NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 1 de março de 2011

               É    C   A   R  N   A   V   A   L !

O carnaval estar à porta. Estamos em plena semana pré-carnavalesca. A folia mesmo começa sábado, pois de há muito deixou de existir esse então badalado "tríduo monesco". No Recife o carnaval começa com os bailes tradicionais realizados por entidades e pela prefeitura. O baile de máscaras, o baile municipal; e por clubes de bairros cujos seguidores enchem as ruas da pereiferia  desde o domingo anterior ao carnaval.
Nestas 6 últimas décadas o carnaval de Pernambuco passou por profundas modificações. Se é verdade que nunca deixou de ser uma festa onde uma minoria desvairada e deseducada  transforma em espaço para exibir suas excentricidades anômalas e seus instintos violentos, o carnaval de antigamente reunia as familia para brincarem em suas casa. Confetes, serpentinas, lança perfume (hoje probido devido aos excessos praticados por quem as usavam), talco, o famoso banho, o corso (uma formação de carros ornamentados onde as famílias desfilavam fantasiadas pelas ruas centrais dacidade, tudo ao som de marchinhas exaltando  a alegria e o amor. Tempos bons aqueles que não voltam mais!
Nesse sábado sai o Clube de Máscaras Galo da Madrugada, que nem é mais "clube de máscara" nem "da madrugada". Tornou-se a maior agremiação carnavalesca do Planeta, conforme registro do Guines.Um clube de ricos, de visual extraordinariamente pomposo a massagear o ego da elite. Este ano o Galo deve arrastar uma multidão talvez maior do que a população da Capital pernambucana: 1 milhão e 600 mil pessoas. Dezenas de trios elétricos e 3 carros alegóricos formarão o desfile que deve durar cerca de 9 horas e monopolizar por este tempo o espaço central da Cidade. Figuras importantes do meio artístico e social daqui e de outras paragens estarão nos carros do desfile e nos camarotes do trajeto por onde o Galo vai desfilar. O ex-presidente Lula, comenta-se, estará resente.
De domingo até 3ª-feira, uma infinidade de blocos da cultura carnavalesca pernambucana estarão desfilando pelos principais polos carnavalescos da Cidade. Clubes, troças, blocos líricos, maracatus, caboclos de lança, caboclinhos e outros mais invadirão a Cidade, que praticamente fechou para acolher as agremiações carnavalescas locais e a enorme população que se deslocará para o centro.
Em Olinda, talvez o maior carnaval de rua da RMR, polo de atração de centenas de turistas que virão de outras cidades, estados e de muitas partes do exterior, as agremiações e os bonecos gigantes estarão subindo as ladeiras centenárias da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Há dois domingos seguidos a orla de Olinda assistiu aos desfiles de duas agremiações tradicionais da Marins dos Caetés. As Virges de Olinda e as Virgens do Bairro Novo, entidades típicas do carnaval de excracho onde jovens masculinos se vestem de mulheres e aprontam cenas sulrealistas. Formavam uma agremiação só, mas houve dissidência e foi criado novo "clube".´
O frevo, ritmo típico de Pernambuco, predomina nas ruas do Recife e de Olinda. Mas  o ritmo bahiano do axé já compete com o frevo. Em Recife e Olinda o carnaval tem conotação multicultural, o que permite a presença de ritmos de várias partes do País animando o carnaval das duas cidades. O frevo tem 2 versões distintas: frevo de rua, ritmo rasgado dos clubes e troças; frevo canção, versão lírica cantada pelos blocos líricos. Os maracatus toca  um ritmo cadenciado, marcado por tambores e que lembram os batuques de terreiros, de onde provém. Os caboclinhos tem um ritmo marcado por tocar de flexas que produz um caminhar desparado dos seus integrantes. Em Pernambuco já não existem os famosos clubes de alegorias dos carnavais dos anos 50. "Anjos Rebeldes", "Os Quatro Diabos" e outros mais perderam espaço no carnaval do Estado. Enfim, cada tipo de agremiação do carnaval multicolorido e multicultural de Pernambuco  tems suas características próprias.
O editor do blog conheceu vários carnavais; viu as transformações pelas quais essa festa passou. Essa história, na verdade, vai ser contada por Ronaldo da Hora, carnavalesco, produtor cultural, professor de música e um homem com larga visão da sociedade recifense e pernambucana.
Esperem só um pouco!

-NESSA  FOLIA, O MÍNIMO QUE O BLOG PODE FAZER É RECOMENDAR AOS FOLIÕES  MODERAÇÃO, CAUTELA E BON SENSO. NADA DE MISTURAR BEBIDA COM DIREÇÃO. SE BEBER, NÃO DIRIJA, SE VAI DIRIGIR, NÃO BEBA. EM CASA, SUA FAMÍLIA O ESPERA!




     OS  CARNAVAIS QUE EU VI - 1ª PARTE
                       RONALDO DA HORA

Aos nove anos de idade, quando meu pai morreu, ficou a lembrança quando ele transformava a nossa casa em um grande salão de festa. Ele tocava banjo, cavaquinho e violão, foi músico de "Batutas de São José". Herdei dele o amor pela cultura, pela música, etc. Aos 45 anos meu pai dançava frevo, se abaixava, levantava, e eu ficava admirado com tamanha desenvotura para sua idade.
Logo após a morte do meu pai dei tabalho à minha mãe, eu correndo atrás das troças de calção na Mustardinha, indo para a Estrada dos Remédios nos ensaios de rua de rua dos clubes Prato Misterioso, Pão Duro, Teimoso, etc. Certa vez, atrás do frevo rasgado, enfiei o pé na lama e a sandália ficoou lá, mas eu continuei atrás das troças. Nas sexta-feiras pré carnaval a Mustardinha parava, bem como o Bongi, Prado e adjacências para ver o Navio da Coca-cola, um "trio com cavaquinho" em forma de navio todo iluminado que abria o nosso carnaval.
Tenho muita saudades do verdadeiro Micarene, carnaval fora de época criado aqui em Recife na Senana Santa; quando eu saia da Mustardinha  para ver o Clube das Pás Douradas ou Inocentes do Rosarinho  em Campo Grande. Outra coisa que sinto falta é da Buscada dos Estandartes: uma das agremiações fazia um estandarte novo, e ia buscá-lo na casa dos sócios ou beneméritos. Havia também Encontro de Estandartes quando 2 portas-estandates se abraçavam com os mesmos em uma verdadeira confraternização.
Até a próxima crônica, amigos.

NB: como já afirmado antes, Ronaldo da Hora é o novo colaborador do blog, escrevendo às quartas-feiras sobre cultura popular.


                            

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