NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

FUTEBOL, CARTOLAGEM E CORRUPÇÃO


Locutor esportivo da   Recife teria sido sondado pela Record para se transferir para a emissora do pastor Edi Macedo. Teria sido oferecido ao sondado locutor salário de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Até agora o narrador não deu resposta.  Vai entender!

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A propalada saída de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ficou no ar. O homem sai ou não sai? Há quem diga que Teixeira se licenciaria até o término da Copa 2014. Licença ou renúncia, eis a questão. As denúncias contra o mandatário do futebol  brasileiro são graves. A corja em torno da CBF é grande. Inclui, além de Teixeira, seu sogro, João Havelange, a filha deste e outras pessoas citadas em investigações do Ministério Público suíço. Teixeira, que sempre pensou em morar na Europa, pensava igualmente na presidência da FIFA. Como se convenceu que não é páreo para Michel Pratini, deve ir morar talvez na França. O que é importante é que se sanei a CBF das mazelas da atual gestão.
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As arenas para as disputas da Copa 2014 têm suas construções empurradas  com a barriga. A cartolagem do futebol, em conluio com as empreiteiras, espera que o tempo passe bem de mansinho; que as obras atrasem com as greves frequentes nos canteiros de obras. Quando o tempo estiver se esgotando, vão apelar para os cofres públicos. E o dinheiro que poderia ir melhorar os hospitais, escolas e a segurança acabará recheando as carteiras desses picaretas. Incluindo ai políticos desonestos.


campanha de fraternidade





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


    A  EUROPA  MERGULHADA  EM CRISE

Num continente onde até tempos recentes as questões entre os países se resolviam com as invasões pelos esquadrões de cavalaria ou a boca do canhão, a Europa atual, da União Europeia e do euro, mudou muito. Em alguns casos, mudou para pior. Nações pobres, como a Grécia e a Ucrânia, ficaram mais pobres ao adotarem a moeda única. E países desenvolvidos, como a Itália, parecem terem perdido o rumo. E que dizer de nações em processo de desenvolvimento econômico, que passaram por crises políticas e estiveram sujeitas a regimes ditatorias, casos da Espanha e de Portugal?

A União Europeia chegou para “Harmonizar os países do Continente” e o euro para “Unificar procedimentos econômicos e financeiros”.  Porém, as diferenças culturais de cada país não foram levadas em conta. O resultado de tudo isso é um caldo cultural que não se mistura. O Banco Central Europeu não tem o volume de dinheiro que seria necessário para sanar os problemas financeiros das nações do grupo. Entra em ação o FMI, fator de desgaste para todos os países que precisaram dele. E ai, como fica?

Fica que a coisa parece estar sendo empurrada com a barriga. Cada providência adotada pelas autoridades europeias da região do euro aprofunda o fosso que existe entre os vários países do bloco europeu. A má gestão econômica, a corrupção e a vaidade dos líderes partidários se juntam ao caldeirão político-institucional da União Europeia. Democracias parlamentaristas, as nações europeias passam por momentos de crises cíclicas. À exceção da Inglaterra, onde existe um parlamentarismo verdadeiro no qual o primeiro ministro é quem manda de fato, ficando a rainha como simples mestre de cerimônia (até os discursos da rainha são escritos pelo primeiro-ministro), as outras nações, como França e Itália, por exemplo, possuem um sistema híbrido de governo. Em muitos casos, na França, o presidente atuou como chefe de governo, quando ele é apenas um chefe-de-Estado. Isso  dificulta a condução dos negócios e a tranquilidade interna do País. Nicolas Sarcozy, no momento sufocando o primeiro-ministro, é um bom exemplo disso. Experts em políticas, antevendo o fracasso da União Europeia, já pregam a extinção do euro como medida para evitar o agravamento da crise europeia. Será?



              CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012
    SAÚDE   AO   ALCANCE  DE   TODOS

Passado o período carnavalesco, a Igreja Católica inicia o período quaresmal. Uma quarentena, para libertar o espírito das coisas materiais e refletir sobre os grandes problemas que desafiam a sociedade. O tema deste ano não poderia ser mais oportuno: Saúde ao alcance de todos.
É um escárnio  contra o cidadão comum o sistema público de saúde.  Há uma estrutura montada,  uma capacidade instalada com hospitais públicos e privados, clínicas, policlínicas e assemelhados. Mas nada disso funciona para o grande público. Faltam médicos e equipamentos, sem falar na constante falta dos indispensáveis medicamentos. Quando se precisa de uma UTI, então, é uma calamidade. Vamos aguardar para ver se a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deste ano possa levar a discussão do problema da saúde pública  para um nível  mais alto, de maior seriedade                       e que essa discussão leve as autoridades constituídas  a adotarem providências visíveis, eficazes e realistas capazes de assegurar ao cidadão comum a assistência médica prevista na Constituição.

             BLOG   SAI   DO   RECESSO

O Blog esteve de recesso nesse período carnavalesco. Uma pausa para descanso e para reflexão. Como é diferente a sociedade de hoje, comparando-a com a que existia até meados da década de 50 do século XX. O corso, as marchinhas, os blocos líricos, as troças e os clubes carnavalescos, os clubes de alegorias,  o lança-perfume usado com moderação, confete, serpentina; os desfiles nas ruas estreitas da cidade, tudo se concentrando em torno do palanque da Federação Carnavalesca.

Os blocos desapareceram das ruas e só agora ressurgem alguns na tentativa de sobrevivência da modalidade carnavalesca. O lança-perfume passou a ser uma droga perigosa, e proibida. Os foliões não tem mais aquela alegria natural de quem “trabalha um ano e cai na foia”. Hoje, tudo é marketing. O Galo da Madrugada é o novo ícone do carnaval, arrastando para o centro da Capital tanta gente que supera numericamente a população do Recife. A violência se banalizou; ônibus depredados, causando prejuízos a quem no pós-carnaval precisa se deslocar para o trabalho, a escola, o lazer ou em demanda aos serviços médicos.

Parece saudosismo. E é! Saudade dos velhos tempos em que se viajava a pé, muitas vezes porque não se tinha o dinheiro para pagar a passagem ou pelo simples exercício de caminhar, tão salutar e desprezado nos dias de hoje. O que aconteceu no sambódromo de São Paulo, durante a apuração do desempenho das escolas de samba da capital paulista é bem um exemplo dessa desumanização do carnaval, da força do dinheiro e do marketing substituindo a espontaneidade. O carnaval, tradição do povo brasileiro, deve continuar. O que é urgente é limitar a subordinação dos festejos ao império do poder econômico e tornar as leis mais rígidas, de modo que se possa minimizar ações de vândalos que destroem o patrimônio público e atentam contra a segurança e a própria vida do cidadão que quer apenas se divertir.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O  PAPEL DAS REDES SOCIAIS NO MOMENTO ATUAL


As redes sociais têm prestado inestimáveis serviços à causa da paz mundial. Muitas das atrocidades praticadas pelos ditadores depostos pela chamada  Primavera Árabe só se tornaram conhecidas do público ocidental devido ao trabalho corajoso de internautas que enfrentaram a censura local e enviara imagens e notícias sobre o que estava acontecendo por aquelas bandas. A imprensa é controlada pelos governos da região, e a censura à imprensa ocidental, de tão feroz, tem causado a a prisão de muitas jornalistas estrangeiros; quando não são torturados e até mortos. Verdade que há nesse mar revolto do Oriente Médio muita gente a serviço de causas nem sempre nobres. A paixão ideológica, ou o simples desejo de “agitar” o momento delicado por que passa o mundo árabe tem produzido notícias e até imagens tendenciosas tanto por parte da internet quanto  da parte de outras mídias, incluindo ai, principalmente, a grande imprensa. Interesses econômicos, políticos e ideológicos turvam  o quadro de notícias que vem da rica região produtora de petróleo. E ai está o nome – ou o xis do problema: petróleo.

