BADERNA ARMADA NÃO É GREVE
A greve dos policiais militares da Bahia contaminou a categoria do Rio de Janeiro. Na antiga Capital da República a greve se prenunciava como um rolo compressor que acuaria o governo no sentido de obter êxito em suas reivindicações. É que lá, além da Polícia Militar, bombeiros e policiais civis também aderiram ao movimento. É de domínio geral os baixos salários recebidos pelas forças auxiliares do Sistema de Segurança do País. Mas na mesma situação, aliás, bem pior, estão os professores do ensino fundamental e médio da rede pública de educação. Se bem que os professores da rede particular não estejam em situação diferente dos colegas que trabalham para o governo. Os policiais da Bahia insistem com um movimento que é um barco que já deu água. Menos de um quarto da corporação ignora o bom senso dos colegas que voltaram ao trabalho. E com as medidas anunciadas pelo governo, esse residual deverá retornar ao trabalho nas próximas horas, se não quiser ser excluído da tropa.
No Rio, a situação de greve dos policiais é um pouco diferente. As medidas preventivas adotadas pelo governo, e a prisão dos principais líderes do movimento, inclusive oficiais superiores, e a baixa adesão de importantes segmentos das categorias, parece ter contribuído para o fracasso do movimento. A cidade, segundo a imprensa, está funcionando normalmente, há policiamento em todas as áreas da capital e as três cidades onde estaria havendo maior tendência a adesão estão sendo controladas por tropas levadas da capital. Em São Paulo, o esquema de dissuasão montado pelo governo parece ter abortado o movimento grevista na maior cidade do País.
O comando dos grevistas, na Bahia e no Rio, tendo na retaguarda a ação de políticos oposicionistas, foi de um oportunismo primário. Imaginaram inviabilizar o carnaval de Salvador e do Rio, o que traria enormes prejuízos econômicos para as duas cidades e teria uma repercussão desagradável fora do País, quebrando o círculo virtuoso de crescimento econômico e diplomático alcançado pelo Brasil nesses últimos anos. O tiro parece ter saído pela culatra. A situação vai se normalizando, os ganhos do movimento não foram além do que o governo já havia oferecido antes, e assim a sociedade espera que as polícias, órgãos auxiliares do sistema de segurança, possa realizar suas tarefas normais de assegurar a tranquilidade nas ruas e protegendo o cidadão.
É indiscutível, repita-se, a carência dos salários dos policiais. Mas no Brasil se paga mal aos trabalhadores. Já mostramos, como exemplo comparativo, a situação dos professores da rede oficial de ensino. Infelizmente, a demagogia do regime militar criou o instituto da isonomia, que nunca funcionou, mas espalhou pendências salarias por todo o Pás. Se uma categoria recebe um reajuste, as outras categorias também o reivindicam, e essa bola de neve inviabiliza uma política salarial mais justa deixando os governos presos às variações da arrecadação tributária e aos ditames da Lei de Responsabilidade Civil. Isso precisa mudar.
Finalmente, não se pode concordar que policiais de armas em punho, atirando a esmo para demonstrar poder e atravessando ônibus na pista para atravancar o trânsito, e até queimando ônibus na via pública, estejam fazendo greve, vedada por lei em face da natureza da função que exercem. Isso caracteriza baderna, e a sociedade que paga seus salários não pode aceitar isso.
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