VAMOS
ESCUTAR AS ROSAS
Dizem que as rosas falam... Não
sei o que elas dizem. Talvez, ao espetar
com seus espinhos quem as colhe no campo
ou nos canteiros, as rosas estejam protestando contra a invasão de sua sublime
missão de embelezar e perfumar o ambiente. Elas reclamam com certeza da inversão da lógica natural de
sua natureza praticada pelas ações humanas. Homens injustos, violentos, egoístas
que maculam as rosas alterando suas cores, e transformando sua essência. A
rosa, como as outras flores, acabam punindo o homem por a banalizarem, pois
estão sempre presentes nas suas vidas
confundindo-o na alegria do batizado, do
casamento, dos presentes e também na morte.
Abro o jornal, só disputas, sofrimento,
mágoas. Aqui, a criança morreu soterrada no deslizamento da barreira acima de
sua casa lá num morro. Ali, faltam médicos, dentistas e medicamentos nos postos
de saúde, nas policlínicas e hospitais públicos. E os conselhos regionais de
medicina, sob pretexto de valorizar o
profissional, boicotam a contratação de médicos estrangeiros. Privilegiam a
morte de crianças, idosos e pessoas vulneráveis. Na outra página, com farta documentação
fotográfica, mulher vende filhinha de dois anos por 2 mil e 300 reais mais um notebook.
As manchetes são desesperadoras. Chuvas e enchentes destroem moradias de
pessoas simples que já foram desalojadas de suas casas em eventos anteriores
idênticos. Essas pessoas moram em áreas de risco, que deveriam ser ocupadas por
florestas e abrigando rios e riachos que
o desmatamento não programado vai reduzindo sua vazão natural. Interessante é
que quando ocorre um incidente desses as autoridades constituídas vêm a público
informar que as obras para evitar novos
danos serão iniciadas em pouco tempo.
Drogas, estupros, violência em
família. Transporte de massa precário, escolas mal equipadas, professores
ganhando uma miséria de salário e governadores e prefeitos se queixando que não
têm condições para pagar o piso salarial da classe, muito menos aceitar o
aumento previsto em lei. Mas tem dinheiro para fazerem festas, patrocinarem
eventos muitas vezes desnecessários, aumentar seus próprios salários e dos
deputados e vereadores, pagarem viagens “de trabalho” durante as quais senadores, deputados e vereadores fazem farras
com o dinheiro público. Copa do mundo, ódio racial, demagogia de lideranças comunitárias,
seca, morte, miséria... Se o mundo fosse um trem eu pediria parada para
descer. A realidade é cruel.
É melhor ouvir as rosas...
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