O Ocidente, tanto quanto o mundo árabe, muitas vezes deturpam a realidade dos fatos. E essa certeza faz com que não só o noticiário da imprensa, mas também as mensagens via internet  não possam ser confirmados. De qualquer forma, a internet, controlada em todos os países daquela região, tem sido a única fonte de informação sobre a ação devastadora das tropas oficiais dos ditadores ainda no poder, como é o caso de Bashar  al-Assad, da Síria. Verdade que ocorre ali uma guerra surda entre o poder e as intenções dos governantes. Uns são títeres das potências econômicas ocidentais, embora posem  de “salvadores da pátria”; outros,  só querem auferir o lucro que o poder proporciona, pouco se importando com o que de fato ocorre com as populações privadas de habitação digna, transporte decente ou de um quadro alimentar minimante aceito. O desemprego e a fome rondam  quase todos os países árabes, embora o rico petróleo faça a alegria dos líderes da região.

Finalmente, é notório o espírito de insurgência que se alastra por todos os continentes,  Os motivos são os mais diversos possíveis, dependendo da região ou continente. Mas no fundo, detecta-se  uma insatisfação generalizada com o sistema econômico globalizado que oprime os trabalhadores. Para onde estamos caminhando, só o futuro dirá. Mas é importante que fiquemos vigilantes  e possamos utilizar os meios de comunicação disponível em cada momento para denunciar essa arrancada escravagista de um sistema falido que insiste em se manter  no comando.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


           

                                 GATA, CARENTE E MANHOSA

                                       Emílio J. Moura



             -Tenho uma pilha de papéis diversos espalhados diante de mim sobre minha mesa de trabalho. Tenho que separá-los, classificá-los, arquivá-los. Na verdade, estou perdido. Já não sei o que é que nessa montanha de notas, ofícios, relatórios, os cambaus! Estou estressado!

            -Então, porque você não larga tudo isso ai e vem para minha casa ficar comigo esta tarde? Seríamos companhias agradáveis um para o outro. Eu ouviria seu filosofar de homem experiente, e de minha parte tocaria violão e cantaria doces canções para você!

           Não nos víamos há uns dez anos. Conhecemo-nos na escola de administração. Ela dominava a área de organização e método. E se sentia encantava com minha experiência em tabulação de doenças e procedimentos cirúrgicos. Depois da formatura, nossos caminhos se modificaram e alguma coisa estranha se intercalou entre nós dois, e nos separou. Naquele começo de tarde eu havia retornado do breve almoço e recomeçado a arrumação daquela montanha de documentos que chegavam à minha mesa, às enxurradas, todo fim de mês. O telefone sobre meu birô toca. Atendo, e ouço sua voz. Levei algum tempo para assimilar aquele timbre de voz. Era de alguém que eu conhecia. Mas quem? Minha demora em falar a fez avivar minha memória:

         “Então você já me esqueceu? Sequer se lembra da minha voz?”

        “Débora!!! Quanto tempo! Por onde tu andas, mulher?” Ela riu, satisfeita com o enunciado do seu nome.

         Conversamos brevemente sobre amenidades. Lembramos os bons momentos que passamos juntos durante aquele semestre em que nos encontramos; os almoços no hotelzinho de pé-de-escada, os encontros da turma no restaurante do Gregório às sextas-feiras. Essas coisas. Uma pane na central telefônica do hospital abortou nossa conversa. E eu continuei lidando com os meus papéis. Até me saturar, largar tudo aquilo em cima da mesa e ir para casa. Cheguei extenuado pelo trabalho e também pela inclemência do Sol que ardia lá fora. Mais cansaço mental do que físico. Para complicar, tinha certeza que o dia seguinte seria muito pior. Passei o muro, entrei como sempre pela porta lateral e fui direto para o terraço. Estava só em casa. Deitei-me sobre o chão do terraço. De sapato e tudo. A sombra projetada pela densa copa do jambeiro que existia no quintal e o friozinho do tanque d`água bem abaixo do piso propiciavam-me aquele clima agradável, me aliviando o sofrimento. Já quase cochilava quando o telefone tocou. Era ela.

