BLOG SAI
DO RECESSO
O Blog esteve de recesso nesse período carnavalesco. Uma
pausa para descanso e para reflexão. Como é diferente a sociedade de hoje,
comparando-a com a que existia até meados da década de 50 do século XX. O
corso, as marchinhas, os blocos líricos, as troças e os clubes carnavalescos,
os clubes de alegorias, o lança-perfume
usado com moderação, confete, serpentina; os desfiles nas ruas estreitas da
cidade, tudo se concentrando em torno do palanque da Federação Carnavalesca.
Os blocos desapareceram das ruas e só agora ressurgem alguns
na tentativa de sobrevivência da modalidade carnavalesca. O lança-perfume passou
a ser uma droga perigosa, e proibida. Os foliões não tem mais aquela alegria
natural de quem “trabalha um ano e cai na foia”. Hoje, tudo é marketing. O Galo
da Madrugada é o novo ícone do carnaval, arrastando para o centro da Capital
tanta gente que supera numericamente a população do Recife. A violência se
banalizou; ônibus depredados, causando prejuízos a quem no pós-carnaval precisa
se deslocar para o trabalho, a escola, o lazer ou em demanda aos serviços
médicos.
Parece saudosismo. E é! Saudade dos velhos tempos em que se
viajava a pé, muitas vezes porque não se tinha o dinheiro para pagar a passagem
ou pelo simples exercício de caminhar, tão salutar e desprezado nos dias de
hoje. O que aconteceu no sambódromo de São Paulo, durante a apuração do
desempenho das escolas de samba da capital paulista é bem um exemplo dessa
desumanização do carnaval, da força do dinheiro e do marketing substituindo a
espontaneidade. O carnaval, tradição do povo brasileiro, deve continuar. O que
é urgente é limitar a subordinação dos festejos ao império do poder econômico e
tornar as leis mais rígidas, de modo que se possa minimizar ações de vândalos
que destroem o patrimônio público e atentam contra a segurança e a própria vida
do cidadão que quer apenas se divertir.
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