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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

        AÉCIO REPRESENTA O VELHO CORONELISMO
Euclides da Cunha e seu mais fiel seguidor Guimarães Rosa desvendaram uma parte quase ainda invisível do Brasil. Os Sertões e Grande Sertão - Veredas são livros que mostram  os contrastes  de uma natureza exuberante e de uma gente ainda em formação. Mas o que os grandes escritores não imaginavam era que o Brasil fosse ser fatiado regionalmente e transformado num curral eleitoral. Em estados do Nordeste e do Sudeste, o voto ainda é de cabresto. Bahia e Minas Gerais, para citar dois grandes estados da Federação, têm regiões onde o voto de cabresto prevalece em regiões mais distantes  da capital e de grandes cidades. Na Bahia, tem  havido algum progresso nessa questão, mas as cidades mais distantes ainda são vulneráveis a esse jeito antigo de fazer política. Minas Gerais, uma Estado com mais de 800 municípios, tem duas regiões ricas: a metropolitana e o Triângulo Mineiro. O TM, com sua grande metrópole Uberlândia, possui  grande concentração de atividades econômicas que fazem a diferença na economia mineira. Mas tem o Vale do Jequitinhonha - o "nordeste" deles, região atrasada do ponto de vista econômico, político e social.  O expectro dessa  região se estende ao norte do Estado, com Montes Claros como cidade-polo.  Nessas áreas, a maioria das cidades são geridas pela mentalidade dos velhos coronéis. O voto é de cabresto, poucos são os que têm oportunidade de votar por opção própria, pois é grande o número de pessoas que dependem de empregos municipais, e votam no candidato do prefeito, sempre um dos membros da elite local.

Esse é o cenário onde Aécio Neves nasceu e cresceu. E esse  é o cenário que está mudando por força da atuação de  novas lideranças  políticas. Aécio, que quer mudar o Brasil, não conseguiu mudar o modo secular de gerir a coisa pública em Minas Gerais. Quem tá mudando é a nova safra de lideranças políticas mineiras. Aécio não representa mudança alguma; Ele é o continuísmo desse modelo de política velha. Minas Gerais - são os mineiros que afirmam, tem péssimo serviço de saúde, educação mal avaliada e altas taxas de criminalidade. E Aécio quer consertar tudo isso em plano Nacional. Antônio Carlos Magalhães, o velho chefão dos coronéis do ciclo do cacau,  teve sua política rejeitada pelos baianos; e Aécio, representante das oligarquias cafeeiras e pecu derrotado no seu próprio estado, também terá a rejeição da maioria dos brasileiros nas eleições do dia 26 próximo.

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