        -Você interrompeu nossa conversa...

        -Não, a linha caiu, houve pane no sistema telefônico interno.

        -Melhor assim!

        Estranhei aquele contato. Ela me perguntou sobre os papéis, e eu respondi que aquilo ali era minha rotina de todo fim de mês. Débora perguntou por “ela”.”Se estava em casa”. Não, não estava, informei pra ela. Àquela hora estaria na metade do seu expediente de trabalho. Perguntou pelos meus filhos. Vão bem, respondi. O menor tem cinco anos, e está com a mãe: tem consulta hoje.

        -Você tem um filho com cinco anos? indagou como que espantada com a informação recebida. E logo arrematou: “é filho dela?”

        -Claro! Afinal, ela é minha esposa...

        -Ela te enfeitiçou!

       -Mas “ela” tem nome e sobrenome; você lembra, não é?

       Débora não responde. Ouço através da linha sua respiração ofegante. Antes da conversa tomar outro rumo, lembrei de perguntar: “Como você achou o número do meu telefone?” De fato, nunca havia fornecido esse número para nenhum colega de turma. E ela não se fez de rogada: “Liguei para a diretoria do hospital, que em contato com uma funcionária do SAME chamada Nilza forneceu-me o número”. Depois de algumas trocas de idéias, tudo recomeçou.

                  -Mas você está fazendo o que sozinho em casa a essa hora? Renovo meu convite para você vir ao meu apartamento e passarmos junto esse resto de tarde e começo de noite. Afinal, ela só chega em casa lá para as onze horas da noite, não é mesmo? O Juninho não incomoda; ele é um bom menino e está sempre entretido com  seus brinquedos”. Juninho era o filho de Débora. Soube dele anos depois do curso em encontro com  um ex-colega de turma. Num momento da conversa ao telefone, quando relembrávamos momentos divertidos durante as aulas, principalmente a de psicologia da professora de perfil jamaicano, Débora reclamou mais  atenção de minha parte. Lembrou que era ela a colega mais afeita a mim, e que eu simplesmente a abandonei. E aproveitou mais uma vez a oportunidade para me convidar a ir ao seu apartamento naquela tarde.

              Débora não era bonita, mas era agradável. Sempre morou só, embora sua origem de classe média alta. Bem mais moça do que eu, uns oito anos menos. Exalava um odor de mulher que sabe se cuidar. Moça educada, de finíssimo trato. Branca, dessas que o povo chama de “enferrujada”, se equilibrava em cima de longos saltos. Cabelos castanhos, naturalmente sedosos. Suas vestes eram sempre de tecidos finos; bem cortados e de costura esmerada. Não sei se ela mesma costurava suas roupas, pois sempre demonstrou habilidades quando desenhava modelitos para as colegas de turma que a abordavam a respeito de suas vestes. Nunca casou; nem namorado tinha. Sempre morou só, embora tenha conseguido o maior sonho de sua vida: ter um filho. Por pouco escapei de ter sido o pai. Mas naquela tarde Débora deixava transparecer pelo telefone seu estado de carência emotiva. E insistia para que eu fosse ao seu apartamento ali na Boa Vista. Claro que eu não estava disposto a atendê-la naquele pleito. E entre outras amorosidades, expliquei porque não iria:

            -Largado como estou, chego em sua casa; ficamos sozinhos num ambiente fechado; esse seu perfume discreto que atrai como imã; esse seu jeito de gata e essa sua vozinha manhosa acabam me tirando do sério. É melhor não!



                                                

                                                      (Escrito na primavera de 1990 e digitado em 30.08.2008).

