMO E
IRRESPONSABILIDADE
A greve dos motoristas
e cobradores de ônibus da RMR começada de forma antecipada e irresponsável
ontem à noite vai continuar. Audiência de conciliação no Tribunal Regional do
Trabalho não resultou em nenhum acordo entre as partes. Os patrões oferecem um
pouco mais de 8%, mas os trabalhadores do setor de transporte de passageiros
querem 30%. Houve algumas propostas alternativas oferecidas pelos juízes do
Tribunal, também rejeitadas. Há uma contradição entre o que dizem o Consórcio
Recife de Transporte e o que se ver nas ruas. Segundo o CRT, 53% da frota de
ônibus está circulando. Mas o que as pessoas observam nas ruas da Capital são
avenidas vazias de coletivos. Os ônibus deixam as garagens, mas ficam
estacionados nos grandes terminais da RMR. A população sofre com ausência de
transporte, o comércio amarga perdas no faturamento e muitos trabalhadores
perdem seus empregos porque os patrões não querem saber dos problemas deles
para chegarem ao trabalho. E as famílias sofrem com isso.
Em alguns terminais troncos
da RMR a situação saiu de controle. Enquanto trabalhadores em greve furam os
pneus dos ônibus que estão estacionados nas áreas dos terminais, alguns
vândalos trasvestidos de passageiros destroem os coletivos, quebrando portas e
janelas. A ausência de transporte coletivo prejudica as populações de toda a
Região Metropolitana, mas o impacto maior é no Recife, em Olinda, Jaboatão dos
Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. Recife é o centro gerador de emprego e
renda de toda a Região,, enquanto os outros municípios são meros dormitórios.
As atividades econômicas nesses municípios-dormitórios estão prejudicadas pela
greve. Os trabalhadores não conseguem chegar aos locais onde trabalham e os
negócios informais sofrem com a ausência da freguesia costumeira. Milhares de
trabalhadores não vão às cidades onde trabalham temendo não poderem voltar para
casa no fim do horário de trabalho. Essa situação deve perdurar por mais alguns
dias, pois interesses outros que não precisam ser identificados aqui se
misturam às aspirações dos grevistas. Paciência, atuação das autoridades dentro
do limite da lei, é o que se aconselha neste momento.
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