GREVE
DOS ÔNIBUS
BANDALHEIRAS
SEM LIMITES
Motoristas e cobradores
do Sistema de Transporte Coletivo da Região Metropolitana do Recife, depois de
uma paralisação de advertência no fim de
semana, programaram uma greve geral por tempo indeterminado. O movimento
paredista estava acertado para começar a zero hora dessa 4ª-feira, dia 4. Mas
grupos mais exaltados se anteciparam, e já nas primeiras horas da noite desta
3ª-feira começaram a parar o sistema. Algumas lideranças do movimento invadiram
as principais vias do centro da Cidade e iniciaram o que se pode chamar de
bandalheiras. Esses grevistas começaram a parar os ônibus na Conde da Boa Vista
e outras avenidas importantes do centro do Recife; faziam os motoristas desses
ônibus descerem dos veículos, furavam os pneus, davam grito de ordem e levavam
terror aos passageiros que estavam voltando para suas casas vindos do trabalho,
da escola e de outras atividades próprias de uma cidade grande. Não se sabe
ainda como está a situação em outras zonas da cidade e em outras cidades da RMR
nesta noite de 3ª-feira.
Mulheres, adolescentes,
crianças, pessoas idosas pegas de surpresa por um movimento antecipado e
abandonados à própria sorte nas ruas perigosas do Recife em meio ao frio que
faz nessa Capital. Essa forma de fazer greve é um atestado da falta de
cidadania, um abuso do direito de se manifestar assegurado pela Constituição.
Confunde-se liberdade com baderna, e em vez de prejudicar os empresários, dos
quais os grevistas cobram aumento salarial e melhores condições de trabalho,
pune-se uma população que não tem outro meio de locomoção senão o ônibus. Há
outras formas de se manifestar contra patrões. Todos sabem quais são. Mas o
radicalismo dos grevistas não permite que eles enxerguem isso. Na verdade, os
patrões serão os menos penalizados nesse episódio lamentável; mecanismos de compensação
viabilizarão os estragos praticados durante
a greve, e a população arcará com os custos operacionais das empresas pagando
passagens mais caras; podem esperar os aumentos de tarifas nos próximos dias.
Os operadores do sistema enxergam sim o que uma greve de ônibus produz de prejuízos
para a população, mas eles querem mesmo é demonstrar poder; e poder político,
que com certeza está por trás dessas exacerbações de ânimos.
Vamos esperar a
quarta-feira, observar os estragos causados pelos grevistas nesta noite e
avaliar o que poderão fazer durante a guerra decretada contra o patrões.
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