                                                      Do livro Perfis Femininos que conheci - 1992





































m 30.08.2008
        O   ASSASSINATO DE ELOÁ
LINDEMBERG ESTÁ SENDO JULGADO

A violência tem sido um denominador comum na sociedade brasileira nessas últimas décadas. Crimes hediondos e premeditados  têm  abalado a família brasileira de todas as regiões. Um aparato policial ainda ineficiente, um Judiciário lento  e muitas vezes preso aos interesses pessoas dos dos seus integrantes togados e um legislativo que faz leis pensando no que poderá acontecer com seus legisladores mais adiante. Tudo isso vem tirando o caráter republicano das instituições nacionais e transformando o Brasil num “País sem regras”,  como já afirmou há pouco a presidente da República.  Mas a sociedade moderna peca pelos desafios que criou com suas reformas  estruturais profundas, rejeitando as normas tradicionais e introduzindo concepções  políticas e filosóficas  que privilegiaram a liberdade sem atentar para a questão fundamental da responsabilidade. O crime, brutal, momentâneo ou organizado  não é um privilégio do Brasil.

Assistimos no momento o julgamento, em  Santo André, no ABC Paulista, do caso do assassinato da jovem  Eloá Pimentel  pelo ex-namorado  Lindemberg  Alves . Não faz muito, um jovem rejeitado pela família e visto com reservas pelos colegas de escola, matou a professora, alguns alunos e teria “se suicidado” num estabelecimento de ensino fluminense. Lindemberg  parece um tipo igualmente perigoso, frio e calculista. Teve o sangue frio de manter por cinco dias reféns suas,  Eloá e sua amiga Nayara Rodrigues, além de dois outros amigos de Eloá, citando-se aqui o Iago Oliveira. Os rapazes foram libertados  horas depois que Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá. O motivo da ação covarde de Lindemberg, 25 anos, teria sido sua insatisfação pelo rompimento da relação do casal. Eloá tinha 16 anos.

O que impressiona é a postura da advogada de Lindemberg. Indo contra todas as evidências de espírito  truculento , frio e calculista do matador de Eloá – que se manteve calado até este momento que antecedo o 2º dia de julgamento, a advogada põe a culpa na “ação da imprensa” e “nos métodos utilizados pela polícia” para invadir o espaço onde a moça era mantida refém. A advogada chega a afirmar diante das câmeras que “Lindemberg  é um menino bom, afetuoso” . Essa elegia ao crime, aliada ao clima de impunidade que impera neste País, tem sido responsável pela exacerbação de monstruosidades contidas na mente deste e de outros criminosos. O embate entre a promotoria e a defesa promete lances sensacionais, mas a sociedade está vigilante e aguarda um desfecho  positivo do julgamento, isto é, a condenação do réu. T












sábado, 11 de fevereiro de 2012

       BADERNA ARMADA NÃO É GREVE


A greve dos policiais militares da Bahia contaminou a categoria do Rio de Janeiro. Na antiga Capital da República a greve se prenunciava como um rolo compressor que acuaria o governo no sentido de obter êxito em suas reivindicações. É que lá, além da Polícia Militar, bombeiros e policiais civis também aderiram ao movimento. É de domínio geral os baixos salários recebidos pelas forças auxiliares do Sistema de Segurança do País. Mas na mesma situação, aliás, bem pior, estão os professores do ensino fundamental e médio da rede pública de educação. Se bem que os professores da rede particular não estejam em situação diferente dos colegas que trabalham para o governo. Os policiais da Bahia insistem com um movimento que é um barco que já deu água. Menos de um quarto da corporação ignora o bom senso dos colegas que voltaram ao trabalho. E com as medidas anunciadas pelo governo, esse residual deverá retornar ao trabalho nas próximas horas, se não quiser ser excluído da tropa.

No Rio, a situação de greve dos policiais é um pouco diferente. As medidas preventivas adotadas pelo governo, e a prisão dos principais líderes do movimento, inclusive oficiais superiores, e a baixa adesão de importantes segmentos das categorias, parece ter contribuído para o fracasso do movimento. A cidade, segundo a imprensa, está funcionando normalmente, há policiamento em todas as áreas da capital e as três cidades onde estaria havendo maior tendência a adesão estão sendo controladas por tropas levadas da capital. Em São Paulo, o esquema de dissuasão montado pelo governo parece ter abortado o movimento grevista na maior cidade do País.

