-Maria Isabel: você precisa acabar com essa mania de dizer
que me ama.
-Carlos Alberto: mas eu te amo de verdade.
-Maria Isabel: não permiti que me amasse..
-Carlos Alberto: amor não tem cerimonial; amor acontece, não
precisa de permissão. E eu não preciso de tua autorização para te amar.
-Maria Isabel: e se
eu não te amar?
-Carlos Alberto: pouco importa, eu te amo assim mesmo.
-Maria Isabel: eu vou casar com outro rapaz.
-Carlos Alberto: eu espero, sou paciente. Quem sabe, um dia,
quando estivermos velhinhos, poderemos ter a oportunidade de nos amarmos.
O diálogo, longo e enfadonho, parou quando o pai de Maria Isabel
chegou do campo. O velho Claudemiro
desceu do cavalo, tirou a cela do alazão, libertou-o dos arreios e com
um leve toque no quadril o fez correr para a estribaria onde o esperava
suculenta refeição a base de capim e mel de furo.
Carlos Alberto, antes sentado na varanda do terraço da casa-grande, já estava de pé para
cumprimentar o rígido e pouco simpático possível futuro sogro.
-Bom dia, coronel; estava aqui a conversar com a Isabel...
-Maria Isabel, corrigiu o velho alto e avermelhado. "Vai
filar também a bóia?".
-Compilado do meu livro ROMANCE À BEIRA DO RIACHO.
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