NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 1 de setembro de 2013


     LEMBRANÇAS DA ADOLESCÊNCIA
Setembro se inicia em meio a um misto de calor, chuvas, ventos e frio. Logo vem o dia 21 e começa a primavera;  praia e espetáculos diversos. A primavera me traz  lembranças tristes que não se apagam com o passar do tempo. Um tempo em que a adolescência transforma minha vida, mudando o perfil de um menino de engenho que passa a ser  um fiel amante das artes e da literatura.  Um amor inocente, nascido por acaso. Ela me ensinou a tomar leite, coisa que eu não suportava, embora não faltasse leite na cozinha da casa grande do engenho Boa Fé. Também não gostava de coisas doces, e ela aos poucos me fez adorar biscoitos, biscoitos que minha mãe fazia, mas eu não apreciava. Só gostava de bananada, e ela me oferecia as mais diversas e saborosas bananadas. Ela me viu quando eu era criança, período em que eu usava roupas de feitio marinheiro, ou então calças curtas e aquele suspensório. Alguns anos depois ela me salvou da sanha de meninos maus do Bode. Pedalando uma bicicleta, ela me encontrou escondido entre materiais de construção, com os joelhos ralados, escondido daqueles meninos irracionais.
-Marinheiro, vem cá, eles se foram.
E eu fiquei sendo tratado carinhosamente de “marinheiro”. Era um amor inocente! Desses quando nenhum dos dois se declara ao outro. Família de nível social superior ao meu, mas ainda assim, solidária. Líamos juntos livros de história e geografia, e ela corrigia meus conceitos sobre antropologia e arqueologia. Ela era apenas uma menina! Tocava instrumentos de corda como violão e violino e soprava  saxofone, dedilhava piano e  batia  percussão. E cantava; músicas de cantores populares e autores sacros; ela era evangélica. Ela era doce como o mel que me oferecia. Nas noites de luar, a praia era cenário de canto, com  música romântica e declamação de poesias, junto com os muitos amigos que tínhamos. Com sua morte prematura, tudo mudou. E essa lembrança que está sempre presente e me faz recordar dias felizes de minha adolescência. Setembro traz a primavera, e essas lembranças que ainda me acariciam.

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