O comando dos grevistas, na Bahia e no Rio, tendo na retaguarda a ação de políticos oposicionistas, foi de um oportunismo primário. Imaginaram inviabilizar o carnaval de Salvador e do Rio, o que traria enormes prejuízos econômicos para as duas cidades e teria uma repercussão desagradável fora do País, quebrando o círculo virtuoso de crescimento econômico e diplomático alcançado pelo Brasil nesses últimos anos. O tiro parece ter saído pela culatra. A situação vai se normalizando, os ganhos do movimento não foram além do que o governo já havia oferecido antes, e assim a sociedade espera que as polícias, órgãos auxiliares do sistema de segurança, possa realizar suas tarefas normais de assegurar a tranquilidade nas ruas e protegendo o cidadão.

É indiscutível, repita-se, a carência dos salários dos policiais. Mas no Brasil se paga mal aos trabalhadores. Já mostramos, como exemplo comparativo, a situação dos professores da rede oficial de ensino. Infelizmente, a demagogia do regime militar criou o instituto da isonomia, que nunca funcionou, mas espalhou pendências salarias por todo o Pás. Se uma categoria recebe um reajuste, as outras categorias também o reivindicam, e essa bola de neve inviabiliza uma política salarial mais justa deixando os governos presos às variações da arrecadação tributária e aos ditames da Lei de Responsabilidade Civil. Isso precisa mudar.

Finalmente, não se pode concordar que policiais de armas em punho, atirando a esmo para demonstrar poder e atravessando ônibus na pista para atravancar o trânsito, e até queimando ônibus na via pública, estejam fazendo greve, vedada por lei em face da natureza da função que exercem. Isso caracteriza baderna, e a sociedade que paga seus salários não pode aceitar isso.

baderna armada não é greve

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

   A  INSURGÊNCIA  SE  GLOBALIZOU
Insurgências nos países do Oriente Médio, da África do Norte e outras regiões do Planeta foram batizadas de Primavera Árabe. A denominação, apesar de bastante genérica, ignora, contudo, a fase delicada por que passa a Humanidade neste momento de sua história. O blog já analisou a questão em postagens anteriores, e a observou sob as diversas óticas críticas de natureza politica e ideológica. O tema é recorrente, e a cada dia um elemento novo se junta ao turbilhão de coisas que agita a superfície nada quieta desse mar imenso que são as emoções exacerbadas de grupos ideológicos e os interesses sempre conflitantes dos líderes das grandes potências ocidentais. Insurgência é um termo que se vai generalizando, incorporando ações e intenções de povos diversos em nações de culturas mais diferenciadas entre si, atingindo todos os Continentes. O Iêmen, o Egito, a Síria, a Líbia, entre outros, são exemplos de países cuja população pegou em armas, destituiu ou ainda tenta destituir os governantes de sucessão tribal ou assemelhada. Esses governantes tentam se perpetuar no poder usando estratagemas políticos que validam suas gestões ditatoriais, muitas vezes cruéis e sanguinolentas.

Mas a Primavera Árabe é um movimento que teve início bem mais lá atrás. A guerra do Afeganistão já vem de décadas, quando a antiga União Soviética, conscientizando-se de que jamais venceria as tribos locais, deixou o País asiático e por assim dizer entregou o comando das ações militares aos norte-americanos. As tropas dos Estados Unidos se juntaram aos seus aliados europeus, e neste momento, vivendo o mesmo impasse que perdurou nos últimos anos da presença soviética ali, buscam através de conversações uma saída honrosa para uma guerra onde se luta conra um inimigo oculto escondido nos recônditos do deserto, bem armado, fanático e por isso mesmo perigoso. Na Primavera Árabe a serpente de muitas faces criada pelas potências ocidentais rasteja pelos desertos da Ásia e da África, e inocula seu veneno naqueles que a alimentaram e agora não têm mais controle sobre ela.

