(DESEN)CANTO
Não tenho pressa, como devagar
A comida insossa, não uso sal
Não me incomoda, não faz mal
Até me ajuda bem
mastigar.
Macrobiótico não, vegetariano
Só como mato; folhas, raízes e frutos
Parece coisas de homens brutos
Mas é necessidade de interiorano.
Bebo a água lá do velho riachão,
Borbulhante como chaleira a ferver
Mas é friinha, boa de se beber
Lava tudo, ainda irriga o chão.
Não tenho pressa, durmo devagar
Meu sonho é forte, amplo, profundo
Sonho com as
fantasias do mundo
Tão reais, pesadas pra carregar.
Moro no mato, não tenho casa
Não quero entulho, mobília,
Vivo sozinho, não tenho família
Tudo passou, ficou na cova rasa.
Sou livre como um passarinho
Vivo ao sabor do vento, sem temor
Não sei o que é paixão, ódio, amor
Por isso aprendi a viver sozinho.