QUESTÃO DE GÊNERO
Quando na década de oitenta ouvimos pela primeira vez a palavra tsunami perguntamos a um professor que havia abandonado o magistério para se dedicar ao jornalismo o que era aquilo. E ele, didaticamente, nos disse que se tratavam de "ondas gigantes" que ao atingirem o continente se espraiavam com velocidade levando destruição às regiões mais baixas. Como eram "ondas", entendemos tratamento gramatical apropriado, isto é, estavamos lidando com substantivo feminino bem caracterizado por ser antecipado do artigo feminino definido "a". E assim continuamos a grafar o substantivo. Desde o terremoto de 1995, que arrazou com cidades de vários países do pacífico, temos visto a palavra ter um tratamento masculino. Consultando um professor de matemática e física, aposentado e desde algum tempo se aprofundando nos estudos do inglês e do alemão, este concordou com nossa tese, mas nos aconselhou a seguir a norma oposta que se generalizou, o que "evitaria polêmica". Sendo assim, a partir de agora, quando nos referirmos às ondas gigantes que atualmente ocupam o noticiário da imprensa internacional sobre o Japáo, trataremos o termo como "masculino".
Analogamente, quando nos referimos a um bairro do Recife espremido entre a Rua Imperial e a bacia do Pina, dizemos "a Cabanga". Mais uma vez, consultamos famoso historiador já falecido sobre essa questão de gênero, e ele endossou integralmente nossa tese. "Cabanga", sabem todos os apaixonados pela história, era uma bebida fermentada fabricada pelos indígenas que habitavam aquela faixa de terra
banhada pelo braço morto do Capibaribe. E bebida é uma palavra de gênero feminino, sendo pois regida pelo artigo feminido definido "a". Depois da fundação do Cabnga Iate Clube, e de uma rua de barro batido que depois veio a se chamar Avenida José Estelita, ambos na década de 40 e para cuja construção foram destruídos os últimos vestígios da existência da tribo que ali viveu, é comum a imprensa dá tratamento masculino à palavra Cabanga, na verdade, confundindo o bairro com o clube de velas frequentado pela elite pernambucana. Por tudo isso, continuaremos tratando o bairro como a Cabanga, dando-lhe a devida conotação feminina.

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