CRISE ECONÔMICA MASSACRA EUROPA
CAUSAS DA CRISE SÃO
MAIS PROFUNDAS
PRIMAVERA ÁRABE TEM RESULTADOS DIFERENTES DA EXPECTATIVA
A crise econômica mundial pegou pesado
nos países ricos da Europa e da América do Norte. Se bem que a poupança nesses
países europeus, notadamente Itália e Espanha, tenha crescido numa relação inversa de maiores juros e menores
rendimentos, a conscientização do
europeu da zona do euro assegura uma
certa estabilidade da moeda única. Isso
no que tange à classe média, por que os trabalhadores das atividades
básicas amargam severos reveses. Redução
dos salários, aumento da carga horário de trabalho, corte nos programas
sociais, principalmente na saúde e na Previdência Social. A população desses
dois países está na rua protestando contra as chamadas “medidas de autoridade”.
Agitação, enfrentamento com a polícia e outras ações típicas dessas
situações são registradas nas cidades
italianas e espanholas. E ninguém garante que essas duas nações continuem na
zona do euro, o que poderá lançar por terra a política de poupança acima
citada.
Na França, o governo socialista
de François Hollande adotou medidas restritivas no âmbito do próprio governo.
Os ministros passaram a viajar de trem, houve redução no número de carros
oficiais a disposição das autoridades e
até a presidência francesa só dispões
agora de dois veículos antigos para o serviço protocolar. Muitas cidades
francesas tomaram medidas extremas para
conter a crise, reduzindo negócios na área industrial e outros setores. Dijon,
por exemplo, fechou todas as suas fábricas. O desemprego lá assume proporções
assustadoras. A Grã-Bretanha está no
limite de sua capacidade econômica. Á exceção da Alemanha – carro-chefe da
economia europeia, todos os países do Continente estão em situação difícil. A
discussão sobre como sanear os falidos bandos da União esbarra na oposição da
primeira-ministra Angela Merkel, que não quer se nivelar por baixo com os
demais parceiros. O que certamente acontecerá se a Alemanha transferir boa parte de suas reservas para
salvar os bancos europeus. Não adiante falar da Grécia, que essa não tem mais
jeito. O novo governo ainda não se consolidou, e Samaras terá enormes
dificuldades para formar um gabinete que consiga dar respostas aos anseios das
ruas, com uma população mais empobrecida, e cada vez mais carente de comida, assistência média e
sem expectativa em termos de Previdência Social.
Mas o leitor pensa que esses
problemas estão afetando apenas a velha e tradicional Europa? Nos Estados
Unidos, os municípios também estão falindo. Os menores, localizados no deserto,
não tardarão a se transformarem em cidades fantasmas. Um desses municípios, inclusive, chegou ao
fundo do poço. O prefeito reduziu os salários dos bombeiros e da polícia
(polícia lá é municipalizada). O salário dessas categorias, que na comparação
com a nossa moeda era de 600 reais, foram reduzidos para 180 reais. Enquanto
isso, no plano nacional, a briga política pela Casa Branca, confronta o
milionário conservador Mitt Romney e o atual presidente Barack Obama
mostra a sujeira, que lá como aqui,
corre por baixo dos bastidores da política. Sob vaias, Romney declarou num ato público que “revogará a
reforma da saúde” introduzida por Obama. O republicano defende os ricos
americanos e a alta classe média, beneficiada pelas leis sociais arcaicas em
vigor nos Estados Unidos há muitos anos. A civilização norte-americana,
dominada pelas elites compostas de grandes empresários e banqueiros, é
fortemente conservadora. Uma mulher pertencente à casse média, comentando a
reforma da saúde de Obama, que deve amparar cerca de 30 milhões de
trabalhadores norte-americanos, disse
que o presidente quer “socializar” a sociedade américa. Embora as pesquisas de
intenções de votos mostrem que Obama cresceu e está num linha ascendente
constante e pode definir as eleições ainda no 1º turno, o poder econômico pode
dar vitória ao republicano.
Essa crise dos países ricos,
aliada às expectativas negativas com relação aos resultados da chamada Primavera
Árabe, pede uma reflexão mais profunda sobre o que está acontecendo neste
mundo conturbado do Século XXI. A economia em geral está em dificuldades em
todos os países, inclusive na China- locomotiva do atual desenvolvimento
econômico mundial. O que está acontecendo?
As nações euroeias e os Estados Unidos torraram seus recursos orçamentários em
ação de guerra para assegurar a posse do rico petróleo árabe; interesses
políticos e econômicos dos países produtores de armas tornam difícil uma
solução razoável para os conflitos armados mundo afora; a indústria produz
menos, porque não tem como ampliar ou
manter suas vendas, com a perda de emprego ou capacidade compra dos cidadãos;
os bancos estão em crise porque financiaram as loucuras belicistas dos países
ricos; a economia global está em recessão. Por quê? Uma observação mais acurada
aponta para o esgotamento do sistema capitalista.
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