Na verdade, a Primavera Árabe é um efeito colateral, adverso, das políticas de dominação praticadas pelos líderes ocidentais contra povos produtores de petróleo e donos de espaços marítimos – mares e estreitos - por onde o óleo é escoado para mover a engrenagem industrial ocidental. Foram as potências ocidentais que colocaram no poder, e sustentaram por décadas, os ditadores que caíram diante dos levantes populares e os que ainda vão cair. A loucura dos líderes ocidentais não tem tamanho. Tentam agora, através de ardis, conservar seu poder na região sustentando ditadores que derrubaram outros ditadores, ou influenciando os grupos que lutam por liberdade; os insurgentes foram armados pelas potências ocidentais; e agora miram os que os armaram. Essa insurgência se globalizou, e até mesmo nos Estados Unidos grupos de intelectuais comandam movimentos de ocupação de áreas financeiras; não bastassem as reações dos povos europeus às medidas de imposições de regras que só beneficiam os mais ricos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

POLICIAIS BAIANOS EM GREVE HÁ 8 DIAS

O principio da Hierarquia e da Disciplina, pilares básicos da instituição militar , foi quebrada com a greve do policiais militares da Bahia. Não são os policiais baianos os primeiros a promoverem greve neste País. Em muitos outros estados, paralizações semelhantes foram realizadas. O que cabe discutir aqui é se tais movimentos têm alguma fundamentação legal. A resposta é: não. O artigo 142 da Constituição estabelece que militares não podem fazer greve. E como a polícia militar é um serviço auxiliar das forças armadas, sujeita ao mesmo regime disciplinar, fica claro que policiais militares, bem como a civil, braço judiciário do esquema de segurança, estão constitucionalmente impedidos de fazer greve. Mas o que se vê na Bahia hoje é um motim, e isso não é admissível num estado democrático de direito. A serenidade aliada à firmeza do governador baiano, bem como o as ações de contenção realizadas pelas formas armadas e pelas forças nacionais de segurança demonstram amadurecimento democrático. Mas esse amadurecimento ainda não foi incorporado pelos integrantes das forças auxiliares. Eles dispõem de mecanismos de negociação, e pressão, para obterem vantagens salariais e outras condições de trabalho. Afrontar a autoridade constituída não é um bom exemplo. O Brasil precisa passar por muitas reformas, inclusive a que possa dar melhor tratamento à polícia, mas também aos professores e aos trabalhadores da saúde. Até lá temos um longo caminho a percorrer. Que o bom senso presida a todos os eventos que antecedam essas reformas.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

HAVERÁ FORMAS DE VIDA DIFERENTES?
Sondas espaciais buscam sinais de vida em outros mundos; potentes telescópios varrem o universo em busca de sinais que nos digam que não estamos sozinhos nessa imensidão de espaço. A ciência astronômica já descobriu planetas semelhantes a Terra. E até planetas que orbitam em torno de duas estrelas na vastidão do espaço visível pelos instrumentos atualmente disponíveis pela ciência. A busca por vida fora da Terra é o sonho de uma raça que se sente só, perdida no Universo. A questão não é encontrar um planeta que seja semelhante a Terra, mas que seja igual a ela. Isto é: possua as mesmas características físicas, químicas e biológicas e esteja a igual distância de sua estrela como a Terra está do Sol. Essa é a condição indispensável para existir vida sobre a face de um planeta. Existe esse planeta fora da Terra? A vida nesse (s) planeta (s) é idêntica a que é encontrada sobre a superfície da Terra? A resposta a essas perguntas é extremamente complicada.

A Natureza foi pródiga em dotar a Terra de condições propícias à vida. Os cientistas e os curiosos ficam observando o espaço e indagando como pode esse grão de areia perdido no Universo que até onde foi visualizado possui 10 bilhões de estrelas só na Constelação da Via Láctea, essa Galáxia onde vivemos, e mais de 200 bilhões de galáxias possíveis por determinação de cálculos matemáticos. E a maioria deles não acredita que só a Terra possa ser habitada. As conjecturas vão ao ponto de se pensar que poderão existir outras formas de vida diferentes da humana. Alguns mais radicais afirmam que isso não seria vida. E o que seria? A superfície da Terra mostra exemplos que podem ser tomados como comparativos. O formato da cabeça e a cor da pele dos vários povos espalhados por diversos Continentes se diversificam em função das pressões atmosféricas, da latitude e longitude do espaço onde nascem e vivem esses seres humanos. Analogamente, em outros planetas iguais a Terra poderá haver formas de vida enquadradas por dimensões cósmicas variadas. Um ser minúsculo ou um gigante, uma forma diferente de se deslocar, modos diversos de se nutrir e se comunicar e outras ponderabilidades científicas pertinentes ao tipo de ambiente em que foram gestados.

