TERCEIRA IDADE E
CIDADANIA
Na semana dedicada ao
idoso, muito discurso e poucos resultados. Chegar à terceira idade é um fato preocupante para um País cuja população já passou dos 200 milhões de
habitantes e envelhece na razão inversa dos nascimentos. Os avanços da ciência –
medicina na ponta, alongaram os anos de
vida do brasileiro. Paritariamente com esse avanço, acelerou-se a incidência
das doenças crônicas e degenerativas, que
agora chegam mais cedo. O diabete, a hipertensão arterial, a obesidade, as
doenças cardiovasculares e o câncer vitimam milhões de pessoas idosas no Brasil. E infelizmente, faltam no País condições infra estruturais para atender a
enorme demanda da população que envelhece. As atenções básicas à saúde do idoso
só existem no discurso. Os postos de saúde são poucos, ficam a grandes
distâncias das casas dos idosos, faltam neles médicos, equipamentos simples e
medicamentos. O Programa de Saúde da Família (PSF), uma importante conquista social, não tem estrutura para lidar
com os problemas da terceira idade, e em muitos municípios é mero instrumento
de fazer política nas mãos dos prefeitos. O transporte público de passageiros
não contempla as pessoas da terceira idade. O tratamento dispensado aos idosos
pelos operadores dos ônibus é desrespeitoso e atenta contra a sua segurança
física. As calçadas, no centro das
cidades e nos subúrbios, são uma constante ameaça aos idosos, que já não
enxergam bem os buracos do piso, os
galhos de árvores que invadem o passeio, as barracas ao longo do mesmo, os
postes no meio do caminho, só para citar alguns inconvenientes.
Hoje, os idosos se aposentam um pouco
mais tarde do que em décadas anteriores, sofrem nas filas dos bancos para
receberem suas aposentadorias defasadas em relação aos que estão na ativa, e
ainda carregam o ônus de na grande maioria dos lares brasileiros serem os
responsáveis pelo pagamento das contas e despesas gerais da família. A moradia de grande parte dos
idosos é inadequada às condições físicas,
psicológicas e sanitária dos mesmos. Uma parcela considerável deles mora em
morros, está sujeita ao uso de escadarias para ter acesso às suas casas. Nos
hospitais, para onde são encaminhados pelos postos de saúde, descobrem que o atendimento preferencial é apenas um
cartaz na parede dos ambulatórios ou na recepção. Envelhecer no Brasil é uma proeza difícil e
ariscada. Os idosos, que dedicaram sua juventude e todo o “período útil” (sic)
de suas vidas ao trabalho para desenvolver o País, são maltratados por uma
justiça injusta, vão perdendo direitos
adquiridos por lei, são obrigados a continuar pagando previdência social e são ainda surrupiados pelo leão do IR. Filas, deboches, perda do
poder aquisitivo, descaso, tudo isso
leva o idoso a ter menos autoestima e a
duvidar dessa coisa chamada cidadania.