LINDEMBERG ESTÁ SENDO JULGADO
A violência tem sido um
denominador comum na sociedade brasileira nessas últimas décadas. Crimes
hediondos e premeditados têm abalado a família brasileira de todas as
regiões. Um aparato policial ainda ineficiente, um Judiciário lento e muitas vezes preso aos interesses pessoas
dos dos seus integrantes togados e um legislativo que faz leis pensando no que
poderá acontecer com seus legisladores mais adiante. Tudo isso vem tirando o
caráter republicano das instituições nacionais e transformando o Brasil num “País
sem regras”, como já afirmou há pouco a
presidente da República. Mas a sociedade
moderna peca pelos desafios que criou com suas reformas estruturais profundas, rejeitando as normas
tradicionais e introduzindo concepções
políticas e filosóficas que
privilegiaram a liberdade sem atentar para a questão fundamental da
responsabilidade. O crime, brutal, momentâneo ou organizado não é um privilégio do Brasil.
Assistimos no momento o
julgamento, em Santo André, no ABC
Paulista, do caso do assassinato da jovem Eloá Pimentel pelo ex-namorado Lindemberg Alves . Não faz muito, um jovem rejeitado pela
família e visto com reservas pelos colegas de escola, matou a professora,
alguns alunos e teria “se suicidado” num estabelecimento de ensino fluminense.
Lindemberg parece um tipo igualmente
perigoso, frio e calculista. Teve o sangue frio de manter por cinco dias reféns
suas, Eloá e sua amiga Nayara Rodrigues,
além de dois outros amigos de Eloá, citando-se aqui o Iago Oliveira. Os rapazes
foram libertados horas depois que
Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá. O motivo da ação covarde de
Lindemberg, 25 anos, teria sido sua insatisfação pelo rompimento da relação do casal.
Eloá tinha 16 anos.
O que impressiona é a postura da
advogada de Lindemberg. Indo contra todas as evidências de espírito truculento , frio e calculista do matador de
Eloá – que se manteve calado até este momento que antecedo o 2º dia de
julgamento, a advogada põe a culpa na “ação da imprensa” e “nos métodos
utilizados pela polícia” para invadir o espaço onde a moça era mantida refém. A
advogada chega a afirmar diante das câmeras que “Lindemberg é um menino bom, afetuoso” . Essa elegia ao
crime, aliada ao clima de impunidade que impera neste País, tem sido
responsável pela exacerbação de monstruosidades contidas na mente deste e de
outros criminosos. O embate entre a promotoria e a defesa promete lances
sensacionais, mas a sociedade está vigilante e aguarda um desfecho positivo do julgamento, isto é, a condenação
do réu. T
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