AÉCIO REPRESENTA O VELHO CORONELISMO
Euclides da Cunha e seu
mais fiel seguidor Guimarães Rosa desvendaram uma parte quase ainda invisível
do Brasil. Os Sertões e Grande Sertão - Veredas são livros que mostram os contrastes
de uma natureza exuberante e de uma gente ainda em formação. Mas o que
os grandes escritores não imaginavam era que o Brasil fosse ser fatiado regionalmente
e transformado num curral eleitoral. Em estados do Nordeste e do Sudeste, o
voto ainda é de cabresto. Bahia e Minas Gerais, para citar dois grandes estados
da Federação, têm regiões onde o voto de cabresto prevalece em regiões mais
distantes da capital e de grandes cidades.
Na Bahia, tem havido algum progresso
nessa questão, mas as cidades mais distantes ainda são vulneráveis a esse jeito
antigo de fazer política. Minas Gerais, uma Estado com mais de 800 municípios,
tem duas regiões ricas: a metropolitana e o Triângulo Mineiro. O TM, com sua
grande metrópole Uberlândia, possui
grande concentração de atividades econômicas que fazem a diferença na
economia mineira. Mas tem o Vale do Jequitinhonha - o "nordeste"
deles, região atrasada do ponto de vista econômico, político e social. O expectro dessa região se estende ao norte do Estado, com Montes
Claros como cidade-polo. Nessas áreas, a
maioria das cidades são geridas pela mentalidade dos velhos coronéis. O voto é
de cabresto, poucos são os que têm oportunidade de votar por opção própria,
pois é grande o número de pessoas que dependem de empregos municipais, e votam
no candidato do prefeito, sempre um dos membros da elite local.
Esse é o cenário onde
Aécio Neves nasceu e cresceu. E esse é o
cenário que está mudando por força da atuação de novas lideranças políticas. Aécio, que quer mudar o Brasil,
não conseguiu mudar o modo secular de gerir a coisa pública em Minas Gerais. Quem
tá mudando é a nova safra de lideranças políticas mineiras. Aécio não representa
mudança alguma; Ele é o continuísmo desse modelo de política velha. Minas
Gerais - são os mineiros que afirmam, tem péssimo serviço de saúde, educação
mal avaliada e altas taxas de criminalidade. E Aécio quer consertar tudo isso
em plano Nacional. Antônio Carlos Magalhães, o velho chefão dos coronéis do
ciclo do cacau, teve sua política
rejeitada pelos baianos; e Aécio, representante das oligarquias cafeeiras e
pecu derrotado no seu próprio estado, também terá a rejeição da maioria dos
brasileiros nas eleições do dia 26 próximo.
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