SOMOS TODOS IGUAIS
REZAS, CHOROS, CANTOS, DANÇAS, PALHAÇOS, CONTORCIONISMO E MUITAS OUTRAS EMOÇÕES
Esse começo do mês de novembro mostra a complexidade da
mente e das emoções dos pernambucanos e de todos os brasileiros. É um momento mágico, nostálgico, ansioso e ao
mesmo tempo festiv0. Talvez único na configuração de um povo. No dia 1
comemora-se o Evento de Todos os Santos. No dia 2, as famílias se dedicam
a reverenciar seus mortos no Dia
de Finados. Em meio a esse ritual de religiosidade vem, também no inicio do
mês, o Dia do Frevo, com clubes, troças, maracatus e principalmente blocos evocando
velhos carnavais em que se homenageia Raul Morais, grande compositor. O Circo
vem movimentar essas manifestações culturais da nossa gente, com apresentações
em teatros, praças e avenidas da Cidade. E no dia 5, numa mistura de religião,
etnia e folclore, vem o Dia da Consciência
Negra. Aqui, precisamente aqui, é necessário
ter muita compreensão e respeito às desigualdades culturais que formam esse
mosaico de cores, credos e ritmos que caracterizam a gente brasileira. Axé, candomblé, Iemanjá, flores,
festas no mar, essa miscelânea formada pelos brasileiros descendentes de
escravos africanos pede passagem.
O sincretismo religioso desse povo miscigenado, predominante
sobretudo na Bahia, não é visto com bons olhos por boa parte da população,
notadamente a de formação protestante e assemelhadas. É preciso ter em mente
que essas manifestações resgatam as origens desse segmento popular brasileiro.
Arrancados de sua terra natal, a Mamãe-África, seus antepassados foram
trazidos a força para trabalharem nos
canaviais dos engenhos e nas culturas de cacau do Nordeste e submetidos à
servidão nas cidades que iam nascendo por esse País afora. É a reminiscência de suas origens, a manifestação de sua
cultura. E como tal deve ser respeitado. Afinal, forma eles que com trabalho,
suas crenças, suas culturas construíram e ajudam a consolidar a formação de um povo
chamado Brasileiro.
Dia de Todos os Santos, Dia de Finados, Dia do Frevo, Semana
do Circo, Dia da Consciência Negra se misturam nesse caldeirão de emoções que
distingue o brasileiro de qualquer outro povo. Qualquer que seja sua religião,
ou se você não tem religião, se associe a essas manifestações distintas nas
formas, mas iguais numa verdade incontestável:
brancos, de olhos pretos, azuis, castanhos ou verdes; pretos, de todos os
feitios; morenos, pardos; ricos, favelados, esse é o Povo Brasileiro, cujos
cidadãos têm correndo em suas veias o mesmo sangue miscigenado. Ninguém é
melhor do que ninguém; somo todos iguais.
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