NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

UM  RETRATO VELHO NA PAREDE
Funcionário que trabalhava sob minhas ordens costumava rotular colegas. Nem o chefe escapava das comparações bobas  do irrequieto, sempre bem humorado e debochado amigo. Certa vez, olhando fixo para um colega que havia terminado o curso de economia, começou a descrever o perfil do mesmo. Mostrou - apontando o dedo, o contorno do rosto, a forma de pentear o cabelo, o bigode, o nariz espichado, os olhos "quase mortos",  as enormes  orelhas  e um sinal na bochecha que chamou de "pinta".  Desceu o olhar, e analisou o pescoço curto do rapaz. Mais abaixo, a beca, com camisa  clara, colete, paletó jaquetão, gravata borboleta; nada escapava à análise  do incômodo "retratista".


A parte de baixo, calça, sapatos, meias, ah, isso não interessava. O foco da observação era tórax, pescoço, cabeça... A cena já inquietava os circunstantes, pois se aproximava o fim  do repouso pós almoço e a hora de retornar ao batente, atender ao público carente de assistência médica. Mas o debochado do colega não se dava  por satisfeito. Nem vencido. E tascava comentários. Interessante era que a figura do quase insólito colega também era risível. Ele sabia contar piadas como ninguém. E arrancava risos da platéia só em se mexer, se posicionar para a piada. essas coisas pouco importavam para ele.Seu objetivo era fazer rir, ainda que às custas do constrangimento alheio. Pois é: avisei que ia começar o atendimento, e o nosso herói de epopeias hilárias  resumiu toda a sua observação numa frase ridícula, dizendo que o neo-formando parecia um daqueles retratos velhos na parede.

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