LEMBRANÇAS DA ADOLESCÊNCIA
Setembro se inicia em meio a um
misto de calor, chuvas, ventos e frio. Logo vem o dia 21 e começa a primavera; praia e espetáculos diversos. A primavera me
traz lembranças tristes que não se
apagam com o passar do tempo. Um tempo em que a adolescência transforma minha
vida, mudando o perfil de um menino de engenho que passa a ser um fiel amante das artes e da literatura. Um amor inocente, nascido por acaso. Ela me
ensinou a tomar leite, coisa que eu não suportava, embora não faltasse leite na
cozinha da casa grande do engenho Boa Fé. Também não gostava de coisas doces, e
ela aos poucos me fez adorar biscoitos, biscoitos que minha mãe fazia, mas eu
não apreciava. Só gostava de bananada, e ela me oferecia as mais diversas e
saborosas bananadas. Ela me viu quando eu era criança, período em que eu usava
roupas de feitio marinheiro, ou então calças curtas e aquele suspensório.
Alguns anos depois ela me salvou da sanha de meninos maus do Bode. Pedalando
uma bicicleta, ela me encontrou escondido entre materiais de construção, com os
joelhos ralados, escondido daqueles meninos irracionais.
-Marinheiro, vem cá, eles se
foram.
E eu fiquei sendo tratado
carinhosamente de “marinheiro”. Era um amor inocente! Desses quando nenhum dos
dois se declara ao outro. Família de nível social superior ao meu, mas ainda
assim, solidária. Líamos juntos livros de história e geografia, e ela corrigia
meus conceitos sobre antropologia e arqueologia. Ela era apenas uma menina!
Tocava instrumentos de corda como violão e violino e soprava saxofone, dedilhava piano e batia percussão. E cantava; músicas de cantores
populares e autores sacros; ela era evangélica. Ela era doce como o mel que me
oferecia. Nas noites de luar, a praia era cenário de canto, com música romântica e declamação de poesias,
junto com os muitos amigos que tínhamos. Com sua morte prematura, tudo mudou. E
essa lembrança que está sempre presente e me faz recordar dias felizes de minha
adolescência. Setembro traz a primavera, e essas lembranças que ainda me
acariciam.
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