Difícil vai ser conhecermos as peculiaridades desses possíveis seres extraterrestres e seus ambientes em algum tempo por vir. Entre nós, temos observação direta e cálculos matemáticos. Por exemplo, a Terra tem cerca de três milhões de espécies vivas conhecidas. Nossa Constelação existirá por mais de 15 bilhões de anos. Filha dela, a Terra tem uma vida útil estimada em 7 bilhões de anos, dos quais já viveu 4.2 bilhões de anos, restando portanto 2.8 bilhões de anos. A vida humana é relativamente recente; as espécies de hominídeos (nossos ancestrais mais diretos) conhecidas datam de aproximadamente 3.6 a 4.5 milhões de anos. Bem aquém dos animais gigantes (dinossauros) que habitaram a Terra há mais de 120 milhões de anos. As condições especiais em que a vida de seres superiores apareceu na Terra, pelo inusitado das diferenças de espaçamento de tempo, indicam que da mesma forma como chegaram desaparecerão. Isto nos instiga a pensar que condições climáticas influenciarão na redução gradativa dos seres humanos. Essas condições terão origem direta na própria natureza e também serão deflagradas pelas ações humanas. Seja lá como for, a exemplo do que aconteceu durante as várias eras que assistiram o aparecimento da vida sobre a Terra,  o tempo entre a extinção da raça humana e a transformação do Planeta num corpo morto, deserto, sem vida (como, por exemplo, a Lua) será bastante longo.
SUPREMO MANTÉM PODERES DO CNJ

Finalmente, fruto da pressão popular, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio de Mello em ação de inconstitucionalidade movida pelo presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros. Fica assim restaurada a autonomia do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar, processa e punir magistrados corruptos. O CNJ é o órgão de controle externo do Judiciário, embora composto por ministros, juízes e advogados. Louve-se, a bem da justiça, a postura do ministro Gilmar Mendes ( quem diria!) cujo arrazoado deu rumo a decisão do plenário do STF. Mendes afirmou enfaticamente, durante os debates em torno dos poderes do CNJ, que “Quando há demandas contra juízes as corregedorias estaduais nunca funcionam, pois ficam presas ao corporativismo de classe”. Os ministros Joaquim Barbosa e Cezar Peluso, este presidente da instituição, também tiveram papel fundamental importante na decisão da Suprema Corte.


        TRANSPORTE PÚBLICO CADA VEZ PIOR

Mobilidade na Região Metropolitana do Recife fica cada vez mais difícil. A lentidão do trânsito cresce a cada dia, com a entrada de mais veículos em circulação. Em algumas artérias importantes das principais cidades da região as filas de carros já lembram o caos de São Paulo. E quando há chuvas, então, os moradores de Recife, Olinda e Jaboatão já ficam impressionados com o número de veículos enfileirados. As providências para o setor adotadas até agora pelas autoridades municipais não surtiram os efeitos desejados. A cidade inchou, e as ruas ficam cada vez mais estreitas para tantos carros. A ampliação de viadutos, principalmente o Capitão Temudo, não dá conta do trânsito em crescimento permanente. Na Cabanga, a alça que desvia o tráfego para a rua Imperial esbarra no estrangulamento de uma via estreita, ainda sem alternativas para se chegar à Avenida Sul. A Via Mangue, quando concluída, desafogará um pouco o trânsito; mas até quando? Há a necessidade urgente de se projetar novas avenidas, novos viadutos e introduzir o sistema de transporte sobre trilho nas regiões mais povoadas das cidades como alternativa ao transporte rodoviário, que já demonstrou estar superado.